SIMULAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS COMO FERRAMENTA DE APRENDIZADO ATIVO EM HEMOTERAPIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE MONITORIA ACADÊMICA
- 1Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Abstract
Introdução: O ensino de hemoterapia demanda a integração entre conhecimento técnico e raciocínio clínico, exigindo dos estudantes segurança para a tomada de decisão em situações de triagem de doadores e de indicação transfusional. Metodologias ativas, como simulação de casos clínicos e role-playing, favorecem essa integração, mas ainda são pouco exploradas na disciplina de Hematologia e Hemoterapia. Objetivos: Relatar a experiência de monitoria acadêmica na disciplina de Hematologia e Hemoterapia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), descrevendo a aplicação de simulações de casos clínicos para a consolidação de conteúdos sobre doação e indicação transfusional e o desenvolvimento do raciocínio clínico. Materias e métodos: Trata-se de relato de experiências desenvolvidas durante uma aula prática de Hematologia e Hemoterapia, com a turma dividida em grupos. Após uma aula teórica com abordagem dos critérios de doação, das contraindicações, das indicações transfusionais, dos componentes sanguíneos, dos preparos (como filtração e desleucotização) e das reações adversas, monitores e professores conduziram dois cenários simulados. Primeiro cenário: triagem de doador, com o monitor representando candidatos de diferentes perfis de risco, cabendo aos alunos entrevistar e decidir sobre a aptidão. Segundo cenário: indicação transfusional, com o monitor representando um paciente com caso clínico definido, cabendo aos alunos avaliar se havia ou não indicação de transfusão e, quando indicada, prescrever o componente adequado, justificar a escolha, calcular o volume do hemocomponente ou hemoderivado a ser transfundido e planejar o monitoramento. Os professores questionavam a fundamentação clínica das decisões. O apoio financeiro para esta experiência não foi necessário. Resultados: Observou-se elevado engajamento discente em ambos os cenários. Inicialmente, os alunos apresentaram insegurança ao diferenciar contraindicações absolutas de relativas e ao calcular o volume transfusional. Após discussão dirigida, notou-se melhora expressiva na precisão das decisões. Surgiram dúvidas relevantes sobre desleucotização em contextos pediátricos e em casos de hemólise, prontamente esclarecidas. O feedback qualitativo positivo da percepção da experiência fornecida pelos alunos e monitores, indicou maior confiança para realização dessa metodologia pedagógica na disciplina. Discussão: A eficácia da metodologia relaciona-se à articulação entre teoria prévia, tomada de decisão simulada e feedback imediato, pilares da aprendizagem ativa. O role-playing reproduziu a incerteza da prática clínica, estimulando o pensamento crítico. Limitações incluem o número reduzido de participantes e a variabilidade na condução entre docentes. A estratégia é replicável em residência médica e educação continuada em hemoterapia. Conclusão: A simulação de casos clínicos mostrou-se uma ferramenta eficaz para consolidar o aprendizado em hemoterapia, promovendo maior segurança diagnóstica e confiança clínica. Estudos futuros poderão ser desenvolvidos com o intuito de mensurar, de forma objetiva, o impacto dessa metodologia pedagógica no desempenho dos alunos.
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AU - Ana Clara Pace TORRES
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AU - Vitor Ribeiro Gomes de Almeida VALVIESSE
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.107338
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AB - Introdução: O ensino de hemoterapia demanda a integração entre conhecimento técnico e raciocínio clínico, exigindo dos estudantes segurança para a tomada de decisão em situações de triagem de doadores e de indicação transfusional. Metodologias ativas, como simulação de casos clínicos e role-playing, favorecem essa integração, mas ainda são pouco exploradas na disciplina de Hematologia e Hemoterapia. Objetivos: Relatar a experiência de monitoria acadêmica na disciplina de Hematologia e Hemoterapia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), descrevendo a aplicação de simulações de casos clínicos para a consolidação de conteúdos sobre doação e indicação transfusional e o desenvolvimento do raciocínio clínico. Materias e métodos: Trata-se de relato de experiências desenvolvidas durante uma aula prática de Hematologia e Hemoterapia, com a turma dividida em grupos. Após uma aula teórica com abordagem dos critérios de doação, das contraindicações, das indicações transfusionais, dos componentes sanguíneos, dos preparos (como filtração e desleucotização) e das reações adversas, monitores e professores conduziram dois cenários simulados. Primeiro cenário: triagem de doador, com o monitor representando candidatos de diferentes perfis de risco, cabendo aos alunos entrevistar e decidir sobre a aptidão. Segundo cenário: indicação transfusional, com o monitor representando um paciente com caso clínico definido, cabendo aos alunos avaliar se havia ou não indicação de transfusão e, quando indicada, prescrever o componente adequado, justificar a escolha, calcular o volume do hemocomponente ou hemoderivado a ser transfundido e planejar o monitoramento. Os professores questionavam a fundamentação clínica das decisões. O apoio financeiro para esta experiência não foi necessário. Resultados: Observou-se elevado engajamento discente em ambos os cenários. Inicialmente, os alunos apresentaram insegurança ao diferenciar contraindicações absolutas de relativas e ao calcular o volume transfusional. Após discussão dirigida, notou-se melhora expressiva na precisão das decisões. Surgiram dúvidas relevantes sobre desleucotização em contextos pediátricos e em casos de hemólise, prontamente esclarecidas. O feedback qualitativo positivo da percepção da experiência fornecida pelos alunos e monitores, indicou maior confiança para realização dessa metodologia pedagógica na disciplina. Discussão: A eficácia da metodologia relaciona-se à articulação entre teoria prévia, tomada de decisão simulada e feedback imediato, pilares da aprendizagem ativa. O role-playing reproduziu a incerteza da prática clínica, estimulando o pensamento crítico. Limitações incluem o número reduzido de participantes e a variabilidade na condução entre docentes. A estratégia é replicável em residência médica e educação continuada em hemoterapia. Conclusão: A simulação de casos clínicos mostrou-se uma ferramenta eficaz para consolidar o aprendizado em hemoterapia, promovendo maior segurança diagnóstica e confiança clínica. Estudos futuros poderão ser desenvolvidos com o intuito de mensurar, de forma objetiva, o impacto dessa metodologia pedagógica no desempenho dos alunos.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -