AVALIAÇÃO HEMOTERÁPICA DAS SOLICITAÇÕES DE RESERVA DE HEMOCOMPONENTES PARA PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS: UMA ESTRATÉGIA DE PATIENT BLOOD MANAGEMENT
- 1Fundação Pró-Sangue, Hemocentro de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
Abstract
Introdução: A solicitação pré-operatória de hemocomponentes representa uma estimativa de risco hemorrágico baseada no procedimento cirúrgico e nas características clínicas do paciente. Entretanto, solicitações superestimadas podem gerar utilização inadequada de recursos, sobrecarga operacional e risco de descarte, enquanto reservas insuficientes podem comprometer a segurança transfusional. A atuação da Agência Transfusional como elo entre a equipe assistencial e a disponibilidade de hemocomponentes permite uma abordagem individualizada baseada em gerenciamento de risco. Objetivos: Analisar a adequação das solicitações de reserva de hemocomponentes em procedimentos cirúrgicos após avaliação hemoterápica e identificar oportunidades de otimização, educação médica e implementação de estratégias de Patient Blood Management (PBM). Métodos: Estudo retrospectivo observacional com dados preliminares dos três primeiros meses de um projeto de 12 meses. Foram analisados procedimentos cirúrgicos com solicitação prévia de reserva de hemocomponentes em um hospital terciário de alta complexidade. A adequação das solicitações de concentrado de hemácias (CH), plasma fresco congelado (PFC) e concentrado de plaquetas (CP) foram avaliadas com base no procedimento cirúrgico e análise laboratorial prévia dos pacientes. Resultados: Entre maio e julho de 2026 foram avaliados 1.721 procedimentos cirúrgicos com solicitação pré-operatória de hemocomponentes. A avaliação realizada pela Agência Transfusional resultou na redução de 1.583 solicitações de concentrado de hemácias (CH), 712 de plasma fresco congelado (PFC) e 725 de concentrado de plaquetas (CP), com ampliação da reserva em apenas 11, 2 e 1 solicitações, respectivamente. Essa estratégia evitou o preparo de 4.913 unidades de CH, 3.798 de PFC e 3.853 de CP. Foram solicitadas 6.001 unidades de CH, 3.891 de PFC e 3.893 de CP, sendo efetivamente preparadas 1.088, 93 e 40 unidades e transfundidas 493, 87 e 34 unidades, respectivamente. Assim, para cada unidade transfundida, foram solicitadas 12,2 unidades de CH, 44,7 de PFC e 114,5 de CP. No período, 1.348 (78,3%) procedimentos não necessitaram de transfusão. Seis pacientes receberam transfusão de CH em caráter emergencial por ausência de preparo prévio, nenhum deles foi submetido a procedimento classificado como de alto risco hemorrágico. Discussão: Os achados demonstram importante superestimação das reservas pré-operatórias de hemocomponentes, especialmente de concentrado de hemácias, evidenciada pela elevada frequência de redução das solicitações e pela discrepância entre unidades solicitadas e efetivamente transfundidas. A atuação da Agência Transfusional permitiu racionalizar o preparo de hemocomponentes sem comprometimento aparente da segurança transfusional, uma vez que os poucos atendimentos emergenciais ocorreram fora dos procedimentos de maior risco hemorrágico e não resultaram em eventos adversos. Esses resultados reforçam o potencial da avaliação hemoterápica como estratégia para otimizar recursos e fortalecer a implementação do PBM. Conclusão: A avaliação técnica realizada pela Agência Transfusional desempenha papel relevante na gestão de risco transfusional, equilibrando segurança assistencial e utilização racional de recursos. Os dados identificam oportunidades para revisão de protocolos institucionais, desenvolvimento de critérios baseados em evidências e educação continuada das equipes solicitantes, fortalecendo a implementação do PBM.
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BibTeX
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RIS
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AB - Introdução: A solicitação pré-operatória de hemocomponentes representa uma estimativa de risco hemorrágico baseada no procedimento cirúrgico e nas características clínicas do paciente. Entretanto, solicitações superestimadas podem gerar utilização inadequada de recursos, sobrecarga operacional e risco de descarte, enquanto reservas insuficientes podem comprometer a segurança transfusional. A atuação da Agência Transfusional como elo entre a equipe assistencial e a disponibilidade de hemocomponentes permite uma abordagem individualizada baseada em gerenciamento de risco. Objetivos: Analisar a adequação das solicitações de reserva de hemocomponentes em procedimentos cirúrgicos após avaliação hemoterápica e identificar oportunidades de otimização, educação médica e implementação de estratégias de Patient Blood Management (PBM). Métodos: Estudo retrospectivo observacional com dados preliminares dos três primeiros meses de um projeto de 12 meses. Foram analisados procedimentos cirúrgicos com solicitação prévia de reserva de hemocomponentes em um hospital terciário de alta complexidade. A adequação das solicitações de concentrado de hemácias (CH), plasma fresco congelado (PFC) e concentrado de plaquetas (CP) foram avaliadas com base no procedimento cirúrgico e análise laboratorial prévia dos pacientes. Resultados: Entre maio e julho de 2026 foram avaliados 1.721 procedimentos cirúrgicos com solicitação pré-operatória de hemocomponentes. A avaliação realizada pela Agência Transfusional resultou na redução de 1.583 solicitações de concentrado de hemácias (CH), 712 de plasma fresco congelado (PFC) e 725 de concentrado de plaquetas (CP), com ampliação da reserva em apenas 11, 2 e 1 solicitações, respectivamente. Essa estratégia evitou o preparo de 4.913 unidades de CH, 3.798 de PFC e 3.853 de CP. Foram solicitadas 6.001 unidades de CH, 3.891 de PFC e 3.893 de CP, sendo efetivamente preparadas 1.088, 93 e 40 unidades e transfundidas 493, 87 e 34 unidades, respectivamente. Assim, para cada unidade transfundida, foram solicitadas 12,2 unidades de CH, 44,7 de PFC e 114,5 de CP. No período, 1.348 (78,3%) procedimentos não necessitaram de transfusão. Seis pacientes receberam transfusão de CH em caráter emergencial por ausência de preparo prévio, nenhum deles foi submetido a procedimento classificado como de alto risco hemorrágico. Discussão: Os achados demonstram importante superestimação das reservas pré-operatórias de hemocomponentes, especialmente de concentrado de hemácias, evidenciada pela elevada frequência de redução das solicitações e pela discrepância entre unidades solicitadas e efetivamente transfundidas. A atuação da Agência Transfusional permitiu racionalizar o preparo de hemocomponentes sem comprometimento aparente da segurança transfusional, uma vez que os poucos atendimentos emergenciais ocorreram fora dos procedimentos de maior risco hemorrágico e não resultaram em eventos adversos. Esses resultados reforçam o potencial da avaliação hemoterápica como estratégia para otimizar recursos e fortalecer a implementação do PBM. Conclusão: A avaliação técnica realizada pela Agência Transfusional desempenha papel relevante na gestão de risco transfusional, equilibrando segurança assistencial e utilização racional de recursos. Os dados identificam oportunidades para revisão de protocolos institucionais, desenvolvimento de critérios baseados em evidências e educação continuada das equipes solicitantes, fortalecendo a implementação do PBM.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -