SOROPREVALÊNCIA DE SÍFILIS EM DOADORES DE SANGUE NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO: ANÁLISE DA MACRORREGIÃO NORTE E NOROESTE FLUMINENSE, 2023-2024
- 1Faculdade de Medicina de Campos, Campos dos Goytacazes, RJ, Brasil
- 2Hemocentro Regional de Campos dos Goytacazes, Campos dos Goytacazes, RJ, Brasil
Abstract
A sífilis permanece como um importante problema de saúde pública e uma das principais causas de inaptidão sorológica em candidatos à doação de sangue, resultando em descartes de bolsas de sangue. O monitoramento da sua soroprevalência em hemocentros contribui para a segurança transfusional e para a vigilância epidemiológica da doença. Este estudo teve como objetivo avaliar a soroprevalência de sífilis em doadores de sangue de um hemocentro regional no interior do estado do Rio de Janeiro em 2023 e 2024. Foi realizado um estudo observacional retrospectivo, utilizando dados secundários das doações de sangue realizadas no Hemocentro Regional de Campos dos Goytacazes/RJ, no período de janeiro de 2023 a dezembro de 2024. A triagem sorológica foi realizada com o teste não treponêmico VDRL e, entre dezembro de 2023 e junho de 2024, por quimioluminescência (teste treponêmico). Os softwares Excel® e RStudio® foram utilizados para organização e análise dos dados. As variáveis incluídas foram sexo, faixa etária, grupo sanguíneo, município de residência e sorologia para sífilis. Foram realizadas análises descritivas, testes do qui-quadrado de Pearson e Exato de Fisher e, quando necessário, simulação de Monte Carlo, além de regressão logística para avaliação da tendência temporal. Adotou-se nível de significância de 5% (p < 0,05). Foram analisadas 22.100 doações de sangue, sendo 11.318 em 2023 e 10.782 em 2024. Das doações, 85 foram reagentes para sífilis em 2023 e 152 em 2024, correspondendo à soroprevalência de 0,75% e 1,41%, respectivamente, representando aumento de 88% entre os anos. Dentre as variáveis incluídas, apenas a faixa etária apresentou associação significativa em ambos os anos (2023: p = 0,013; 2024: p = 0,004). Em 2023, ocorreu maior prevalência entre as faixas etárias de 18 a 29 e 30 a 39 anos (0,96%) e, em 2024, doadores de 18 a 29 anos (1,64%) e com 50 anos ou mais (1,92%). Na análise temporal, apenas em 2024 verificou-se redução progressiva da taxa ao longo dos meses (p < 0,001), com maiores prevalências entre janeiro e junho. Nesse período, a utilização da quimioluminescência como método de triagem coincidiu temporalmente com a maior frequência de resultados reagentes. A soroprevalência de sífilis encontrada foi superior em 2024, acompanhando a tendência de aumento descrita em outros hemocentros brasileiros. No entanto, não acompanhou a redução do estado do Rio de Janeiro, apesar de ter mantido valores inferiores (0,75% versus 2,25% em 2023; 1,41% versus 1,77% em 2024). A faixa etária de maior prevalência coincidiu com a dos boletins epidemiológicos de sífilis, prevalecendo indivíduos de 18 a 39 anos. Dos 152 casos reagentes identificados em 2024, 117 (77,0%) ocorreram no primeiro semestre, período em que a utilização da quimioluminescência foi utilizada na triagem sorológica. Esses achados sugerem que parte do aumento observado possa refletir a maior capacidade de detecção desse método, além de possíveis alterações epidemiológicas na macrorregião Norte e Noroeste Fluminense. A mudança da metodologia de triagem coincidiu com o período de maior prevalência, sugerindo que alterações metodológicas devem ser consideradas na interpretação da soroprevalência em serviços de hemoterapia. Dessa forma, o monitoramento contínuo da sífilis permanece essencial para o fortalecimento da segurança transfusional e da vigilância epidemiológica.
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AB - A sífilis permanece como um importante problema de saúde pública e uma das principais causas de inaptidão sorológica em candidatos à doação de sangue, resultando em descartes de bolsas de sangue. O monitoramento da sua soroprevalência em hemocentros contribui para a segurança transfusional e para a vigilância epidemiológica da doença. Este estudo teve como objetivo avaliar a soroprevalência de sífilis em doadores de sangue de um hemocentro regional no interior do estado do Rio de Janeiro em 2023 e 2024. Foi realizado um estudo observacional retrospectivo, utilizando dados secundários das doações de sangue realizadas no Hemocentro Regional de Campos dos Goytacazes/RJ, no período de janeiro de 2023 a dezembro de 2024. A triagem sorológica foi realizada com o teste não treponêmico VDRL e, entre dezembro de 2023 e junho de 2024, por quimioluminescência (teste treponêmico). Os softwares Excel® e RStudio® foram utilizados para organização e análise dos dados. As variáveis incluídas foram sexo, faixa etária, grupo sanguíneo, município de residência e sorologia para sífilis. Foram realizadas análises descritivas, testes do qui-quadrado de Pearson e Exato de Fisher e, quando necessário, simulação de Monte Carlo, além de regressão logística para avaliação da tendência temporal. Adotou-se nível de significância de 5% (p < 0,05). Foram analisadas 22.100 doações de sangue, sendo 11.318 em 2023 e 10.782 em 2024. Das doações, 85 foram reagentes para sífilis em 2023 e 152 em 2024, correspondendo à soroprevalência de 0,75% e 1,41%, respectivamente, representando aumento de 88% entre os anos. Dentre as variáveis incluídas, apenas a faixa etária apresentou associação significativa em ambos os anos (2023: p = 0,013; 2024: p = 0,004). Em 2023, ocorreu maior prevalência entre as faixas etárias de 18 a 29 e 30 a 39 anos (0,96%) e, em 2024, doadores de 18 a 29 anos (1,64%) e com 50 anos ou mais (1,92%). Na análise temporal, apenas em 2024 verificou-se redução progressiva da taxa ao longo dos meses (p < 0,001), com maiores prevalências entre janeiro e junho. Nesse período, a utilização da quimioluminescência como método de triagem coincidiu temporalmente com a maior frequência de resultados reagentes. A soroprevalência de sífilis encontrada foi superior em 2024, acompanhando a tendência de aumento descrita em outros hemocentros brasileiros. No entanto, não acompanhou a redução do estado do Rio de Janeiro, apesar de ter mantido valores inferiores (0,75% versus 2,25% em 2023; 1,41% versus 1,77% em 2024). A faixa etária de maior prevalência coincidiu com a dos boletins epidemiológicos de sífilis, prevalecendo indivíduos de 18 a 39 anos. Dos 152 casos reagentes identificados em 2024, 117 (77,0%) ocorreram no primeiro semestre, período em que a utilização da quimioluminescência foi utilizada na triagem sorológica. Esses achados sugerem que parte do aumento observado possa refletir a maior capacidade de detecção desse método, além de possíveis alterações epidemiológicas na macrorregião Norte e Noroeste Fluminense. A mudança da metodologia de triagem coincidiu com o período de maior prevalência, sugerindo que alterações metodológicas devem ser consideradas na interpretação da soroprevalência em serviços de hemoterapia. Dessa forma, o monitoramento contínuo da sífilis permanece essencial para o fortalecimento da segurança transfusional e da vigilância epidemiológica.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -