IMPACTOS PSICOLÓGICOS E NA SAÚDE MENTAL DA DOENÇA FALCIFORME: UMA REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA
- 1Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil
Abstract
Introdução: A doença falciforme é uma condição genética crônica associada a elevada morbimortalidade e importantes repercussões biopsicossociais. Além das manifestações clínicas, especialmente a dor, aspectos emocionais, sociais e culturais influenciam significativamente a qualidade de vida e a saúde mental das pessoas afetadas. Objetivo: Identificar os principais fatores psicossociais relacionados ao impacto psicológico da doença falciforme, destacando fatores de risco e proteção para a saúde mental e o autocuidado. Método: Revisão narrativa da literatura nacional e internacional sobre impactos psicológicos, emocionais e sociais da doença falciforme. Foram analisados estudos relacionados aos aspectos psicológicos, saúde mental, dor, estigma, discriminação, racismo, vulnerabilidades sociais, acesso aos serviços de saúde e estratégias de enfrentamento. Resultados: Os estudos mostram que a doença falciforme produz repercussões que vão além da dimensão biológica, afetando o bem-estar psicológico e social. A dor crônica e recorrente associa-se a ansiedade, depressão, estresse e limitações funcionais. Entre os principais fatores de risco destacam-se racismo estrutural, discriminação, estigma, dificuldades de acesso aos serviços de saúde, vulnerabilidade socioeconômica, insegurança quanto ao futuro, desemprego e isolamento social. Observa-se elevada frequência de sofrimento psíquico, sintomas depressivos e ansiedade. A descrença em relação às queixas de dor por parte de profissionais de saúde também contribui para experiências negativas de cuidado. Como fatores protetivos, destacam-se apoio familiar e social, espiritualidade, religiosidade, participação em associações de pacientes, valores afroculturais e práticas de autocuidado, que favorecem o enfrentamento da doença e a adesão ao tratamento. A revisão permitiu propor um modelo teórico da sobrecarga subjetiva, resultante da interação entre fatores biológicos, psicológicos, sociais e estruturais. Conclusão: A doença falciforme deve ser compreendida de forma integral, considerando seus impactos psicológicos e sociais. Racismo, estigma e barreiras de acesso constituem importantes fatores de risco para a saúde mental, enquanto apoio social, espiritualidade e práticas culturais atuam como fatores protetivos. A inclusão sistemática do cuidado em saúde mental nos serviços especializados é essencial para promover qualidade de vida e atenção integral às pessoas com doença falciforme.
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AU - Eliana Costa XAVIER
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: A doença falciforme é uma condição genética crônica associada a elevada morbimortalidade e importantes repercussões biopsicossociais. Além das manifestações clínicas, especialmente a dor, aspectos emocionais, sociais e culturais influenciam significativamente a qualidade de vida e a saúde mental das pessoas afetadas. Objetivo: Identificar os principais fatores psicossociais relacionados ao impacto psicológico da doença falciforme, destacando fatores de risco e proteção para a saúde mental e o autocuidado. Método: Revisão narrativa da literatura nacional e internacional sobre impactos psicológicos, emocionais e sociais da doença falciforme. Foram analisados estudos relacionados aos aspectos psicológicos, saúde mental, dor, estigma, discriminação, racismo, vulnerabilidades sociais, acesso aos serviços de saúde e estratégias de enfrentamento. Resultados: Os estudos mostram que a doença falciforme produz repercussões que vão além da dimensão biológica, afetando o bem-estar psicológico e social. A dor crônica e recorrente associa-se a ansiedade, depressão, estresse e limitações funcionais. Entre os principais fatores de risco destacam-se racismo estrutural, discriminação, estigma, dificuldades de acesso aos serviços de saúde, vulnerabilidade socioeconômica, insegurança quanto ao futuro, desemprego e isolamento social. Observa-se elevada frequência de sofrimento psíquico, sintomas depressivos e ansiedade. A descrença em relação às queixas de dor por parte de profissionais de saúde também contribui para experiências negativas de cuidado. Como fatores protetivos, destacam-se apoio familiar e social, espiritualidade, religiosidade, participação em associações de pacientes, valores afroculturais e práticas de autocuidado, que favorecem o enfrentamento da doença e a adesão ao tratamento. A revisão permitiu propor um modelo teórico da sobrecarga subjetiva, resultante da interação entre fatores biológicos, psicológicos, sociais e estruturais. Conclusão: A doença falciforme deve ser compreendida de forma integral, considerando seus impactos psicológicos e sociais. Racismo, estigma e barreiras de acesso constituem importantes fatores de risco para a saúde mental, enquanto apoio social, espiritualidade e práticas culturais atuam como fatores protetivos. A inclusão sistemática do cuidado em saúde mental nos serviços especializados é essencial para promover qualidade de vida e atenção integral às pessoas com doença falciforme.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -