ESTRATIFICAÇÃO DAS CAUSAS DE DESCARTE RELACIONADAS AO BAIXO FLUXO NA COLETA DE SANGUE: DESENVOLVIMENTO E APLICAÇÃO DE UMA FERRAMENTA DE ANÁLISE
- 1Colsan -Associação Beneficente de Coleta de Sangue, São Paulo, SP, Brasil
Abstract
Introdução: O baixo fluxo durante a coleta de sangue é uma das intercorrências mais frequentes nos serviços de hemoterapia, impactando a eficiência da coleta, a qualidade dos hemocomponentes e a experiência do doador. Pode prolongar a coleta, interromper o procedimento e causar descarte de bolsas por volume inadequado, comprometendo a disponibilidade de hemocomponentes e aumentando os custos operacionais. Estima-se que o baixo fluxo esteja relacionado a aproximadamente 50% dos descartes decorrentes de intercorrências na coleta. Embora frequentemente associado ao acesso venoso difícil, sua etiologia é complexa e multifatorial, envolvendo a interação entre fatores anatômicos da rede venosa, condições fisiológicas e hemodinâmicas do doador, além de aspectos técnicos inerentes à punção e ao procedimento de coleta. Nesse contexto, a investigação sistemática dos fatores associados ao baixo fluxo é fundamental para compreender sua ocorrência, subsidiar intervenções e contribuir para sua redução, promovendo maior segurança, qualidade e eficiência na coleta. Objetivo: Desenvolver e aplicar uma ferramenta de pesquisa para estratificar as principais causas relacionadas ao baixo fluxo durante a coleta de sangue em um hemocentro. Materiais e métodos: Estudo observacional, prospectivo e descritivo, realizado em um serviço de hemoterapia da COLSAN, em São Bernardo do Campo, no período de abril a junho de 2026. Foram incluídos doadores que apresentaram baixo fluxo durante a coleta de sangue, aos quais foi aplicado um formulário estruturado elaborado com base na literatura científica. O instrumento contemplou variáveis epidemiológicas e fatores associados ao baixo fluxo, classificados em cinco categorias: técnicos, anatômicos, fisiológicos, ambientais e patológicos. Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva. Resultados/Discussão: Foram avaliados 36 doadores com baixo fluxo durante a coleta. A aplicação da ferramenta evidenciou o caráter multifatorial dessa intercorrência, com elevada frequência de fatores fisiológicos (97,2%), principalmente desidratação, ansiedade e jejum prolongado, associados a fatores anatômicos (69,4%), como veias frágeis, finas, profundas e de pequeno calibre. Também foram identificados fatores patológicos (36,1%), relacionados principalmente à obesidade, diabetes mellitus e hipertensão arterial, fatores técnicos (13,9%), associados à avaliação e definição do acesso venoso, e fatores ambientais (8,3%), representados principalmente pela exposição ao frio. Quanto ao perfil epidemiológico, observou-se predominância do sexo feminino (63,9%), com maior frequência de doadores esporádicos (41,7%), seguidos por doadores de primeira vez (38,9%). A ferramenta permitiu identificar sistematicamente os fatores associados ao baixo fluxo, fornecendo informações para direcionar estratégias de prevenção e qualificação da coleta. Conclusão: A utilização de uma ferramenta estruturada permitiu identificar o caráter multifatorial do baixo fluxo durante a coleta de sangue, evidenciando os principais fatores associados à sua ocorrência. Sua aplicação pode subsidiar estratégias de prevenção, contribuindo para reduzir descartes de bolsas e aprimorar a qualidade e segurança da coleta.
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TI - ESTRATIFICAÇÃO DAS CAUSAS DE DESCARTE RELACIONADAS AO BAIXO FLUXO NA COLETA DE SANGUE: DESENVOLVIMENTO E APLICAÇÃO DE UMA FERRAMENTA DE ANÁLISE
AU - Nicole Marcela Oliveira GODINHO
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DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: O baixo fluxo durante a coleta de sangue é uma das intercorrências mais frequentes nos serviços de hemoterapia, impactando a eficiência da coleta, a qualidade dos hemocomponentes e a experiência do doador. Pode prolongar a coleta, interromper o procedimento e causar descarte de bolsas por volume inadequado, comprometendo a disponibilidade de hemocomponentes e aumentando os custos operacionais. Estima-se que o baixo fluxo esteja relacionado a aproximadamente 50% dos descartes decorrentes de intercorrências na coleta. Embora frequentemente associado ao acesso venoso difícil, sua etiologia é complexa e multifatorial, envolvendo a interação entre fatores anatômicos da rede venosa, condições fisiológicas e hemodinâmicas do doador, além de aspectos técnicos inerentes à punção e ao procedimento de coleta. Nesse contexto, a investigação sistemática dos fatores associados ao baixo fluxo é fundamental para compreender sua ocorrência, subsidiar intervenções e contribuir para sua redução, promovendo maior segurança, qualidade e eficiência na coleta. Objetivo: Desenvolver e aplicar uma ferramenta de pesquisa para estratificar as principais causas relacionadas ao baixo fluxo durante a coleta de sangue em um hemocentro. Materiais e métodos: Estudo observacional, prospectivo e descritivo, realizado em um serviço de hemoterapia da COLSAN, em São Bernardo do Campo, no período de abril a junho de 2026. Foram incluídos doadores que apresentaram baixo fluxo durante a coleta de sangue, aos quais foi aplicado um formulário estruturado elaborado com base na literatura científica. O instrumento contemplou variáveis epidemiológicas e fatores associados ao baixo fluxo, classificados em cinco categorias: técnicos, anatômicos, fisiológicos, ambientais e patológicos. Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva. Resultados/Discussão: Foram avaliados 36 doadores com baixo fluxo durante a coleta. A aplicação da ferramenta evidenciou o caráter multifatorial dessa intercorrência, com elevada frequência de fatores fisiológicos (97,2%), principalmente desidratação, ansiedade e jejum prolongado, associados a fatores anatômicos (69,4%), como veias frágeis, finas, profundas e de pequeno calibre. Também foram identificados fatores patológicos (36,1%), relacionados principalmente à obesidade, diabetes mellitus e hipertensão arterial, fatores técnicos (13,9%), associados à avaliação e definição do acesso venoso, e fatores ambientais (8,3%), representados principalmente pela exposição ao frio. Quanto ao perfil epidemiológico, observou-se predominância do sexo feminino (63,9%), com maior frequência de doadores esporádicos (41,7%), seguidos por doadores de primeira vez (38,9%). A ferramenta permitiu identificar sistematicamente os fatores associados ao baixo fluxo, fornecendo informações para direcionar estratégias de prevenção e qualificação da coleta. Conclusão: A utilização de uma ferramenta estruturada permitiu identificar o caráter multifatorial do baixo fluxo durante a coleta de sangue, evidenciando os principais fatores associados à sua ocorrência. Sua aplicação pode subsidiar estratégias de prevenção, contribuindo para reduzir descartes de bolsas e aprimorar a qualidade e segurança da coleta.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -