DA COMPLEXIDADE À COMPETÊNCIA: TRANSFORMANDO UM SERVIÇO DE TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA PEDIÁTRICO EM UM AMBIENTE ACESSÍVEL PARA A FORMAÇÃO CIENTÍFICA NA GRADUAÇÃO EM MEDICINA
- 1Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba, PR, Brasil
- 2Hospital Erastinho, Curitiba, PR, Brasil
Abstract
Introdução: Os serviços de transplante de medula óssea pediátrico (TMO) representam alguns dos cenários mais complexos da prática médica. Quando estudantes de graduação participam de pesquisa nesses ambientes, a experiência pode inadvertidamente direcioná-los para uma aprendizagem centrada em conhecimentos altamente especializados do transplante, pouco compatíveis com seu estágio de formação. O Programa de Iniciação Científica em Transplante de Medula Óssea Pediátrico (PICTMO) foi desenvolvido para enfrentar esse desafio, preservando os objetivos educacionais da graduação enquanto utiliza a riqueza científica do TMO para desenvolver competências em pesquisa. Objetivo: Descrever um modelo educacional capaz de transformar um serviço de TMO pediátrico em um ambiente acessível para iniciação científica de estudantes de Medicina, sem promover subespecialização precoce. Métodos: O PICTMO foi implantado em 2020 em um centro terciário brasileiro de TMO pediátrico. Estudantes ingressaram a partir do quinto semestre e participaram longitudinalmente até o oitavo semestre. O programa incluiu reuniões científicas semanais, mentoria estruturada, leitura crítica da literatura, observação clínica, elaboração de perguntas de pesquisa, construção de banco de dados, coleta supervisionada de dados, noções de bioestatística, redação científica e apresentações em eventos. As atividades evoluíram conforme a aquisição de competências em pesquisa, e não conforme conhecimentos específicos do transplante. Resultados: A primeira turma percorreu todas as etapas de um projeto científico, desde a revisão da literatura até a divulgação dos resultados. Em vez de formar 'mini-transplantadores', os estudantes desenvolveram progressivamente raciocínio científico, leitura crítica, metodologia de pesquisa, interpretação de resultados e redação científica, mantendo objetivos compatíveis com a graduação. O programa demonstrou que a elevada complexidade clínica do TMO pode ser utilizada como ferramenta para formação científica sem antecipar a diferenciação profissional. Conclusão: Ambientes clínicos de alta complexidade não devem ser compreendidos apenas como cenários de formação superespecializada. Quando os objetivos pedagógicos respeitam o estágio de desenvolvimento do estudante, esses serviços tornam-se espaços privilegiados para o desenvolvimento de competências científicas na graduação. O PICTMO constitui um modelo potencialmente reproduzível para outros programas de hematologia, oncologia e transplante.
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TY - JOUR
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AU - Ana Luiza RODRIGUES
AU - Antonella Ana ZANETTE
AU - Mariane Farherr Caleffi HOFFMAN
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.108462
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AB - Introdução: Os serviços de transplante de medula óssea pediátrico (TMO) representam alguns dos cenários mais complexos da prática médica. Quando estudantes de graduação participam de pesquisa nesses ambientes, a experiência pode inadvertidamente direcioná-los para uma aprendizagem centrada em conhecimentos altamente especializados do transplante, pouco compatíveis com seu estágio de formação. O Programa de Iniciação Científica em Transplante de Medula Óssea Pediátrico (PICTMO) foi desenvolvido para enfrentar esse desafio, preservando os objetivos educacionais da graduação enquanto utiliza a riqueza científica do TMO para desenvolver competências em pesquisa. Objetivo: Descrever um modelo educacional capaz de transformar um serviço de TMO pediátrico em um ambiente acessível para iniciação científica de estudantes de Medicina, sem promover subespecialização precoce. Métodos: O PICTMO foi implantado em 2020 em um centro terciário brasileiro de TMO pediátrico. Estudantes ingressaram a partir do quinto semestre e participaram longitudinalmente até o oitavo semestre. O programa incluiu reuniões científicas semanais, mentoria estruturada, leitura crítica da literatura, observação clínica, elaboração de perguntas de pesquisa, construção de banco de dados, coleta supervisionada de dados, noções de bioestatística, redação científica e apresentações em eventos. As atividades evoluíram conforme a aquisição de competências em pesquisa, e não conforme conhecimentos específicos do transplante. Resultados: A primeira turma percorreu todas as etapas de um projeto científico, desde a revisão da literatura até a divulgação dos resultados. Em vez de formar 'mini-transplantadores', os estudantes desenvolveram progressivamente raciocínio científico, leitura crítica, metodologia de pesquisa, interpretação de resultados e redação científica, mantendo objetivos compatíveis com a graduação. O programa demonstrou que a elevada complexidade clínica do TMO pode ser utilizada como ferramenta para formação científica sem antecipar a diferenciação profissional. Conclusão: Ambientes clínicos de alta complexidade não devem ser compreendidos apenas como cenários de formação superespecializada. Quando os objetivos pedagógicos respeitam o estágio de desenvolvimento do estudante, esses serviços tornam-se espaços privilegiados para o desenvolvimento de competências científicas na graduação. O PICTMO constitui um modelo potencialmente reproduzível para outros programas de hematologia, oncologia e transplante.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -