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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

LACUNA ENTRE A TRIAGEM NEONATAL E O REGISTRO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: MAPEAMENTO DA DOENÇA FALCIFORME E DO TRAÇO FALCIFORME NA COSTA LESTE DE MATO GROSSO DO SUL

  1. 1Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Três Lagoas, MS, Brasil

Abstract

Introdução: A doença falciforme (DF) é a condição hereditária mais frequente no Brasil e a linha de cuidado atribui à atenção primária o seguimento e a incorporação dos casos da triagem neonatal (TN). O Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica registra atendimentos por código diagnóstico, município e competência, o que permite mapear o registro do serviço. Não há descrição desse registro na macrorregião Costa Leste de Mato Grosso do Sul (MS). Objetivos: Mapear o registro de doença e de traço falciforme na atenção primária dos 13 municípios da Costa Leste de MS entre 2021 e 2025, compará-lo ao do estado, verificar se o excesso se sustenta após padronização pela produção assistencial e descrever o perfil etário. Métodos: Estudo ecológico com dados públicos agregados de competências mensais de 2021 a 2025, nos 79 municípios de MS. Doença: cinco códigos D57 de transtorno falciforme, mais B78 de atenção primária. Traço: D57.3. Dois denominadores concorrentes: população residente e atendimentos individuais registrados, em modelos de Poisson, com o logaritmo de cada denominador como offset e erro padrão robusto. Uma segunda extração, em recortes por sexo e faixa etária, permitiu avaliar o perfil demográfico. Os atendimentos registrados de traço foram comparados aos esperados com base na incidência da TN de MS. Resultados: Foram 270 atendimentos por DF e 30 por traço em 374.433 habitantes da Costa Leste, com taxa de 14,4 por 100 mil hab./ano, a maior entre as quatro macrorregiões (demais: 10,3; 9,8; 6,2). A razão de taxas foi de 1,48 (1,15‒1,91; p=0,003) com denominador populacional e de 1,14 (0,90‒1,45; p=0,285) com denominador de atendimentos individuais. A região apresenta 2,45 atendimentos individuais por habitante e por ano, em todos os motivos, contra 1,13 a 2,07 nas demais regiões. Três Lagoas concentrou 50% dos atendimentos e cobriu 10,6 dos 12 meses do ano, contra, no máximo, 3,9 nos demais. Houve 30 registros de traço, frente a 7.201 portadores, com incidência projetada de 1:52, em uma coorte estadual de 288.753 recém-nascidos (no máximo 0,42% dos portadores), com sete dos 13 municípios em zero. Entre 0 e 15 anos, a razão entre mulheres e homens foi de 0,93, subindo para 2,10 dos 16 aos 29 e para 3,48 dos 30 em diante, e, no traço, para 5,70. A proporção de atendimentos em crise variou entre as três faixas etárias (16,6%, 27,2% e 23,1%; p=0,009), com pico na transição para o cuidado adulto. Discussão: O excesso aparente de atendimentos na região não se sustenta ao substituir o denominador populacional pelo de produção, o que indica a intensidade de registro, e não a carga da DF. A paridade entre sexos na infância, prevista pela herança, mostra que a assimetria adulta reflete maior procura do serviço por mulheres e implica sub-registro de adultos do sexo masculino. A quase ausência de registro do traço interrompe o aconselhamento genético. A concentração em um município e a descontinuidade nos demais indicam um contato eventual. Destacam-se como limitações: a fonte mede atendimentos, não pessoas; não estima prevalência; não traz identificador; e o volume regional não sustenta a estratificação por município. Conclusão: O registro regional só parece elevado porque a região realiza mais atendimentos. Ajustado, não difere do estado. O traço falciforme é praticamente invisível ao serviço e o seguimento é descontínuo. A padronização dupla deveria ser exigida nos mapeamentos de doenças raras com base em dados administrativos.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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