ANÁLISE DA MORTALIDADE EM PACIENTES SUBMETIDOS AO TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA EM UM HOSPITAL DE ALTA COMPLEXIDADE
- 1Hospital Santa Casa de Porto Alegre, Porto Alegre, RS, Brasil
Abstract
Introdução: O transplante de medula óssea (TMO) representa uma modalidade terapêutica potencialmente curativa para diversas doenças onco-hematológicas. Apesar dos avanços no suporte clínico, nas estratégias de prevenção de infecções e no manejo da doença do enxerto contra o hospedeiro, a mortalidade relacionada ao transplante permanece um indicador de qualidade assistencial. Objetivo: Analisar o perfil dos pacientes que evoluíram para óbito nos primeiros 60 dias após o TMO em um hospital de alta complexidade de Porto Alegre no Rio Grande do Sul, descrevendo as características clínicas e causas potencialmente associadas ao desfecho. Materiais e métodos: Estudo observacional, retrospectivo, realizado em um centro terciário de alta complexidade onde foram incluídos pacientes submetidos ao TMO entre 01 de janeiro de 2025 e 31 de maio de 2026 que evoluíram para óbito neste período. Foram coletadas informações referentes à idade, sexo, doença de base, tipo de transplante (autólogo ou alogênico), fonte das células-tronco hematopoéticas, cd34 do produto, tempo entre o transplante e o óbito e causa do óbito. Os dados foram analisados por estatística descritiva, sendo apresentados em frequências absolutas e relativas, médias e medianas conforme a distribuição das variáveis. Resultados e discussão: foram realizados 162 TMO no período estudado, dos quais 14 pacientes evoluíram para óbito (8,6%) e desses a mediana de idade foi de 51,5 anos, sendo 64% do sexo masculino. O transplante alogênico correspondeu a 57% dos casos, enquanto 43% foram autólogos. As doenças de base dos pacientes que faleceram foram Leucemia Mieloide Aguda, Leucemia Linfoide Aguda, Leucemia Mielomonocitica Crônica, Leucemia bifenotípica, Linfoma Não Hodgkin, Mieloma Múltiplo e Linfoma de Células T hepatoesplênico. O tempo mediano entre o transplante e o óbito foi de 16 dias e as principais causas de morte foram infecção (79%), sangramentos graves (14%) e falência de múltiplos órgãos (7%). As células-tronco hematopoéticas foram todas coletadas por método aférico com média do valor de CD34/Kg do receptor de 6,3 × 10⁶. Selecionando 14 pacientes com patologias semelhantes e que apresentaram um desfecho favorável atingindo a enxertia neutrofílica e plaquetária foi observado uma média do valor de CD34/Kg do receptor de 6,6 × 10⁶. Conclusão: a mortalidade pós-transplante permanece multifatorial, sendo predominantemente relacionada a complicações infecciosas e, nos casos analisados, não se observou associação entre os níveis de CD34/Kg e a ocorrência de óbitos. A caracterização do perfil dos óbitos permite identificar oportunidades de melhoria na assistência e fortalecer estratégias de prevenção relacionadas aos pacientes imunossupressos, além de contribuir para o monitoramento de indicadores de qualidade em programas de TMO.
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AB - Introdução: O transplante de medula óssea (TMO) representa uma modalidade terapêutica potencialmente curativa para diversas doenças onco-hematológicas. Apesar dos avanços no suporte clínico, nas estratégias de prevenção de infecções e no manejo da doença do enxerto contra o hospedeiro, a mortalidade relacionada ao transplante permanece um indicador de qualidade assistencial. Objetivo: Analisar o perfil dos pacientes que evoluíram para óbito nos primeiros 60 dias após o TMO em um hospital de alta complexidade de Porto Alegre no Rio Grande do Sul, descrevendo as características clínicas e causas potencialmente associadas ao desfecho. Materiais e métodos: Estudo observacional, retrospectivo, realizado em um centro terciário de alta complexidade onde foram incluídos pacientes submetidos ao TMO entre 01 de janeiro de 2025 e 31 de maio de 2026 que evoluíram para óbito neste período. Foram coletadas informações referentes à idade, sexo, doença de base, tipo de transplante (autólogo ou alogênico), fonte das células-tronco hematopoéticas, cd34 do produto, tempo entre o transplante e o óbito e causa do óbito. Os dados foram analisados por estatística descritiva, sendo apresentados em frequências absolutas e relativas, médias e medianas conforme a distribuição das variáveis. Resultados e discussão: foram realizados 162 TMO no período estudado, dos quais 14 pacientes evoluíram para óbito (8,6%) e desses a mediana de idade foi de 51,5 anos, sendo 64% do sexo masculino. O transplante alogênico correspondeu a 57% dos casos, enquanto 43% foram autólogos. As doenças de base dos pacientes que faleceram foram Leucemia Mieloide Aguda, Leucemia Linfoide Aguda, Leucemia Mielomonocitica Crônica, Leucemia bifenotípica, Linfoma Não Hodgkin, Mieloma Múltiplo e Linfoma de Células T hepatoesplênico. O tempo mediano entre o transplante e o óbito foi de 16 dias e as principais causas de morte foram infecção (79%), sangramentos graves (14%) e falência de múltiplos órgãos (7%). As células-tronco hematopoéticas foram todas coletadas por método aférico com média do valor de CD34/Kg do receptor de 6,3 × 10⁶. Selecionando 14 pacientes com patologias semelhantes e que apresentaram um desfecho favorável atingindo a enxertia neutrofílica e plaquetária foi observado uma média do valor de CD34/Kg do receptor de 6,6 × 10⁶. Conclusão: a mortalidade pós-transplante permanece multifatorial, sendo predominantemente relacionada a complicações infecciosas e, nos casos analisados, não se observou associação entre os níveis de CD34/Kg e a ocorrência de óbitos. A caracterização do perfil dos óbitos permite identificar oportunidades de melhoria na assistência e fortalecer estratégias de prevenção relacionadas aos pacientes imunossupressos, além de contribuir para o monitoramento de indicadores de qualidade em programas de TMO.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -