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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

SÍNDROME DE HIPER-HEMÓLISE E CHOQUE SÉPTICO EM PACIENTE COM DOENÇA FALCIFORME EM UM SERVIÇO DE REFERÊNCIA DE HEMATOLOGIA E HEMOTERAPIA NO NORDESTE

  1. 1Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (HEMOPE), Recife, PE, Brasil

Abstract

Introdução/Objetivo: A Síndrome de Hiper-hemólise (SHH) é uma complicação transfusional rara e potencialmente fatal na Doença Falciforme (DF, HbSS). Caracteriza-se pela destruição maciça de hemácias do doador e do receptor, resultando em anemia grave com níveis inferiores aos pré-transfusionais. O manejo é desafiador pelo alto risco de mortalidade com novas transfusões e frequente associação com aloimunização. O objetivo é relatar o manejo intensivo de SHH deflagrada por transfusão, associada a choque séptico pulmonar, em serviço de referência. Relato de caso: Paciente feminina, 19 anos, portadora de DF, politransfundida, foi admitida com crise álgica e anemia (Hb 5,6 g/dL). Foi tratada com analgesia, hidratação e transfusão de concentrado de hemácias fenotipadas, atingindo Hb de 7,2 g/dL. Cerca de cinco dias após, apresentou queda abrupta para Hb 3,9 g/dL. Diante da piora, realizou-se nova transfusão com hemácias aliquotadas, evoluindo imediatamente com hematúria e hemólise grave, configurando SHH. A transfusão foi suspensa e iniciou-se pulsoterapia com Metilprednisolona. Dois dias após, desenvolveu insuficiência respiratória e choque séptico pulmonar, necessitando de intubação e UTI. Classificada como A+, fenótipo E(-), K(-), Jkᵃ(-), N(-) e PAI com Anti-Kell, a reavaliação imuno-hematológica revelou surgimento de anticorpo adicional não identificado, mantendo provas cruzadas incompatíveis. Optou-se por restrição transfusional estrita. Na UTI, recebeu Metilprednisolona, Imunoglobulina, Rituximabe e Eculizumabe, além de suporte com eritropoetina e antibioticoterapia de amplo espectro (Meropenem, Vancomicina e Polimixina B). Evoluiu com estabilização clínica e extubação bem-sucedida. Atualmente, mantém-se sem transfusões por incompatibilidade, hemodinamicamente estável e sem vasoativos, com Hb em torno de 4,0 g/dL em oxigenoterapia suplementar, com Ensaio de Monocamada de Monócitos (MMA) resultado negativo e aguardando genotipagem eritrocitária para decisões terapêuticas futuras relacionadas a transfusão. Discussão: A SHH estabelece um impasse transfusional: a hipóxia tecidual por anemia extrema versus o risco de mortalidade por lise de hemácias transfundidas. Sua fisiopatologia engloba a hemólise bystander, onde a ativação desenfreada do complemento e do sistema monocítico-macrofágico destrói hemácias autólogas e heterólogas, exacerbada pelo aparecimento de novos aloanticorpos não identificados. O manejo imunomodulador multimodal foi determinante: corticoterapia e IVIG no bloqueio do sistema reticuloendotelial; Rituximabe na supressão de linfócitos B para conter novas aloimunizações; e Eculizumabe (anti-C5) no bloqueio do complexo de ataque à membrana (MAC) e da hemólise intravascular. A eritropoetina otimizada resgatou a eritropoiese própria diante do consumo periférico. A sobreposição do choque séptico agravou o estresse metabólico, tornando a antibioticoterapia de amplo espectro vital para a estabilização. Por fim, a genotipagem eritrocitária em conjunto com o ensaio MMA negativo — indicativo de menor reatividade funcional in vitro dos anticorpos — surgem como ferramentas decisivas para desvendar variantes alélicas e orientar a segurança de eventual reexposição transfusional.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -