IMPLANTAÇÃO DE UM PROJETO DE HEMOVIGILÂNCIA ATIVA EM UM HOSPITAL DE ENSINO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
- 1Universidade Federal do Ceará (UFC), Sobral, CE, Brasil
- 2Centro Universitário UNINTA, Sobral, CE, Brasil
Abstract
Introdução: A hemovigilância constitui estratégia fundamental para a segurança transfusional, permitindo identificar, investigar e notificar reações adversas relacionadas ao uso de hemocomponentes. Entretanto, a elevada demanda assistencial e a limitação de recursos humanos podem comprometer a vigilância ativa desses eventos, favorecendo a subnotificação de eventos adversos. Objetivos: Relatar a experiência de implantação de um projeto de hemovigilância ativa em um hospital de ensino terciário, destacando sua organização, funcionamento, desafios e contribuições para a segurança do paciente e a formação acadêmica. Material e métodos: Relato de experiência desenvolvido na Santa Casa de Misericórdia de Sobral (CE), durante o ano de 2024. O projeto contou com 21 estudantes, sob supervisão de médica com docente da área de hematologia, em parceria com profissionais do Hemocentro e do hospital. Após treinamento sobre o projeto, as buscas ativas de reações adversas relacionada à transfusão de sangue foram realizadas diariamente nos setores, onde pacientes submetidos à transfusão de hemocomponentes, contemplando pacientes nas primeiras 24 horas após a transfusão. A avaliação consistia em entrevista direcionada ao paciente ou acompanhante para investigação de sinais e sintomas sugestivos de reação transfusional, seguida da análise do prontuário e dos registros da equipe de enfermagem. Utilizou -se formulário padronizado compatível com o sistema institucional, permitindo a coleta das informações necessárias para notificação hospitalar e posterior registro no sistema nacional de hemovigilância. Resultados: O projeto ampliou o monitoramento pós-transfusional e qualificou o processo institucional de hemovigilância. Em 2024, foram acompanhadas 3.238 transfusões, dentre 5.366 procedimentos transfusionais realizados, com identificação de 56 reações transfusionais, evidenciando a contribuição da busca ativa para o reconhecimento e a notificação de eventos adversos. A iniciativa fortaleceu a integração entre universidade, Hemocentro e hospital, estimulou a cultura de segurança transfusional e favoreceu a educação permanente dos estudantes e profissionais envolvidos. Os principais desafios envolveram a identificação de reações tardias, a rotatividade dos extensionistas e a necessidade de estratégias que assegurem a sustentabilidade das ações. Discussão e conclusão: A implantação do projeto mostrou-se estratégia viável para fortalecer a vigilância transfusional em hospitais de ensino, qualificando as notificações e favorecendo o reconhecimento oportuno de possíveis reações transfusionais. Além de aproximar ensino e serviço, ampliou a formação prática dos estudantes e fortaleceu a cultura institucional de segurança do paciente. Os desafios identificados reforçam a necessidade de institucionalização de iniciativas dessa natureza, com potencial de replicação em outros serviços hemoterápicos.
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BibTeX
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RIS
TY - JOUR
TI - IMPLANTAÇÃO DE UM PROJETO DE HEMOVIGILÂNCIA ATIVA EM UM HOSPITAL DE ENSINO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
AU - Jef Oliveira CRAVEIRO
AU - Alaíde Maria Rodrigues PINHEIRO
AU - Evelin Carneiro SOUSA
AU - Valdelina Aguiar PEREIRA
AU - Athyrson Conceição SILVA
AU - Lowhana Farias SIQUEIRA
AU - Ana Kélvia Araújo ARCANJO
AU - Antonia Moemia Lucia Rodrigues PORTELA
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.107229
UR - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107229
AB - Introdução: A hemovigilância constitui estratégia fundamental para a segurança transfusional, permitindo identificar, investigar e notificar reações adversas relacionadas ao uso de hemocomponentes. Entretanto, a elevada demanda assistencial e a limitação de recursos humanos podem comprometer a vigilância ativa desses eventos, favorecendo a subnotificação de eventos adversos. Objetivos: Relatar a experiência de implantação de um projeto de hemovigilância ativa em um hospital de ensino terciário, destacando sua organização, funcionamento, desafios e contribuições para a segurança do paciente e a formação acadêmica. Material e métodos: Relato de experiência desenvolvido na Santa Casa de Misericórdia de Sobral (CE), durante o ano de 2024. O projeto contou com 21 estudantes, sob supervisão de médica com docente da área de hematologia, em parceria com profissionais do Hemocentro e do hospital. Após treinamento sobre o projeto, as buscas ativas de reações adversas relacionada à transfusão de sangue foram realizadas diariamente nos setores, onde pacientes submetidos à transfusão de hemocomponentes, contemplando pacientes nas primeiras 24 horas após a transfusão. A avaliação consistia em entrevista direcionada ao paciente ou acompanhante para investigação de sinais e sintomas sugestivos de reação transfusional, seguida da análise do prontuário e dos registros da equipe de enfermagem. Utilizou -se formulário padronizado compatível com o sistema institucional, permitindo a coleta das informações necessárias para notificação hospitalar e posterior registro no sistema nacional de hemovigilância. Resultados: O projeto ampliou o monitoramento pós-transfusional e qualificou o processo institucional de hemovigilância. Em 2024, foram acompanhadas 3.238 transfusões, dentre 5.366 procedimentos transfusionais realizados, com identificação de 56 reações transfusionais, evidenciando a contribuição da busca ativa para o reconhecimento e a notificação de eventos adversos. A iniciativa fortaleceu a integração entre universidade, Hemocentro e hospital, estimulou a cultura de segurança transfusional e favoreceu a educação permanente dos estudantes e profissionais envolvidos. Os principais desafios envolveram a identificação de reações tardias, a rotatividade dos extensionistas e a necessidade de estratégias que assegurem a sustentabilidade das ações. Discussão e conclusão: A implantação do projeto mostrou-se estratégia viável para fortalecer a vigilância transfusional em hospitais de ensino, qualificando as notificações e favorecendo o reconhecimento oportuno de possíveis reações transfusionais. Além de aproximar ensino e serviço, ampliou a formação prática dos estudantes e fortaleceu a cultura institucional de segurança do paciente. Os desafios identificados reforçam a necessidade de institucionalização de iniciativas dessa natureza, com potencial de replicação em outros serviços hemoterápicos.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -