SUBNOTIFICAÇÃO EM SISTEMAS DE INFORMAÇÃO HEMOTERÁPICA E RISCOS PARA: SEGURANÇA TRANSFUSIONAL, GESTÃO DA HEMORREDE E ATUAÇÃO DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA EM RONDÔNIA, BRASIL (2022–2025)
- 1Agência Estadual de Vigilância em Saúde (AGEVISA), Porto Velho, RO, Brasil
- 2Independente, Porto Velho, RO, Brasil
Abstract
Introdução: Registros incompletos ou subnotificação comprometem a rastreabilidade dos hemocomponentes e a identificação oportuna de eventos adversos, podendo distorcer a avaliação da segurança transfusional e do desempenho dos serviços. Nesse contexto, os sistemas de informação em hemoterapia são fundamentais para a hemovigilância, por permitirem o acompanhamento das etapas do ciclo do sangue. Objetivo: Discutir os impactos da subnotificação nos sistemas de informação sobre a hemovigilância e analisar indicadores da produção hemoterápica de Rondônia entre os anos de 2022 e 2025, considerando suas implicações para a gestão da hemorrede e para as ações de controle e monitoramento da Vigilância Sanitária. Material e métodos: Estudo observacional, descritivo e retrospectivo, de abordagem quantitativa, baseado em dados secundários da Produção Hemoterápica Brasileira (Hemoprod), referentes a Rondônia. Foram analisados indicadores de triagem clínica e laboratorial de doadores, produção e distribuição de hemocomponentes, perdas por descarte, bolsas reagentes e notificações de reações transfusionais. Para análise temporal, foram considerados os dados de 2022 a 2024. As informações de 2025 disponíveis no sistema abrangem apenas janeiro, fevereiro, março e outubro, sendo tratadas como série parcial, sem comparação direta com anos completos. Resultados: Em 2024, foram registrados 39.441 candidatos à doação, dos quais 33.120 foram considerados aptos e 6.321 inaptos, principalmente por anemia e comportamentos de risco. Foram realizadas 34.025 triagens sorológicas (39.441 candidatos), frente a 30.495 (38.691 candidatos) em 2022, representando uma ampliação de aproximadamente 9,5% na cobertura relativa. A produção de hemocomponentes aumentou de 69.540 unidades, em 2022, para 76.261, em 2024. As perdas permaneceram elevadas, sendo 26.226 em 2022, 25.868 unidades em 2023 passando a 26.822 em 2024. As perdas por vencimento aumentaram de 3 5.163 em 2023 para 7.787 unidades em 2024, sugerindo fragilidades na gestão de estoques. As notificações de reações transfusionais foram 113 em 2022, 68 em 2023 e 89 em 2024. A redução dos registros, apesar do aumento da produção, pode indicar subnotificação ou inconsistências na informação. Os dados de 2025 são parciais e não permitem avaliação adequada da tendência. Discussão: O crescimento da produção não foi acompanhado por redução proporcional das perdas, especialmente por vencimento, indicando necessidade de aprimorar a gestão de estoques, a redistribuição de componentes e a aplicação do princípio PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai). A oscilação das notificações, sem correspondência com o aumento da produção e distribuição, reforça a possibilidade de subnotificação. Essa fragilidade reduz a sensibilidade da hemovigilância, limita a identificação de riscos assistenciais e compromete resposta oportuna da Vigilância Sanitária. Entre as limitações, destacam-se o uso de dados secundários e a dependência da qualidade dos registros realizados pelos serviços. Conclusão: Os indicadores evidenciam aumento da produção hemoterápica, manutenção de perdas relevantes e oscilações nas notificações de reações transfusionais. Recomenda-se fortalecer a cultura da notificação, qualificar os sistemas de informação referente a hemorrede, realizar auditorias periódicas da qualidade dos dados, capacitar as equipes e monitorar sistematicamente os indicadores, subsidiando ações de Vigilância Sanitária orientadas por evidências.
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AB - Introdução: Registros incompletos ou subnotificação comprometem a rastreabilidade dos hemocomponentes e a identificação oportuna de eventos adversos, podendo distorcer a avaliação da segurança transfusional e do desempenho dos serviços. Nesse contexto, os sistemas de informação em hemoterapia são fundamentais para a hemovigilância, por permitirem o acompanhamento das etapas do ciclo do sangue. Objetivo: Discutir os impactos da subnotificação nos sistemas de informação sobre a hemovigilância e analisar indicadores da produção hemoterápica de Rondônia entre os anos de 2022 e 2025, considerando suas implicações para a gestão da hemorrede e para as ações de controle e monitoramento da Vigilância Sanitária. Material e métodos: Estudo observacional, descritivo e retrospectivo, de abordagem quantitativa, baseado em dados secundários da Produção Hemoterápica Brasileira (Hemoprod), referentes a Rondônia. Foram analisados indicadores de triagem clínica e laboratorial de doadores, produção e distribuição de hemocomponentes, perdas por descarte, bolsas reagentes e notificações de reações transfusionais. Para análise temporal, foram considerados os dados de 2022 a 2024. As informações de 2025 disponíveis no sistema abrangem apenas janeiro, fevereiro, março e outubro, sendo tratadas como série parcial, sem comparação direta com anos completos. Resultados: Em 2024, foram registrados 39.441 candidatos à doação, dos quais 33.120 foram considerados aptos e 6.321 inaptos, principalmente por anemia e comportamentos de risco. Foram realizadas 34.025 triagens sorológicas (39.441 candidatos), frente a 30.495 (38.691 candidatos) em 2022, representando uma ampliação de aproximadamente 9,5% na cobertura relativa. A produção de hemocomponentes aumentou de 69.540 unidades, em 2022, para 76.261, em 2024. As perdas permaneceram elevadas, sendo 26.226 em 2022, 25.868 unidades em 2023 passando a 26.822 em 2024. As perdas por vencimento aumentaram de 3 5.163 em 2023 para 7.787 unidades em 2024, sugerindo fragilidades na gestão de estoques. As notificações de reações transfusionais foram 113 em 2022, 68 em 2023 e 89 em 2024. A redução dos registros, apesar do aumento da produção, pode indicar subnotificação ou inconsistências na informação. Os dados de 2025 são parciais e não permitem avaliação adequada da tendência. Discussão: O crescimento da produção não foi acompanhado por redução proporcional das perdas, especialmente por vencimento, indicando necessidade de aprimorar a gestão de estoques, a redistribuição de componentes e a aplicação do princípio PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai). A oscilação das notificações, sem correspondência com o aumento da produção e distribuição, reforça a possibilidade de subnotificação. Essa fragilidade reduz a sensibilidade da hemovigilância, limita a identificação de riscos assistenciais e compromete resposta oportuna da Vigilância Sanitária. Entre as limitações, destacam-se o uso de dados secundários e a dependência da qualidade dos registros realizados pelos serviços. Conclusão: Os indicadores evidenciam aumento da produção hemoterápica, manutenção de perdas relevantes e oscilações nas notificações de reações transfusionais. Recomenda-se fortalecer a cultura da notificação, qualificar os sistemas de informação referente a hemorrede, realizar auditorias periódicas da qualidade dos dados, capacitar as equipes e monitorar sistematicamente os indicadores, subsidiando ações de Vigilância Sanitária orientadas por evidências.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -