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  "abstract": "Introdução: A hiperferritinemia, um achado laboratorial frequente na prática clínica, é rotineiramente associada ao excesso de ferro no organismo, ainda que o aumento da ferritina muitas vezes seja causado por condições inflamatórias crônicas, como a síndrome metabólica. Apesar disso, percebe-se inconsistências na coleta e no registro de dados antropométricos e laboratoriais relacionados ao perfil metabólico, o que pode comprometer diretamente a identificação correta da etiologia da hiperferritinemia, uma vez que esta pode estar associada à síndrome metabólica, e, consequentemente a escolha terapêutica. Objetivo: Evidenciar a lacuna na pesquisa de parâmetros antropométricos e metabólicos na investigação da hiperferritinemia e sua relação com a síndrome metabólica. Métodos e Materiais: Trata-se de um estudo observacional e retrospectivo de avaliação de dados antropométricos e metabólicos dos prontuários de pacientes em investigação para hiperferritinemia, no período de 2018 a 2022, no ambulatório de hematologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM). O estudo foi aprovado pelo pelo Comitê de Ética do HC-UFTM sob o protocolo: 66249222.9.0000.8667. Resultados: Inicialmente, foram incluídos 159 pacientes no estudo, entretanto devido a disponibilidade limitada de dados laboratoriais, a amostra elegível para a análise estatística foi reduzida, restando apenas 21 pacientes após a exclusão de prontuários incompletos. Em primeira análise, observou-se que apenas 59,4% dos prontuários continham registros de colesterol total, 68% de LDL, 69,5% de HDL, 73,4% de triglicerídeos, 71,1% de glicemia, 33,6% de hemoglobina glicada (HbA1c) e apenas 13,2% dos prontuários estavam completos. Além disso, os valores de Índice de Massa Corporal e circunferência abdominal não constavam em nenhum prontuário. A HbA1c foi o parâmetro laboratorial que apresentou maior déficit de registro, constando em apenas 43 prontuários, enquanto os triglicerídeos apresentaram o menor déficit, constando em 94 prontuários. Discussão: A hiperferritinemia e a síndrome metabólica são condições que, paralelamente, vêm ganhando notoriedade ao longo dos anos e gerando impactos relevantes na saúde pública. Embora, ambas sejam diagnósticos clínicos distintos, há uma associação fisiopatológica importante que une essas duas condições, pois, nas doenças metabólicas, devido a liberação de citocinas inflamatórias, há o aumento da produção de proteínas de fase aguda, como a ferritina. Apesar disso, o estudo demonstrou incompletude de dados relacionados ao perfil lipídico e à resistência à insulina, o que limita a distinção entre a hiperferritinemia por sobrecarga de ferro e a relacionada à síndrome metabólica. Conclusão: A pesquisa de marcadores laboratoriais que caracterizam essa síndrome metabólica é essencial na avaliação de pacientes com elevados níveis de ferritina, e as lacunas na sua investigação podem resultar em diagnósticos errôneos e até condutas terapêuticas equivocadas nos pacientes com hiperferritinemia.",
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