{
  "abstract": "Introdução: A integração entre achados clínicos, morfológicos, citogenéticos e moleculares é determinante na estratificação de risco e na definição da estratégia terapêutica da leucemia mieloide aguda (LMA). O surgimento de novos clones, sobretudo na recaída, pode conferir resistência e piorar o desfecho. Apresentação do caso: Masculino, 17 anos, portador de síndrome de Ollier, apresentou palidez, febre e lesões cutâneas há 3 meses do diagnóstico, com leucocitose de 178.200/μL. À hematoscopia, numerosos mieloblastos e monoblastos. A imunofenotipagem revelou 78% de blastos em duas populações: (1) 35% CD45dim, CD34-, CD117+, CD33+, CD13+, HLA-DR+, citoMPOparcial; (2) 43% CD45+, CD34-, CD14+, CD64+, CD11b+, CD33+, CD13dim, HLA-DR+, citoMPO parcial, compatível com LMA mielomonocítica. Cariótipo 46,XY; mutação NPM1 positiva e FLT3-ITD negativa (análise de fragmentos); RT-PCR negativo para t(9;22), inv(16), t(15;17), t(8;21) e t(4;11). Havia infiltração liquórica (38% blastos) e biópsia cutânea confirmou cloroma. Recebeu citorredução com hidroxiureia e citarabina. Após, iniciou-se indução conforme protocolo GELMAI, evoluindo com refratariedade. A segunda indução (citarabina em dose intermediária, daunorrubicina e etoposídeo) obteve remissão morfológica, porém com doença residual mensurável (DRM) de 2,68%. A intensificação com mitoxantrone e citarabina em altas doses negativou a DRM. Recebeu consolidação com citarabina em altas doses, mas houve reascensão de DRM com 0,67% antes do transplante de células tronco hematopoiéticas (TCTH). Recebeu 9 ciclos de quimioterapia intratecal. Foi submetido a TCTH alogênico doador não aparentado 10/10, (sangue periférico). Condicionamento com fludarabina, bussulfano e melfalano. Enxertia no D+15, sem DECH. Avaliação no D+20 com DRM negativa. No D+63, recidiva com 29% de blastos de imunofenótipo idêntico ao inicial. Reavaliação molecular manteve NPM1, porém com aquisição de FLT3-ITD (genotipagem por análise de fragmentos e NGS). Painel NGS identificou ainda mutação IDH1 p.Arg132His. Foi refratário a tratamento de resgate com azacitidina e venetoclax. Evoluiu com infecção grave e óbito 2 meses após a recidiva. Discussão: Ocorre malignidade em cerca de 50% dos pacientes com síndrome de Ollier, porém a coexistência com LMA é excepcional. Há poucos casos relatados na literatura, sendo as mutações em IDH1 o provável elo biológico entre ambas as entidades. Mutações em IDH1 estão presentes em até 10% das LMA, com impacto prognóstico variável. A variante IDH1 p.Arg132His é mais frequente em pacientes jovens e frequentemente coocorre com mutações em NPM1 (∼50%), FLT3-ITD, DNMT3A e PTPN11. No contexto de IDH1 mutado, há melhor prognóstico quando há mutação em NPM1, porém a tríade molecular IDH1/NPM1/FLT3-ITD tem sido associada a pior sobrevida global. Aquisição de FLT3-ITD na recidiva caracteriza evolução clonal sob pressão terapêutica, configurando doença de alto risco molecular, provavelmente contribuindo para a refratariedade ao resgate. Terapias alvo, como inibidor de FLT3, IDH1 e menin, são opções promissoras, porém de difícil acesso e com eficácia limitada após falha de venetoclax e em recidiva precoce pós TCTH. Conclusão: O caso reforça a importância da reavaliação molecular na recidiva da LMA, pois evolução clonal pode modificar o perfil prognóstico e revelar potenciais alvos terapêuticos. Ilustra, ainda, rara associação entre síndrome de Ollier e LMA, tendo o IDH1 como provável elo biológico entre ambas.",
  "abstract_shown": true,
  "affiliations": [
    "Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirao Preto (HCFMRP), Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil"
  ],
  "article_type": null,
  "arxiv": null,
  "author_total": 6,
  "authors": [
    {
      "affs": [
        0
      ],
      "name": "Ana Laura Quirino DE LIMA"
    },
    {
      "affs": [
        0
      ],
      "name": "Gabriela Marengoni ALTIZANI"
    },
    {
      "affs": [
        0
      ],
      "name": "Luiza Cassino Gil NUNES"
    },
    {
      "affs": [
        0
      ],
      "name": "José Eduardo BERNARDES"
    },
    {
      "affs": [
        0
      ],
      "name": "Elvis Terci VALERA"
    },
    {
      "affs": [
        0
      ],
      "name": "Carlos Alberto SCRIDELI"
    }
  ],
  "bibtex": "https://research.draconitic.com/paper/09xb3wekhvhjs.bib",
  "cited_by": 0,
  "doi": "10.1016/j.htct.2026.108412",
  "fulltext_url": "http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2531137926021590",
  "id": "09xb3wekhvhjs",
  "issns": [
    "2531-1379",
    "2531-1387"
  ],
  "landing_url": "https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.108412",
  "language": "en",
  "licence": "CC-BY",
  "licence_label": "CC BY",
  "licence_source": "journal",
  "licence_url": "https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/",
  "metadata_licence": null,
  "native_subjects": [
    [
      "lcc",
      "RC633-647.5"
    ],
    [
      "openalex",
      "2720|Acute Myeloid Leukemia Research"
    ]
  ],
  "openalex": "W7223149114",
  "pdf_url": "https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2531137926021590/pdf",
  "pmcid": null,
  "pmid": null,
  "published": "2026-10-23",
  "publisher": "Elsevier",
  "ris": "https://research.draconitic.com/paper/09xb3wekhvhjs.ris",
  "sources": [
    {
      "first_seen": "2026-10-30T13:43:25Z",
      "native_id": "5a48c53dda614e77a0e09221c6aa5be5",
      "source": "doaj",
      "url": "https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.108412"
    }
  ],
  "subjects": [
    {
      "field": "medicine",
      "origin": "lcc:RC633-647.5",
      "subfield": "endocrinology-metabolism"
    }
  ],
  "title": "LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA E SÍNDROME DE OLLIER: EVOLUÇÃO CLONAL COM AQUISIÇÃO DE FLT3-ITD E IDH1 COMO ELO BIOLÓGICO",
  "title_text": "LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA E SÍNDROME DE OLLIER: EVOLUÇÃO CLONAL COM AQUISIÇÃO DE FLT3-ITD E IDH1 COMO ELO BIOLÓGICO",
  "type": "peer-reviewed",
  "updated_at": "2026-10-30T13:43:25Z",
  "url": "https://research.draconitic.com/paper/09xb3wekhvhjs",
  "venue": "Hematology, Transfusion and Cell Therapy",
  "versions": []
}