RETORNO DE DOADORES DE SANGUE APÓS INAPTIDÃO CLÍNICA TEMPORÁRIA ANTES, DURANTE E APÓS A PANDEMIA DE COVID-19
- 1Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado de Minas Gerais (HEMOMINAS), Belo Horizonte, MG, Brasil
Abstract
Introdução: A inaptidão clínica temporária pode interromper o comportamento de retorno dos doadores de sangue e representar uma oportunidade para compreender os fatores associados à retomada da doação. Objetivo: Analisar a taxa de retorno de doadores de sangue após inaptidão clínica temporária nos períodos pré-pandêmico, pandêmico e pós-pandêmico e identificar fatores associados ao retorno e ao tempo decorrido até uma nova tentativa de doação. Material e métodos: Foram analisados três grupos de doadores com inaptidão clínica temporária: janeiro de 2018 (pré-pandemia; n = 1.100), março de 2020 (pandemia; n = 700) e junho de 2022 (pós-pandemia; n = 734). O retorno foi definido como nova tentativa de doação em até dois anos após o término da inaptidão. Os doadores foram classificados em primeira vez e experientes. Foram analisadas características sociodemográficas, tipo de comparecimento, motivo da inaptidão, histórico de doações anteriores e intervalo até o retorno. Resultados: A taxa global de retorno em até dois anos manteve-se relativamente estável entre os períodos analisados (25,8%, 25,4% e 24,0%). Em todos os períodos, doadores experientes apresentaram maior taxa de retorno que doadores de primeira vez (34,4% vs. 14,0%; 33,4% vs. 13,7%; 33,3% vs. 11,9%; p < 0,001). Na análise multivariada, a experiência prévia de doação e o tipo de comparecimento foram preditores independentes de maior probabilidade de retorno em todos os períodos. A maior idade passou a predizer menor probabilidade de retorno a partir da pandemia, enquanto a escolaridade superior foi preditora apenas no período pós-pandêmico. Entre os experientes, maior número de comparecimentos e de doações aptas anteriores esteve associado ao retorno. O sexo não influenciou a taxa de retorno em nenhum dos períodos. Discussão: Houve um padrão consistente de menor retorno entre doadores de primeira vez após inaptidão clínica temporária. Os resultados sugerem que a experiência prévia de doação e o vínculo com o serviço são os principais determinantes do retorno após inaptidão clínica temporária. A menor probabilidade de retorno entre doadores de reposição reforça a necessidade de estratégias específicas para fidelização desse grupo. A redução do retorno entre doadores mais velhos no período pós-pandêmico pode refletir mudanças comportamentais relacionadas à percepção de risco, indicando a importância de abordagens direcionadas para estimular seu retorno. Conclusão: A experiência prévia de doação e o vínculo estabelecido com o serviço foram os principais fatores associados ao retorno após inaptidão clínica temporária. Os resultados indicam a necessidade de desenvolver estratégias de comunicação, convocação e fidelização direcionadas aos doadores de primeira vez, além de estratégias de retenção voltadas a grupos cujas motivações para o retorno foram influenciadas por circunstâncias específicas, como os doadores de reposição e os doadores mais velhos no período pós-pandêmico.
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TI - RETORNO DE DOADORES DE SANGUE APÓS INAPTIDÃO CLÍNICA TEMPORÁRIA ANTES, DURANTE E APÓS A PANDEMIA DE COVID-19
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DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: A inaptidão clínica temporária pode interromper o comportamento de retorno dos doadores de sangue e representar uma oportunidade para compreender os fatores associados à retomada da doação. Objetivo: Analisar a taxa de retorno de doadores de sangue após inaptidão clínica temporária nos períodos pré-pandêmico, pandêmico e pós-pandêmico e identificar fatores associados ao retorno e ao tempo decorrido até uma nova tentativa de doação. Material e métodos: Foram analisados três grupos de doadores com inaptidão clínica temporária: janeiro de 2018 (pré-pandemia; n = 1.100), março de 2020 (pandemia; n = 700) e junho de 2022 (pós-pandemia; n = 734). O retorno foi definido como nova tentativa de doação em até dois anos após o término da inaptidão. Os doadores foram classificados em primeira vez e experientes. Foram analisadas características sociodemográficas, tipo de comparecimento, motivo da inaptidão, histórico de doações anteriores e intervalo até o retorno. Resultados: A taxa global de retorno em até dois anos manteve-se relativamente estável entre os períodos analisados (25,8%, 25,4% e 24,0%). Em todos os períodos, doadores experientes apresentaram maior taxa de retorno que doadores de primeira vez (34,4% vs. 14,0%; 33,4% vs. 13,7%; 33,3% vs. 11,9%; p < 0,001). Na análise multivariada, a experiência prévia de doação e o tipo de comparecimento foram preditores independentes de maior probabilidade de retorno em todos os períodos. A maior idade passou a predizer menor probabilidade de retorno a partir da pandemia, enquanto a escolaridade superior foi preditora apenas no período pós-pandêmico. Entre os experientes, maior número de comparecimentos e de doações aptas anteriores esteve associado ao retorno. O sexo não influenciou a taxa de retorno em nenhum dos períodos. Discussão: Houve um padrão consistente de menor retorno entre doadores de primeira vez após inaptidão clínica temporária. Os resultados sugerem que a experiência prévia de doação e o vínculo com o serviço são os principais determinantes do retorno após inaptidão clínica temporária. A menor probabilidade de retorno entre doadores de reposição reforça a necessidade de estratégias específicas para fidelização desse grupo. A redução do retorno entre doadores mais velhos no período pós-pandêmico pode refletir mudanças comportamentais relacionadas à percepção de risco, indicando a importância de abordagens direcionadas para estimular seu retorno. Conclusão: A experiência prévia de doação e o vínculo estabelecido com o serviço foram os principais fatores associados ao retorno após inaptidão clínica temporária. Os resultados indicam a necessidade de desenvolver estratégias de comunicação, convocação e fidelização direcionadas aos doadores de primeira vez, além de estratégias de retenção voltadas a grupos cujas motivações para o retorno foram influenciadas por circunstâncias específicas, como os doadores de reposição e os doadores mais velhos no período pós-pandêmico.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -