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  "abstract": "A Terra, na sequência da sua formação enquanto Litosfera (durante 16 mil milhões de anos) inicia uma lenta criação da primeira fase da Atmosfera e, posteriormente, da Biosfera (cerca de quatro mil milhões de anos). Enquanto esta decorria, passo a passo, a morte do coberto vegetal não implicava a sua decomposição. As convulsões geológicas posteriores foram sepultando esse mesmo coberto, formando-se, em consequência, gigantescas jazidas, ditas minerais, dos designados “combustíveis fósseis”: o carvão, o petróleo e o gás (este, por sua vez, denominado de natural). No decurso dos últimos 450 milhões de anos, a segunda fase da formação da Biosfera “assistiria” à emergência da “decomposição” pela ação dos líquenes/cogumelos, começando, desse modo, a lenta formação dos espaços de biodiversidade e do húmus (um sistema planetário complexo de sequências derivadas de um ciclo, de vida – morte – vida, que temos designado de “evolução das espécies”). A partir da emergência da Noosfera, inaugurada pelo primeiro hominídeo que andou de pé e libertou a mão para promoção da interação com o cérebro (cerca de sete milhões de anos), a humanidade viveu a partir da “vida” proporcionada pela exploração do húmus, em harmonia com a mãeNatureza. Se reduzíssemos, entretanto, a vida da Terra a um ano civil, para podermos refletir com mais facilidade sobre a vida humana, estaríamos a falar de “uns pares de minutos”. Nos últimos 11 mil anos a Terra viu emergir a Revolução dos Cereais (era essa que designámos de “civilização”, isto é, o início da especialização de funções), iniciando-se a lenta degradação do mesmo húmus. Sucedeu-lhe o processo de desertificação nas regiões que ironicamente ainda hoje chamamos de “crescente fértil”. A produção de máquinas a Vapor (século XVIII), configurou uma nova revolução (designada de industrial, baseada na queima do carvão fóssil), e aconteceu a abundância. Era efetivamente a conjugação da força do Vapor e do conhecimento humano traduzido pela emergência da Organização (com duas tendências contraditórias, a da cooperação e a da destruição criativa “schumpeteriana”). A Revolução quase simultânea da Eletricidade e do Petróleo (finais do sáculo XIX) lançaria a humanidade na disputa entre os dois modelos de organização dominantes (designados, simplisticamente de liberalismo e de socialismo). Entrámos depois, como se não houvesse amanhã, precisamente em 2007 (o ano em que a economia começou a decrescer, segundo Jancovici, 2019), na era do pós-petróleo (a que não será estranha a luta pelo controlo do precioso “ouro negro”, pelo gigante americano). Chegámos, por outro lado, ao limite atual de destruição quase total da vida selvagem (reduzida a 4%), da contaminação dos solos (esta ultrapassou já os 70%), para não falar da poluição da atmosfera (esta está com 60% mais de humidade ou de outros gases com efeito de estufa) e dos mares. Estamos na era do aquecimento global por efeito da ação humana. A humanidade vê-se, entretanto, envolvida numa nova era de dominação por esquemas financeiros de muito difícil compreensão (como explica Alex Kainer nos seus trabalhos de análise financeira), confrontando-se, um pouco às cegas, numa guerra total, entre a dominação global neo-colonialista e a resistência soberanista de alguns povos, sem que se perceba como chegámos a este grau de destruição, em pouco mais de uma geração. Como espetadores, concentrados num estádio desportivo, em que os atores, como novos gladiadores, se guerreiam à morte, nós parecemos esperar passivamente que os problemas do desenvolvimento sustentável se resolvam pela técnica e pela ação dos governos. Em lugar de uma cidadania ativa, temo-nos deixado converter em consumidores de “Pão e Circo”, levados por uma lógica implacável. Mas, a guerra é a sério e ela irá chegar às “bancadas dos espetadores”, diretamente ou através das sequelas Como se desenrolará a fase do pós-petróleo? Essa é a dúvida principal do nosso tempo e à qual se impõe uma resposta. Vejamos se é possível antever uma porta de saída. O equilíbrio do homem e da natureza (comprometido em parte pela desflorestação da revolução dos cereais) foi definitivamente rompido com a revolução industrial, acelerando, entretanto, com o advento da era do petróleo e a ação consumista da nossa geração. Agora, toda a economia está dependente do petróleo, quando ele já ameaça rarear, para além de que o clima não aguenta mais a acelerada transformação de combustíveis fósseis em CO2 (sob a forma de gás na atmosfera). Como cidadãos deparam-se-nos duas opções: continuarmos embalados pelas soluções económicas do globalismo financeiro (potenciado pela “poderosa” IA), que pode ter sofrido um colapso no dia 28/2/2026; assumirmos um corte com a narrativa do império, estando atentos a todos os sinais fracos que antecipam uma nova atitude na produção e no consumo, em apoio dos pioneiros da nova era da biodiversidade e da exigência da transformação das monoculturas industrializadas em experiências agroflorestais (de inspiração local e pouco exigentes em gastos de combustíveis fósseis). Estamos certos de o futuro da vida e da humanidade estão intimamente conectados e que eles dependem de uma nova ordem económica liberta do poder do “petrodólar”, criada, entretanto, a partir da consciência agroecológica dos cidadãos comuns. Nós continuaremos lutando para que as pessoas (de todas as idades) despertem, antes que seja tarde demais.",
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    "University of Lisbon",
    "Atlântica Instituto Universitário",
    "Instituto Superior de Lisboa e Vale do Tejo",
    "Montado do Freixo do Meio"
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      "name": "Luís Barrosa",
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