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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

ESTUDO DESCRITIVO DA TRAJETÓRIA NA LINHA DE CUIDADO EM DOENÇA FALCIFORME DOS PACIENTES ATENDIDOS NO CENTRO DE REFERÊNCIA DE ITABUNA (CERDOFI) E NO PROGRAMA DA DOENÇA FALCIFORME DE ILHÉUS (PRODOFI)

  1. 1Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Ilhéus, BA, Brasil
  2. 2Grupo de Apoio à Criança com Câncer - Sul da Bahia, Itabuna, BA, Brasil

Abstract

Introdução: A evolução clínica da pessoa com doença falciforme é influenciada não apenas pelas características clínicas inerentes à doença, mas também por fatores socioeconômicos, culturais e psicossociais, além da qualidade, oportunidade e continuidade da assistência recebida ao longo da linha de cuidado em saúde. Objetivo: Nesse contexto, este estudo tem como objetivo descrever a linha de cuidado da doença falciforme e de que forma ela se configura na prática para os pacientes atendidos pelo Centro de Referência em Doença Falciforme de Itabuna (CERDOFI) e pelo Programa da Doença Falciforme de Ilhéus (PRODOFI). Método: Realizou-se um estudo transversal e quantitativo através da revisão de prontuários dos pacientes atendidos no CERDOFI e no PRODOFI entre os meses de julho e novembro de 2025 na região Sul da Bahia. Resultado: A amostra foi composta por 87 pacientes na faixa etária de 1 a 58 anos. A maioria apresenta tempo de diagnóstico maior que 5 anos (56,32%). O diagnóstico inicial foi realizado através do teste do pezinho em 70,12% desta população. Destes pacientes 97% realizam atendimento com hematologista nos centros de referência de forma trimestral ou semestral, sendo que 77% também recebem atendimento com equipe multiprofissional, em maior número com psicológos e nutricionistas. Na população atendida pelo CERDOFI e pelo PRODOFI, 82% estão em uso de hidroxiureia. Quanto ao serviço de saúde utilizado, a grande maioria manteve atendimento na Unidade Básica de Saúde e/ou hospital público além do CERDOFI e do PRODOFI. O atendimento de emergência ocorreu em 78% dos pacientes no último ano, tendo como principal causa as crises dolorosas (67,81%). De forma majoritária, os pacientes tiveram um tempo de espera entre 1 e 3 horas (57%), sendo que 18% tiveram uma espera em um período maior que 3 horas. Discussão: A partir dos dados, observou-se que a principal forma de acesso ao cuidado é por meio do sistema público de saúde, tornando o Sistema Único de Saúde (SUS) uma rede de garantia de suporte integral. A análise da amostra demonstra que em torno de 30% não fizeram o teste do pezinho ou não sabem informar. Por ser um estudo transversal abrangendo diversas faixas etárias, não é possível inferir que reflita a cobertura deste teste de triagem. No atendimento ambulatorial especializado há uma continuidade do vínculo importante, representada pelo acompanhamento com equipe multiprofissional e com hematologista de forma regular, mantendo o retorno no período de 3 a 6 meses. Além disso, a grande maioria se encontra em uso de hidroxiureia, essencial para a consolidação do cuidado. Chama atenção, porém, o tempo de espera destes pacientes para terem atendimento pela emergência diante de uma crise de dor, complicação recorrente entre esses pacientes. Conclusão: A linha de cuidado caracteriza-se por ampla utilização da rede pública, elevada adesão ao serviço especializado, acompanhamento multiprofissional e uso da hidroxiureia. Contudo, chama atenção a grande espera para o atendimento de emergência em casos de crise de dor, refletindo a necessidade de aprimorar a qualidade de assistência neste setor.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -