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  "abstract": "Introdução: A doença falciforme (DF) é uma hemoglobinopatia hereditária prevalente no Brasil, associada a complicações clínicas graves e redução da qualidade de vida. Apesar de avanços recentes, ainda há carência de políticas públicas direcionadas aos cuidados dessa população, que frequentemente apresenta condições socioeconômicas desfavoráveis. A telemedicina surge para promover a adesão, otimizar o acompanhamento clínico e reduzir a sobrecarga no sistema de saúde, além de representar uma inovação no atendimento hematológico no Brasil. Objetivos: Descrever as características demográficas, clínicas e qualidade de vida dos pacientes acompanhados no modelo híbrido e avaliar a satisfação dos usuários com a teleconsulta. Metodologia: O grupo de teleatendimento foi estruturado em um modelo híbrido, com alternância entre consultas presenciais e teleconsultas em intervalos de até três meses. Foram incluídos os pacientes com acesso aos recursos digitais, com estabilidade clínica e que assinaram o TCLE. Os critérios de exclusão foram a dificuldade técnica para realizar a teleconsulta, a recusa no seguimento online e necessidade de retorno presencial exclusivo. Os dados foram analisados no SPSS via testes Qui-Quadrado/Fisher e Mann-Whitney. A qualidade de vida foi avaliada pelo 12-Item Short-Form Health Survey (SF-12) e a satisfação com a teleconsulta pelo Telemedicine Satisfaction Questionnaire (TSQ). O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição. Resultados: Foram avaliados 119 pacientes, dos quais 42 foram incluídos no modelo híbrido, totalizando 56 teleconsultas entre agosto/2025 e junho/2026. Entre os pacientes do teleatendimento predomina o sexo feminino (57%) e mediana de idade de 32,5 anos. Utilizam regularmente a hidroxiureia (69,0%), não realizam transfusões crônicas e cerca de um terço apresenta osteonecrose avascular (33,3%). Colelitíase, doença renal crônica e osteonecrose foram complicações prevalentes. Os escores médios dos componentes físico (42,7) e mental (48,1) do SF-12 foram abaixo dos valores de referência para a população geral, com maior comprometimento do componente físico. Obtiveram-se 34 respostas ao TSQ com 97,1% de satisfação geral, 96% usariam novamente os serviços, 97,1% consideraram que há economia de tempo no deslocamento ao hospital ou clínica especializada, 91,2% sentiram-se à vontade para se comunicarem com o profissional de saúde e 94,1% afirmaram conseguir conversar facilmente pelo teleatendimento. Discussão: Os pacientes do modelo híbrido apresentaram, em geral, indicadores clínicos favoráveis, porém qualidade de vida abaixo do esperado na população greral, possivelmente devido a elevada frequência das complicações crônicas, como a osteonecrose avascular.A limitação da mobilidade decorrente dessas complicações reforça a importância da teleconsulta como alternativa para ampliar o acesso ao acompanhamento especializado. A elevada satisfação observada evidencia a boa aceitabilidade do modelo entre pessoas com DF. Conclusão: O modelo híbrido mostrou-se viável para pacientes clinicamente estáveis, com elevada satisfação dos usuários. Esses resultados apoiam a utilização da telemedicina como estratégia complementar no seguimento ambulatorial da doença falciforme, desde que empregada em pacientes adequadamente selecionados.",
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