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  "abstract": "Introdução: Os anticorpos do sistema Lewis (de ocorrência natural e predominantemente classe IgM) são mais detectáveis em temperatura ambiente ou após tratamento enzimático. Anticorpos anti-Leᵃ podem apresentar baixa reatividade na fase de antiglobulina humana (AGH), dificultando sua detecção em métodos convencionais. A investigação complementar torna-se importante diante de incompatibilidades inesperadas. Objetivo: Relatar um caso de incompatibilidade pré-transfusional detectada durante prova cruzada, em paciente pesquisa de anticorpos irregulares (PAI) negativa, cuja investigação complementar permitiu a identificação de anti-Leᵃ em fase enzimática. Relato de caso: Paciente feminina, 37 anos de idade, tipagem ABO/RhD A Positivo, encaminhada ao serviço de hemoterapia devido a caso de anemia em investigação; foi solicitada a transfusão de uma unidade de concentrado de hemácia. A primeira unidade submetida à prova cruzada foi uma bolsa ABO/RhD O Negativo proveniente de doação direcionada realizada pela irmã da paciente e submetida ao processo de irradiação antes da liberação transfusional. A PAI realizada em gel na fase AGH apresentou resultado negativo. Entretanto, durante a prova cruzada observou-se incompatibilidade. Diante dos resultados observados, foi realizado painel de identificação de anticorpos irregulares em gel AGH, que também apresentou resultado negativo. Posteriormente, foi realizada investigação complementar utilizando painel de hemácias em fase enzimática, no qual foi observada reatividade forte (4+) compatível com presença de anti-Leᵃ. Foi selecionada uma unidade compatível na prova cruzada e a transfusão ocorreu sem intercorrências. Em testes posteriores, a unidade de concentrado de hemácias incompatível apresentou fenótipo Leᵃ positivo e teste de antiglobulina humana (TAD) negativo. Discussão: A paciente apresentou PAI negativa em gel AGH, porém a prova cruzada realizada apresentou incompatibilidade. A discrepância observada entre os testes motivou investigação complementar, incluindo a realização de painel de identificação em gel AGH, também negativo. Somente após realização do painel enzimático foi observada reatividade compatível com presença de anti-Leᵃ. A utilização da fase enzimática foi fundamental para elucidação do caso; enzimas proteolíticas podem potencializar a intensidade das reações em testes imuno-hematológicos - dessa forma, anticorpos não detectados em AGH podem se tornar evidentes após tratamento enzimático. Outro aspecto relevante foi que a unidade inicialmente incompatível apresentar fenótipo Leᵃ positivo, reforçando a associação entre a incompatibilidade observada e a presença do anticorpo identificado. Embora anticorpos do sistema Lewis sejam frequentemente considerados de baixa relevância clínica, por serem pouco associados a reações transfusionais graves, sua presença pode ocasionar incompatibilidades e dificultar a seleção de hemocomponentes, o que torna a realização de testes complementares importante. O caso demonstra a importância da ampliação da investigação imuno-hematológica em situações de incompatibilidade inesperada, especialmente quando os testes convencionais apresentam resultados negativos. Conclusão: O presente relato evidencia a importância da investigação complementar em casos de incompatibilidade em prova cruzada com PAI negativa. A utilização da metodologia enzimática permitiu a identificação de anti-Leᵃ, demonstrando a relevância da associação.",
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    "Instituto Paranaense de Hemoterapia e Hematologia (Hemobanco), Pulsa PR, Curitiba, PR, Brasil"
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