PANORAMA DA DOAÇÃO DE SANGUE E DO CADASTRAMENTO DE DOADORES VOLUNTÁRIOS DE MEDULA ÓSSEA NO BRASIL: TENDÊNCIAS E DESAFIOS
- 1Fundação Hemocentro de Brasília, Brasília, DF, Brasil
Abstract
Introdução: A disponibilidade de sangue e de doadores voluntários de medula óssea constitui um componente essencial para a sustentabilidade das políticas públicas de hemoterapia e transplantes. Embora o Brasil apresente avanços na recuperação das coletas de sangue após a pandemia de COVID-19, observa-se preocupação quanto à redução dos novos cadastros de doadores voluntários de medula óssea, cenário que pode comprometer a renovação do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) e a ampliação das possibilidades de compatibilidade para pacientes que necessitam de transplante. Objetivo: Analisar as tendências temporais da doação de sangue e do cadastramento de doadores voluntários de medula óssea no Brasil, identificando diferenças regionais entre os indicadores analisados. Material e métodos: Estudo ecológico, descritivo, de série temporal, desenvolvido a partir de dados secundários disponibilizados pelo Observatório HemoBR, REDOME, DATASUS e HEMOPROD/ANVISA. Foram analisados indicadores referentes às coletas de sangue, perfil dos doadores, triagem clínica, transplantes de medula óssea e cadastramento de novos doadores voluntários, considerando o período de 2010 a 2024, com análise descritiva das tendências temporais e da distribuição regional. Resultados: As coletas de sangue na rede SUS aumentaram de 2.960.034, em 2020, para 3.328.157, em 2024, correspondendo a crescimento de 12,4%, embora permaneçam inferiores ao quantitativo registrado em 2015. Em 2024, o Sudeste concentrou 39,7% das coletas nacionais, enquanto o Centro-Oeste respondeu por 9,5%, evidenciando desigualdades regionais. Predominaram doadores de repetição (46,5%) e doações espontâneas (62,0%). No mesmo período, foram realizados 3.821 transplantes de medula óssea, dos quais 38,6% foram alogênicos. Em contraste, os novos cadastros de doadores voluntários no REDOME apresentaram redução aproximada de 77% entre 2010 e 2024, enquanto o número de pacientes registrados aumentou cerca de 228%. Em 2024, a Região Centro-Oeste respondeu por apenas 9,7% dos novos cadastros nacionais de doadores voluntários de medula óssea, reforçando o cenário de menor participação regional. A coexistência entre a recuperação das coletas de sangue, a manutenção da atividade transplantadora e a redução sustentada dos novos cadastros no REDOME evidencia um descompasso entre a expansão da assistência hemoterápica e a renovação do banco nacional de doadores voluntários de medula óssea. Conclusão: Os resultados evidenciam um cenário de recuperação da doação de sangue no Brasil, porém acompanhado por redução expressiva dos novos cadastros de doadores voluntários de medula óssea, contrastando com o crescimento da demanda potencial por transplantes. As diferenças regionais observadas, especialmente a menor participação relativa do Centro-Oeste, reforçam a necessidade de fortalecer estratégias permanentes de sensibilização, captação e manutenção de doadores voluntários, contribuindo para a renovação do REDOME e para a sustentabilidade da política nacional de transplantes.
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AB - Introdução: A disponibilidade de sangue e de doadores voluntários de medula óssea constitui um componente essencial para a sustentabilidade das políticas públicas de hemoterapia e transplantes. Embora o Brasil apresente avanços na recuperação das coletas de sangue após a pandemia de COVID-19, observa-se preocupação quanto à redução dos novos cadastros de doadores voluntários de medula óssea, cenário que pode comprometer a renovação do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) e a ampliação das possibilidades de compatibilidade para pacientes que necessitam de transplante. Objetivo: Analisar as tendências temporais da doação de sangue e do cadastramento de doadores voluntários de medula óssea no Brasil, identificando diferenças regionais entre os indicadores analisados. Material e métodos: Estudo ecológico, descritivo, de série temporal, desenvolvido a partir de dados secundários disponibilizados pelo Observatório HemoBR, REDOME, DATASUS e HEMOPROD/ANVISA. Foram analisados indicadores referentes às coletas de sangue, perfil dos doadores, triagem clínica, transplantes de medula óssea e cadastramento de novos doadores voluntários, considerando o período de 2010 a 2024, com análise descritiva das tendências temporais e da distribuição regional. Resultados: As coletas de sangue na rede SUS aumentaram de 2.960.034, em 2020, para 3.328.157, em 2024, correspondendo a crescimento de 12,4%, embora permaneçam inferiores ao quantitativo registrado em 2015. Em 2024, o Sudeste concentrou 39,7% das coletas nacionais, enquanto o Centro-Oeste respondeu por 9,5%, evidenciando desigualdades regionais. Predominaram doadores de repetição (46,5%) e doações espontâneas (62,0%). No mesmo período, foram realizados 3.821 transplantes de medula óssea, dos quais 38,6% foram alogênicos. Em contraste, os novos cadastros de doadores voluntários no REDOME apresentaram redução aproximada de 77% entre 2010 e 2024, enquanto o número de pacientes registrados aumentou cerca de 228%. Em 2024, a Região Centro-Oeste respondeu por apenas 9,7% dos novos cadastros nacionais de doadores voluntários de medula óssea, reforçando o cenário de menor participação regional. A coexistência entre a recuperação das coletas de sangue, a manutenção da atividade transplantadora e a redução sustentada dos novos cadastros no REDOME evidencia um descompasso entre a expansão da assistência hemoterápica e a renovação do banco nacional de doadores voluntários de medula óssea. Conclusão: Os resultados evidenciam um cenário de recuperação da doação de sangue no Brasil, porém acompanhado por redução expressiva dos novos cadastros de doadores voluntários de medula óssea, contrastando com o crescimento da demanda potencial por transplantes. As diferenças regionais observadas, especialmente a menor participação relativa do Centro-Oeste, reforçam a necessidade de fortalecer estratégias permanentes de sensibilização, captação e manutenção de doadores voluntários, contribuindo para a renovação do REDOME e para a sustentabilidade da política nacional de transplantes.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -