ANÁLISE DO PERFIL DE MEMÓRIA E SENESCÊNCIA LINFOCITÁRIA DE PACIENTES COM DOENÇA FALCIFORME
4 affiliations
- 1LIM/03, Laboratório de Medicina Laboratorial, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), São Paulo, SP, Brasil
- 2NUTERA SP, Fundação Butantan, São Paulo, SP, Brasil
- 3Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), São Paulo, SP, Brasil
- 4Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP); Fundação Pró-Sangue-Hemocentro de São Paulo; Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa, São Paulo, SP, Brasil
Abstract
Células T senescentes (Tsen) são caracterizadas, de forma geral, por menor comprimento telomérico, capacidade proliferativa prejudicada, e alterações fenotípicas, metabólicas e funcionais que atribuem a elas um perfil pró-inflamatório. Em doenças com um perfil inflamatório crônico, como câncer e lúpus eritematoso sistêmico, estudos mostraram uma associação entre maior frequência de células Tsen e desfechos clínicos desfavoráveis. Nesse contexto, a doença falciforme (SCD, sickle cell disease) se destaca por sua natureza inflamatória crônica, decorrente da liberação de DAMPs (damage-associated molecular patterns), ativação endotelial e de células imunes, e episódios de isquemia-reperfusão. Apesar de alguns estudos demonstrarem que pacientes com SCD apresentam células mononucleares do sangue periférico (PBMCs) com menor comprimento telomérico em comparação a indivíduos saudáveis, o perfil de senescência linfocitária nesses indivíduos permanece pouco caracterizado. Por isso, esse estudo avaliou, por citometria de fluxo, a presença de linfócitos T e suas subpopulações de memória, bem como a presença de imunofenótipos associados à senescência no sangue periférico de pacientes com SCD e doadores saudáveis (HD), com idades entre 20 e 60 anos. Foram utilizados os marcadores de superfície CD3, CD4, CD8, CD28, CD57, KLRG1, e a atividade da enzima β-galactosidase associada à senescência (SA-β-Gal, senescence-associated β-galactosidase) para identificar as células Tsen (CD28-CD57+KLRG1+SA-β-Gal+), e os marcadores CD45RA e CD62L para identificação das subpopulações: naïve (CD45RA+CD62L+), memória central (CM, CD45RA-CD62L+), memória efetora (EM, CD45RA-CD62L+), memória efetora re-expressando CD45RA (EMRA, CD45RA+CD62L-). Por fim, os dados de imunofenótipo foram correlacionados com a idade e resultados de hemogramas realizados no dia da coleta das amostras. A análise imunofenotípica dos linfócitos T CD4+ e CD8+ revelou que pacientes SCD (n = 21) e HDs (n = 15) apresentaram frequências semelhantes de células Tsen CD3+CD4+ e Tsen CD3+CD8+. As frequências gerais das subpopulações de memória também foram semelhantes entre os grupos, entretanto apenas os pacientes SCD apresentaram correlações significativas entre idade e frequência de células T CD4+ naïve ( r = -0,6853, p = 0,0006) e CD4+ EM ( r = 0,5791, p = 0,0059), respectivamente negativa e positiva. Além disso, ambos os grupos apresentaram uma correlação positiva entre a frequência de células Tsen CD4+ e idade (SCD: r = 0,6476, p = 0,0107; HD: r = 0,5013, p = 0,0206). Uma correlação positiva foi observada entre a contagem absoluta de leucócitos (WBC, white blood cell) dos pacientes SCD e a frequência de células Tsen CD4+ ( r = 0.5469, p = 0.0249, n = 17), e entre o WBC de pacientes e a frequência de células SA-β-Gal+ dentro de células T CD4+ totais ( r = 0.7082, p = 0.0015), e células T CD4+ naïve ( r = 0,5172, p = 0,0355) e CD4+ EM ( r = 0,7174, p = 0,0017). Em conjunto, os resultados sugerem que a SCD está associada a alterações na dinâmica de células T CD4+ de memória, com redução mais acentuada de células naïve e aumento de células de memória efetora ao longo da idade. Além disso, a maior frequência de células T CD4+ com marcadores de senescência em pacientes com maior contagem de leucócitos sugere uma possível relação entre inflamação e senescência das células T na SCD. FAPESP (2024/08708-7).
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AB - Células T senescentes (Tsen) são caracterizadas, de forma geral, por menor comprimento telomérico, capacidade proliferativa prejudicada, e alterações fenotípicas, metabólicas e funcionais que atribuem a elas um perfil pró-inflamatório. Em doenças com um perfil inflamatório crônico, como câncer e lúpus eritematoso sistêmico, estudos mostraram uma associação entre maior frequência de células Tsen e desfechos clínicos desfavoráveis. Nesse contexto, a doença falciforme (SCD, sickle cell disease) se destaca por sua natureza inflamatória crônica, decorrente da liberação de DAMPs (damage-associated molecular patterns), ativação endotelial e de células imunes, e episódios de isquemia-reperfusão. Apesar de alguns estudos demonstrarem que pacientes com SCD apresentam células mononucleares do sangue periférico (PBMCs) com menor comprimento telomérico em comparação a indivíduos saudáveis, o perfil de senescência linfocitária nesses indivíduos permanece pouco caracterizado. Por isso, esse estudo avaliou, por citometria de fluxo, a presença de linfócitos T e suas subpopulações de memória, bem como a presença de imunofenótipos associados à senescência no sangue periférico de pacientes com SCD e doadores saudáveis (HD), com idades entre 20 e 60 anos. Foram utilizados os marcadores de superfície CD3, CD4, CD8, CD28, CD57, KLRG1, e a atividade da enzima β-galactosidase associada à senescência (SA-β-Gal, senescence-associated β-galactosidase) para identificar as células Tsen (CD28-CD57+KLRG1+SA-β-Gal+), e os marcadores CD45RA e CD62L para identificação das subpopulações: naïve (CD45RA+CD62L+), memória central (CM, CD45RA-CD62L+), memória efetora (EM, CD45RA-CD62L+), memória efetora re-expressando CD45RA (EMRA, CD45RA+CD62L-). Por fim, os dados de imunofenótipo foram correlacionados com a idade e resultados de hemogramas realizados no dia da coleta das amostras. A análise imunofenotípica dos linfócitos T CD4+ e CD8+ revelou que pacientes SCD (n = 21) e HDs (n = 15) apresentaram frequências semelhantes de células Tsen CD3+CD4+ e Tsen CD3+CD8+. As frequências gerais das subpopulações de memória também foram semelhantes entre os grupos, entretanto apenas os pacientes SCD apresentaram correlações significativas entre idade e frequência de células T CD4+ naïve ( r = -0,6853, p = 0,0006) e CD4+ EM ( r = 0,5791, p = 0,0059), respectivamente negativa e positiva. Além disso, ambos os grupos apresentaram uma correlação positiva entre a frequência de células Tsen CD4+ e idade (SCD: r = 0,6476, p = 0,0107; HD: r = 0,5013, p = 0,0206). Uma correlação positiva foi observada entre a contagem absoluta de leucócitos (WBC, white blood cell) dos pacientes SCD e a frequência de células Tsen CD4+ ( r = 0.5469, p = 0.0249, n = 17), e entre o WBC de pacientes e a frequência de células SA-β-Gal+ dentro de células T CD4+ totais ( r = 0.7082, p = 0.0015), e células T CD4+ naïve ( r = 0,5172, p = 0,0355) e CD4+ EM ( r = 0,7174, p = 0,0017). Em conjunto, os resultados sugerem que a SCD está associada a alterações na dinâmica de células T CD4+ de memória, com redução mais acentuada de células naïve e aumento de células de memória efetora ao longo da idade. Além disso, a maior frequência de células T CD4+ com marcadores de senescência em pacientes com maior contagem de leucócitos sugere uma possível relação entre inflamação e senescência das células T na SCD. FAPESP (2024/08708-7).
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -