O PAPEL DO ENFERMEIRO TRIAGISTA NA FORMAÇÃO DE UM BANCO DE DOADORES FENOTIPADOS: ESTRATÉGIA PARA A SEGURANÇA TRANSFUSIONAL E QUALIFICAÇÃO DA ASSISTÊNCIA HEMOTERÁPICA
- 1Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, MT-Hemocentro, Cuiabá, MT, Brasil
Abstract
Introdução: A fenotipagem eritrocitária de doadores de sangue constitui estratégia fundamental para qualificar a terapia transfusional, permitindo a identificação de antígenos além dos sistemas ABO/RhD e a seleção de hemocomponentes compatíveis para pacientes com aloanticorpos ou maior risco de aloimunização. No MT-Hemocentro, o Laboratório de Imuno-hematologia mantém um programa de doadores fenotipados que subsidia o atendimento de pacientes politransfundidos, especialmente aqueles com doença falciforme, talassemias, aplasia de medula e outras condições que demandam transfusões frequentes. Nesse contexto, o enfermeiro triagista desempenha papel estratégico na gestão do cuidado ao identificar potenciais doadores para fenotipagem, promover educação em saúde e incentivar a fidelização, contribuindo para a formação e manutenção de um banco de doadores fenotipados essencial à segurança transfusional. Objetivo: Caracterizar o perfil dos doadores de sangue fenotipados do MT-Hemocentro quanto ao sexo e grupo sanguíneo, relacionando esses achados à atuação do enfermeiro triagista na formação de um banco de doadores fenotipados. Material e Método: Estudo retrospectivo, descritivo, de abordagem quantitativa, realizado com doadores cadastrados no MT-Hemocentro que realizaram doações entre 1° de janeiro e 31 de dezembro de 2025 e apresentavam registro de fenotipagem eritrocitária. Os dados foram obtidos no Sistema Hemoprod, considerando sexo e grupo sanguíneo ABO/RhD. Foram incluídos apenas doadores considerados aptos, conforme a legislação vigente. Resultados: Em 2025, foram registrados 19.827 doadores fenotipados no MT-Hemocentro, distribuídos entre os diferentes grupos ABO/RhD: A POSITIVO: 2.840; A NEGATIVO: 1.431; B POSITIVO: 1.027; B NEGATIVO: 477; O POSITIVO: 4.951 e O NEGATIVO: 2.995. Do total, 10.423 (52,57%) eram do sexo masculino e 9.404 (47,43%) do feminino. A identificação e o registro desses fenótipos possibilitaram a constituição de um banco estratégico de doadores, ampliando a disponibilidade de hemocomponentes compatíveis para pacientes com necessidades transfusionais complexas. Discussão: Os resultados evidenciam a relevância da manutenção de um cadastro atualizado de doadores fenotipados, favorecendo maior agilidade na localização de hemocomponentes compatíveis, redução do risco de aloimunização e fortalecimento da assistência aos pacientes dependentes de transfusões crônicas. Nesse cenário, o enfermeiro triagista atua como elo entre o doador e o serviço de hemoterapia, desenvolvendo ações de educação em saúde, identificando candidatos elegíveis à fenotipagem, orientando sobre a importância da doação regular e promovendo a fidelização. Essa atuação contribui diretamente para a ampliação do banco de doadores especiais e para a qualificação da assistência transfusional. Conclusão: O banco de doadores fenotipados do MT-Hemocentro constitui estratégia essencial para fortalecer a segurança transfusional e qualificar a assistência hemoterápica. Os resultados evidenciam o papel do enfermeiro triagista na identificação, orientação e fidelização de doadores, contribuindo para a ampliação da disponibilidade de hemocomponentes compatibilizados e para a redução do risco de aloimunização. Estudos futuros poderão investigar outras variáveis relacionadas ao perfil fenotípico, à fidelização dos doadores e ao impacto das ações do enfermeiro triagista na segurança transfusional.
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AU - Rosimeire de Cássia Ferreira KRAUSE
AU - Rutineia Dias DAMACENO
AU - Vitória Fonseca dos REIS
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.108153
UR - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.108153
AB - Introdução: A fenotipagem eritrocitária de doadores de sangue constitui estratégia fundamental para qualificar a terapia transfusional, permitindo a identificação de antígenos além dos sistemas ABO/RhD e a seleção de hemocomponentes compatíveis para pacientes com aloanticorpos ou maior risco de aloimunização. No MT-Hemocentro, o Laboratório de Imuno-hematologia mantém um programa de doadores fenotipados que subsidia o atendimento de pacientes politransfundidos, especialmente aqueles com doença falciforme, talassemias, aplasia de medula e outras condições que demandam transfusões frequentes. Nesse contexto, o enfermeiro triagista desempenha papel estratégico na gestão do cuidado ao identificar potenciais doadores para fenotipagem, promover educação em saúde e incentivar a fidelização, contribuindo para a formação e manutenção de um banco de doadores fenotipados essencial à segurança transfusional. Objetivo: Caracterizar o perfil dos doadores de sangue fenotipados do MT-Hemocentro quanto ao sexo e grupo sanguíneo, relacionando esses achados à atuação do enfermeiro triagista na formação de um banco de doadores fenotipados. Material e Método: Estudo retrospectivo, descritivo, de abordagem quantitativa, realizado com doadores cadastrados no MT-Hemocentro que realizaram doações entre 1° de janeiro e 31 de dezembro de 2025 e apresentavam registro de fenotipagem eritrocitária. Os dados foram obtidos no Sistema Hemoprod, considerando sexo e grupo sanguíneo ABO/RhD. Foram incluídos apenas doadores considerados aptos, conforme a legislação vigente. Resultados: Em 2025, foram registrados 19.827 doadores fenotipados no MT-Hemocentro, distribuídos entre os diferentes grupos ABO/RhD: A POSITIVO: 2.840; A NEGATIVO: 1.431; B POSITIVO: 1.027; B NEGATIVO: 477; O POSITIVO: 4.951 e O NEGATIVO: 2.995. Do total, 10.423 (52,57%) eram do sexo masculino e 9.404 (47,43%) do feminino. A identificação e o registro desses fenótipos possibilitaram a constituição de um banco estratégico de doadores, ampliando a disponibilidade de hemocomponentes compatíveis para pacientes com necessidades transfusionais complexas. Discussão: Os resultados evidenciam a relevância da manutenção de um cadastro atualizado de doadores fenotipados, favorecendo maior agilidade na localização de hemocomponentes compatíveis, redução do risco de aloimunização e fortalecimento da assistência aos pacientes dependentes de transfusões crônicas. Nesse cenário, o enfermeiro triagista atua como elo entre o doador e o serviço de hemoterapia, desenvolvendo ações de educação em saúde, identificando candidatos elegíveis à fenotipagem, orientando sobre a importância da doação regular e promovendo a fidelização. Essa atuação contribui diretamente para a ampliação do banco de doadores especiais e para a qualificação da assistência transfusional. Conclusão: O banco de doadores fenotipados do MT-Hemocentro constitui estratégia essencial para fortalecer a segurança transfusional e qualificar a assistência hemoterápica. Os resultados evidenciam o papel do enfermeiro triagista na identificação, orientação e fidelização de doadores, contribuindo para a ampliação da disponibilidade de hemocomponentes compatibilizados e para a redução do risco de aloimunização. Estudos futuros poderão investigar outras variáveis relacionadas ao perfil fenotípico, à fidelização dos doadores e ao impacto das ações do enfermeiro triagista na segurança transfusional.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -