ANÁLISE PRELIMINAR DE SOBREVIDA E DESFECHOS CLÍNICOS EM LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA PEDIÁTRICA: UMA EXPERIÊNCIA MULTICÊNTRICA
5 affiliations
- 1Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
- 2Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
- 3Hospital Federal da Lagoa, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
- 4Hospital Universitário dos Servidores do Estado, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
- 5Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Abstract
Introdução: A leucemia mieloide aguda (LMA) representa aproximadamente 15–20% das leucemias agudas da infância e permanece associada a elevada morbimortalidade, apesar dos avanços no tratamento e nos cuidados de suporte. Nas últimas décadas, grupos internacionais demonstraram melhora significativa da sobrevida global (SG), principalmente em decorrência da redução da mortalidade relacionada ao tratamento. Entretanto, os dados brasileiros ainda são escassos e mostram resultados inferiores aos observados em protocolos internacionais. Objetivo: Avaliar a SG, a sobrevida livre de eventos (SLE), a mortalidade precoce e os fatores prognósticos de crianças e adolescentes com LMA tratados no Rio de Janeiro. Metodologia: Estudo observacional retrospectivo de uma coorte de pacientes com idade < 18 anos diagnosticados com LMA entre 2010 e 2023 em cinco instituições públicas do estado do Rio de Janeiro. Os desfechos avaliados foram remissão completa (RC), recaída, mortalidade precoce, mortalidade em RC, SG e SLE. As curvas de sobrevida foram estimadas pelo método de Kaplan-Meier e comparadas pelo teste de log-rank. Os fatores prognósticos foram avaliados por regressão de Cox. Resultados: Foram incluídos 121 pacientes, com mediana de idade de 7,9 anos (1 mês–16 anos), sendo 74 (61,2%) do sexo masculino. A classificação de risco foi realizada de acordo com o protocolo de tratamento e os pacientes foram estratificados em baixo risco (28,9%), risco intermediário (20,7%) e alto risco (50,4%). A RC após a primeira indução foi obtida em 69 (70,4%) pacientes e, após a segunda indução, em 84 (91,3%). Ocorreram 28 (23,1%) mortes precoces (< 42 dias) e 10 (8,2%) óbitos em RC. A taxa de recaída foi de 28,1%. Dezoito pacientes (14,9%) realizaram transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH), sendo 10 (8,3%) em primeira remissão e 8 (6,6%) por doença refratária ou recaída. A SG estimada em cinco anos foi de 41,2% (variando de 29,4% a 76% entre as instituições) e a SLE foi de 36,8% (27,5% a 59,3%). Não foram identificados fatores prognósticos independentes para SG ou SLE entre idade, sexo, grupo de risco e leucocitose ao diagnóstico. Discussão: A SG e a SLE observadas nesta coorte foram substancialmente inferiores às relatadas por grandes grupos cooperativos internacionais, que atualmente alcançam SG entre 65% e 75% na LMA pediátrica. Esse desfecho desfavorável foi fortemente influenciado pelas elevadas taxas de mortalidade precoce (23,1%) e de óbito em remissão completa (8,2%). Esses índices alinham-se ao panorama histórico de LMA pediátrica reportado em estudos nacionais, onde a sobrevida global tipicamente oscila entre 35% e 50%, e a mortalidade relacionada à toxicidade do tratamento frequentemente supera os 15-20%. Conclusão: Nossos achados reiteram que o maior gargalo para a cura da LMA pediátrica no cenário nacional não reside no controle da refratariedade tumoral, mas na urgência de mitigar a toxicidade letal do tratamento. Nesse sentido, iniciativas nacionais prospectivas, como o protocolo GELMAI LMA 2021, propõem justamente estratégias de indução com menor intensidade de quimioterapia para minimizar a aplasia profunda inicial e reduzir a mortalidade precoce sem comprometer as taxas de remissão. A transição para esses protocolos menos tóxicos, aliada a melhorias do suporte clínico nos centros do Rio de Janeiro, é fundamental para finalmente aproximar nossos resultados dos padrões internacionais.
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AB - Introdução: A leucemia mieloide aguda (LMA) representa aproximadamente 15–20% das leucemias agudas da infância e permanece associada a elevada morbimortalidade, apesar dos avanços no tratamento e nos cuidados de suporte. Nas últimas décadas, grupos internacionais demonstraram melhora significativa da sobrevida global (SG), principalmente em decorrência da redução da mortalidade relacionada ao tratamento. Entretanto, os dados brasileiros ainda são escassos e mostram resultados inferiores aos observados em protocolos internacionais. Objetivo: Avaliar a SG, a sobrevida livre de eventos (SLE), a mortalidade precoce e os fatores prognósticos de crianças e adolescentes com LMA tratados no Rio de Janeiro. Metodologia: Estudo observacional retrospectivo de uma coorte de pacientes com idade < 18 anos diagnosticados com LMA entre 2010 e 2023 em cinco instituições públicas do estado do Rio de Janeiro. Os desfechos avaliados foram remissão completa (RC), recaída, mortalidade precoce, mortalidade em RC, SG e SLE. As curvas de sobrevida foram estimadas pelo método de Kaplan-Meier e comparadas pelo teste de log-rank. Os fatores prognósticos foram avaliados por regressão de Cox. Resultados: Foram incluídos 121 pacientes, com mediana de idade de 7,9 anos (1 mês–16 anos), sendo 74 (61,2%) do sexo masculino. A classificação de risco foi realizada de acordo com o protocolo de tratamento e os pacientes foram estratificados em baixo risco (28,9%), risco intermediário (20,7%) e alto risco (50,4%). A RC após a primeira indução foi obtida em 69 (70,4%) pacientes e, após a segunda indução, em 84 (91,3%). Ocorreram 28 (23,1%) mortes precoces (< 42 dias) e 10 (8,2%) óbitos em RC. A taxa de recaída foi de 28,1%. Dezoito pacientes (14,9%) realizaram transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH), sendo 10 (8,3%) em primeira remissão e 8 (6,6%) por doença refratária ou recaída. A SG estimada em cinco anos foi de 41,2% (variando de 29,4% a 76% entre as instituições) e a SLE foi de 36,8% (27,5% a 59,3%). Não foram identificados fatores prognósticos independentes para SG ou SLE entre idade, sexo, grupo de risco e leucocitose ao diagnóstico. Discussão: A SG e a SLE observadas nesta coorte foram substancialmente inferiores às relatadas por grandes grupos cooperativos internacionais, que atualmente alcançam SG entre 65% e 75% na LMA pediátrica. Esse desfecho desfavorável foi fortemente influenciado pelas elevadas taxas de mortalidade precoce (23,1%) e de óbito em remissão completa (8,2%). Esses índices alinham-se ao panorama histórico de LMA pediátrica reportado em estudos nacionais, onde a sobrevida global tipicamente oscila entre 35% e 50%, e a mortalidade relacionada à toxicidade do tratamento frequentemente supera os 15-20%. Conclusão: Nossos achados reiteram que o maior gargalo para a cura da LMA pediátrica no cenário nacional não reside no controle da refratariedade tumoral, mas na urgência de mitigar a toxicidade letal do tratamento. Nesse sentido, iniciativas nacionais prospectivas, como o protocolo GELMAI LMA 2021, propõem justamente estratégias de indução com menor intensidade de quimioterapia para minimizar a aplasia profunda inicial e reduzir a mortalidade precoce sem comprometer as taxas de remissão. A transição para esses protocolos menos tóxicos, aliada a melhorias do suporte clínico nos centros do Rio de Janeiro, é fundamental para finalmente aproximar nossos resultados dos padrões internacionais.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
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