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  "abstract": "Introdução: A Doença Hemolítica do Feto e do Recém-Nascido (DHFRN) resulta da incompatibilidade entre antígenos eritrocitários maternos e fetais. Nesse cenário, mães Rh- expostas a antígenos eritrocitários não próprios irão desenvolver anticorpos IgG, os quais irão ultrapassar a barreira placentária e promover a hemólise de hemácias fetais Rh+. No Brasil, embora a profilaxia com imunoglobulina anti-D seja recomendada, persistem lacunas, a exemplo da cobertura insuficiente da imunoprofilaxia e da deficiência na vigilância epidemiológica (Júnior et al., 2024). Diante disso, é essencial ampliar o conhecimento sobre a DHFRN no Nordeste. Objetivos: O objetivo deste estudo foi descrever o perfil epidemiológico das internações e dos óbitos por DHFRN na região Nordeste do Brasil entre 2020 e 2025. Material e Métodos: Trata-se de um estudo observacional transversal com delineamento ecológico, baseado na análise retrospectiva de dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). O trabalho incluiu internações hospitalares e óbitos registrados no Nordeste entre 2020 e 2025. As variáveis foram analisadas por estatística descritiva e compreenderam: AIH aprovadas, faixa etária, sexo, óbitos e ano de processamento. Resultados: No período analisado, foram registradas, após exclusão de 20 registros por faixa etária inconsistente à patologia, 4.878 internações por DHFRN em pacientes com idades menores de um ano, sendo 2.463 do gênero masculino e 2.415 do gênero feminino. A distribuição temporal revelou que 2021, 2024 e 2025 foram os anos com maior concentração de internações, representando 57% das internações totais. Dessas internações, verificou-se que 10 casos de DHFRN resultaram em óbitos entre 2020 e 2025. Discussão: Os dados demonstram similaridade quanto aos casos de DHFRN entre gênero masculino e feminino, corroborando o conhecimento de que o mecanismo de incompatibilidade sanguínea não se relaciona ao sexo do feto ou do recém-nascido. O aumento de registros da doença em 2021 corresponde ao período de sobrecarga dos serviços de saúde pela pandemia de COVID-19, o que pode ter influenciado em falhas na condução de consultas de pré-natal, além de carência da administração da imunoglobulina anti-D pós-parto. Já em 2024 e 2025, o crescimento dos casos possivelmente associa-se à melhoria nos protocolos de rastreio, e não necessariamente a um real aumento de incidência. Foram identificadas falhas na notificação referentes à faixa etária de acometimento da DHFRN, situação que compromete a confiabilidade dos dados. Quanto aos óbitos, a baixa taxa de mortalidade encontrada revela a efetividade do tratamento atualmente disponível para a doença. Conclusão: A DHFRN permanece como uma importante causa de internações hospitalares no Nordeste entre 2020 e 2025, embora com taxa reduzida de óbitos, sugerindo efetividade da assistência neonatal. Contudo, ainda existem limitações nas estratégias de prevenção, o que reforça a importância de ações profiláticas e da vigilância em saúde, visando a redução do acometimento da DHFRN. Ademais, as inconsistências presentes nos registros hospitalares avaliados exigem maior atenção, treinamento e padronização dos profissionais de saúde.",
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