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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

SOLICITAÇÃO E CONSUMO DE HEMOCOMPONENTES EM CIRURGIAS CARDIOVASCULARES PEDIÁTRICAS: IMPACTO DE UMA ESTRATÉGIA DE RACIONALIZAÇÃO TRANSFUSIONAL

  1. 1Grupo GSH, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: As cirurgias cardiovasculares pediátricas apresentam elevado potencial de consumo de hemocomponentes devido ao risco hemorrágico, ao uso de circulação extracorpórea e às alterações da hemostasia. Em crianças, a pequena volemia amplia o impacto das perdas sanguíneas, justificando reservas transfusionais amplas. Entretanto, o caráter perecível dos hemocomponentes, especialmente plasma e crioprecipitado após descongelamento, torna essencial o monitoramento do perfil de solicitação e consumo, em consonância com os princípios do Patient Blood Management (PBM). Objetivo: Avaliar o perfil de solicitação e consumo de hemocomponentes em reservas cirúrgicas cardiovasculares pediátricas entre 2025 e 2026, analisando o impacto das estratégias de racionalização transfusional baseadas no PBM. Material e métodos: Estudo observacional, retrospectivo, descritivo e comparativo, realizado em hospital pediátrico do Rio de Janeiro, entre janeiro de 2025 e julho de 2026. Foram analisadas planilhas de reservas cirúrgicas, registros de liberação de hemocomponentes e controles transfusionais intraoperatórios da Agência Transfusional para avaliação das reservas e do consumo efetivo de concentrados de hemácias (CH), concentrados de plaquetas (CP), plasma fresco congelado (PFC) e crioprecipitado (CRIO). Os dados foram consolidados de forma anonimizada e analisados por frequências absolutas e percentuais. Resultados: Em 2025 foram avaliadas 80 cirurgias pediátricas com reserva transfusional, predominantemente cardiovasculares. Foram reservados 676 hemocomponentes e utilizados 177 no intraoperatório, correspondendo a uma taxa global de utilização de 26,2%. CH e PFC apresentaram as maiores taxas de utilização (34,3% e 39,7%, respectivamente), confirmando seu papel no suporte transfusional. Os CP apresentaram utilização de 24,5%. O principal achado foi o CRIO: de 147 unidades reservadas (21,7% do total), apenas três foram transfundidas, resultando em taxa de utilização de 2% (3/147), evidenciando potencial desperdício. Após a revisão do protocolo institucional e a incorporação do fibrinogênio liofilizado para correção direcionada da hipofibrinogenemia, observou-se, entre janeiro e julho de 2026, racionalização das reservas. Em 2026, os CH correspondem a 43,1% das reservas e 53,4% do consumo intraoperatório; o PFC a 20,4% das reservas e 27,6% do consumo; os CP a 29,6% das reservas e 17,2% do consumo efetivo. O CRIO apresentou a principal mudança, reduzindo sua participação para 6,9% das reservas e apenas 1,7% do consumo intraoperatório, compatível com sua substituição pelo fibrinogênio liofilizado. Discussão: Os resultados confirmam que CH e PFC permanecem os principais componentes do suporte transfusional em cirurgias cardiovasculares pediátricas. Em contrapartida, o consumo mínimo de CRIO observado em 2025 evidenciou excesso de reservas e oportunidade de melhoria. A incorporação do fibrinogênio liofilizado permitiu substituir o descongelamento profilático do crioprecipitado, reduzindo desperdícios e tornando a terapia hemostática mais direcionada, sem comprometer o suporte transfusional. Conclusão: A implantação do fibrinogênio liofilizado promoveu benefícios simultâneos à gestão hemoterápica e ao cuidado do paciente, reduzindo o desperdício de crioprecipitado, favorecendo a correção mais rápida e direcionada da hipofibrinogenemia, preservando estoques de hemocomponentes e consolidando uma prática mais segura, eficiente e alinhada aos princípios do PBM.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -