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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

IMPLANTAÇÃO E VALIDAÇÃO DE NOVA TECNOLOGIA DE PROCESSAMENTO AUTOMATIZADO DE HEMOCOMPONENTES: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO HEMOMAR

  1. 1Centro de Hematologia e Hemoterapia do Maranhão (HEMOMAR), São Luís, MA, Brasil

Abstract

Introdução: A incorporação de novas tecnologias em serviços de hemoterapia exige planejamento estruturado, capacitação de equipes e validação criteriosa antes da operação em escala. O HEMOMAR, hemocentro coordenador da Hemorrede Estadual do Maranhão, responsável pelo atendimento transfusional de 100% da rede pública estadual e pela coordenação técnica de oito Núcleos de Hemoterapia, implantou em fevereiro de 2026 um sistema automatizado de processamento de hemocomponentes por centrifugação, com o objetivo de padronizar a produção e ampliar a qualidade e rastreabilidade do processo. Objetivos: Descrever a estratégia de implantação e validação de nova tecnologia de processamento automatizado de hemocomponentes no HEMOMAR, identificando desafios, soluções adotadas e ganhos observados. Material e métodos: A validação foi estruturada em quatro etapas: mapeamento do processo e identificação de riscos por setor, definição de critérios de aceitação com base na Portaria de Consolidação nº 5, especificações do fabricante e literatura científica, realização de testes com registro sistemático de resultados e desvios, e revisão dos resultados pela equipe técnica. Resultados: Durante a validação, foi identificado desvio em duas unidades de concentrado de plaquetas com contagem plaquetária abaixo do critério de aceitação. A investigação da causa raiz revelou registro incorreto: o volume havia sido aferido após a retirada da alíquota para o controle de qualidade, e não do volume total do hemocomponente produzido. Como ação corretiva, o fluxo foi revisado e um formulário padronizado foi elaborado para garantir o registro correto da informação, prevenindo inadequações futuras. Após esse ajuste, todas as unidades avaliadas atenderam aos critérios de aceitação. Em comparação ao método convencional, o sistema demonstrou maior padronização, menor variabilidade entre operadores, maior reprodutibilidade e rastreabilidade ampliada pelo registro automatizado do colaborador, volumes, horários e intercorrências, também foi evidenciado um aumento do volume médio do Plasma Fresco Congelado produzido, o mesmo passou de 170-180 mL para 200–210 mL com a nova metodologia. Discussão e conclusão: Os principais desafios enfrentados foram a curva de aprendizado da equipe, a ausência de procedimento operacional padrão específico para a nova tecnologia e a resistência inicial da equipe à mudança de processos consolidados. As estratégias que se mostraram eficazes incluíram treinamento em fases com simulações, elaboração participativa dos procedimentos e planejamento escalonado que preservou a continuidade assistencial. A experiência evidencia que a validação cumpre papel essencial não apenas na verificação da conformidade dos hemocomponentes, mas na estruturação de um processo produtivo mais seguro e auditável. Desvios identificados durante a validação revelam fragilidades que, não detectadas, comprometeriam a confiabilidade do controle de qualidade e o fornecimento de hemocomponentes com qualidade assegurada. Validar antes de operar em escala é medida de proteção ao paciente e de responsabilidade institucional.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -