IMPLANTAÇÃO DE ESTRATÉGIAS PARA AMPLIAÇÃO DA ADESÃO AOS PROTOCOLOS TRANSFUSIONAIS NEONATAIS EM DUAS AGÊNCIAS TRANSFUSIONAIS DE HOSPITAIS PÚBLICOS
- 1Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), Fortaleza, CE, Brasil
- 2Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC), Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará, EBSERH, Fortaleza, CE, Brasil
Abstract
Introdução: A assistência transfusional neonatal utiliza protocolos para reduzir a exposição do recém-nascido aos riscos transfusionais e à espoliação sanguínea. O protocolo de doador único permite a utilização da mesma bolsa de concentrado de hemácias em transfusões subsequentes do mesmo recém-nascido até seu vencimento, reduzindo a exposição a múltiplos doadores. O sangue de cordão umbilical, coletado ao nascimento para avaliação de testes pré-transfusionais, reduz a necessidade de nova coleta periférica. Apesar de institucionalizados, esses protocolos ainda apresentam baixa adesão em alguns serviços. Objetivo: Avaliar o impacto da implantação de estratégias para ampliação da adesão aos protocolos de doador único e sangue de cordão umbilical na assistência transfusional neonatal. Material e métodos: Estudo retrospectivo, de abordagem quantitativa, com delineamento comparativo do tipo antes e depois, realizado em duas agências transfusionais de hospitais públicos com assistência neonatal. No primeiro serviço, o diagnóstico situacional foi realizado entre dezembro de 2020 e dezembro de 2021; no segundo, entre agosto de 2023 e julho de 2024. As intervenções incluíram educação permanente, simulações de atendimento neonatal, implantação de formulário para rastreabilidade das amostras de sangue de cordão umbilical e atuação proativa da Agência Transfusional na identificação de recém-nascidos elegíveis. Os desfechos foram comparados entre o período basal e os 12 meses posteriores às intervenções. Resultados: O diagnóstico situacional evidenciou baixa adesão ao protocolo de doador único, subutilização do sangue de cordão umbilical e ausência de registro padronizado para rastreabilidade das amostras. Após a implantação das estratégias, no primeiro hospital, os recém-nascidos incluídos no protocolo de doador único aumentaram de 11 para 29 (164%), enquanto a utilização do sangue de cordão umbilical passou de nenhuma utilização para 21 unidades. No segundo hospital, os recém-nascidos incluídos no protocolo doador único aumentaram de 12 para 33 (175%) e a utilização do sangue de cordão aumentou de 7 para 22 unidades (214%). Observou-se maior integração entre Agência Transfusional, Obstetrícia e Neonatologia. Discussão: Os resultados demonstram que a existência de protocolos institucionais, isoladamente, não garante sua incorporação à prática assistencial. A limitada disseminação do conhecimento sobre os protocolos contribuiu para a baixa adesão nas duas instituições. No primeiro hospital, o protocolo de sangue de cordão era pouco conhecido; no segundo, embora conhecido, era utilizado de forma esporádica e sem registro padronizado. A dependência da sinalização médica para inclusão no protocolo de doador único limitava a identificação ativa pela Agência Transfusional. Parte do aumento da utilização do sangue de cordão pode refletir a melhoria da rastreabilidade proporcionada pelo formulário, além da ampliação da adesão ao protocolo. A padronização dos processos e a educação permanente fortaleceram a integração entre Agência Transfusional, Obstetrícia e Neonatologia. Conclusão: Conclui-se que as estratégias implementadas ampliaram a adesão aos protocolos transfusionais neonatais e fortaleceram a integração entre a Agência Transfusional e as equipes assistenciais. Os resultados reforçam a importância da educação permanente e da padronização dos processos como estratégias para a qualificação da assistência transfusional neonatal.
Related
- BARREIRAS À DOAÇÃO DE SANGUE E ESTRATÉGIAS PARA AMPLIAÇÃO DA CAPTAÇÃO DE DOADORES: ESTUDO TRANSVERSAL BASEADO EM QUESTIONÁRIO APLICADO À POPULAÇÃO INTRA-HOSPITALAR
- IMPORTÂNCIA DA ADESÃO AOS PROTOCOLOS TRANSFUSIONAIS NA PREVENÇÃO DE REAÇÕES TRANSFUSIONAIS EM PACIENTES ONCO-HEMATOLÓGICOS POLITRANSFUNDIDOS INTERNADOS NA UNIDADE DE ONCOLOGIA E TMO DE UM HOSPITAL PRIVADO DE RECIFE-PE, ENTRE 2024 E 2025
- ALOIMUNIZAÇÃO ANTI-D, ANTI-C E ANTI-E APÓS TRANSFUSÃO DE CONCENTRADO DE PLAQUETAS EM PACIENTE COM SÍNDROME MIELODISPLÁSICA: RELATO DE CASO E IMPLICAÇÕES PARA PROTOCOLOS TRANSFUSIONAIS
- IMPLANTAÇÃO DO PATIENT BLOOD MANAGEMENT (PBM) E SUA INFLUÊNCIA NA CONFORMIDADE DAS REQUISIÇÕES TRANSFUSIONAIS
- A COORDENAÇÃO TÉCNICA HEMOTERÁPICA COMO ELO NA IMPLANTAÇÃO DE AGÊNCIAS TRANSFUSIONAIS: INTEGRAÇÃO MULTIPROFISSIONAL E INTERSETORIAL PARA SEGURANÇA TRANSFUSIONAL
BibTeX
@article{beserra2026implantação,
title = {{IMPLANTAÇÃO DE ESTRATÉGIAS PARA AMPLIAÇÃO DA ADESÃO AOS PROTOCOLOS TRANSFUSIONAIS NEONATAIS EM DUAS AGÊNCIAS TRANSFUSIONAIS DE HOSPITAIS PÚBLICOS}},
author = {Iva Eliane Cezar BESERRA and Claudianne Maia de Farias LIMA and Francisca Diana da Silva NEGREIROS and Elaine Cristina de Oliveira LIMA and Rafaela Caroline Almeida de OLIVEIRA and Natalicia Azevedo SILVA and Ana Paula Nunes CONSTANCIO and Fabiana Carvalho SOUZA and Lilian Monteiro de ALBUQUERQUE},
journal = {Hematology, Transfusion and Cell Therapy},
year = {2026},
month = oct,
doi = {10.1016/j.htct.2026.107372},
url = {https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107372},
note = {CC BY},
}
RIS
TY - JOUR
TI - IMPLANTAÇÃO DE ESTRATÉGIAS PARA AMPLIAÇÃO DA ADESÃO AOS PROTOCOLOS TRANSFUSIONAIS NEONATAIS EM DUAS AGÊNCIAS TRANSFUSIONAIS DE HOSPITAIS PÚBLICOS
AU - Iva Eliane Cezar BESERRA
AU - Claudianne Maia de Farias LIMA
AU - Francisca Diana da Silva NEGREIROS
AU - Elaine Cristina de Oliveira LIMA
AU - Rafaela Caroline Almeida de OLIVEIRA
AU - Natalicia Azevedo SILVA
AU - Ana Paula Nunes CONSTANCIO
AU - Fabiana Carvalho SOUZA
AU - Lilian Monteiro de ALBUQUERQUE
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.107372
UR - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107372
AB - Introdução: A assistência transfusional neonatal utiliza protocolos para reduzir a exposição do recém-nascido aos riscos transfusionais e à espoliação sanguínea. O protocolo de doador único permite a utilização da mesma bolsa de concentrado de hemácias em transfusões subsequentes do mesmo recém-nascido até seu vencimento, reduzindo a exposição a múltiplos doadores. O sangue de cordão umbilical, coletado ao nascimento para avaliação de testes pré-transfusionais, reduz a necessidade de nova coleta periférica. Apesar de institucionalizados, esses protocolos ainda apresentam baixa adesão em alguns serviços. Objetivo: Avaliar o impacto da implantação de estratégias para ampliação da adesão aos protocolos de doador único e sangue de cordão umbilical na assistência transfusional neonatal. Material e métodos: Estudo retrospectivo, de abordagem quantitativa, com delineamento comparativo do tipo antes e depois, realizado em duas agências transfusionais de hospitais públicos com assistência neonatal. No primeiro serviço, o diagnóstico situacional foi realizado entre dezembro de 2020 e dezembro de 2021; no segundo, entre agosto de 2023 e julho de 2024. As intervenções incluíram educação permanente, simulações de atendimento neonatal, implantação de formulário para rastreabilidade das amostras de sangue de cordão umbilical e atuação proativa da Agência Transfusional na identificação de recém-nascidos elegíveis. Os desfechos foram comparados entre o período basal e os 12 meses posteriores às intervenções. Resultados: O diagnóstico situacional evidenciou baixa adesão ao protocolo de doador único, subutilização do sangue de cordão umbilical e ausência de registro padronizado para rastreabilidade das amostras. Após a implantação das estratégias, no primeiro hospital, os recém-nascidos incluídos no protocolo de doador único aumentaram de 11 para 29 (164%), enquanto a utilização do sangue de cordão umbilical passou de nenhuma utilização para 21 unidades. No segundo hospital, os recém-nascidos incluídos no protocolo doador único aumentaram de 12 para 33 (175%) e a utilização do sangue de cordão aumentou de 7 para 22 unidades (214%). Observou-se maior integração entre Agência Transfusional, Obstetrícia e Neonatologia. Discussão: Os resultados demonstram que a existência de protocolos institucionais, isoladamente, não garante sua incorporação à prática assistencial. A limitada disseminação do conhecimento sobre os protocolos contribuiu para a baixa adesão nas duas instituições. No primeiro hospital, o protocolo de sangue de cordão era pouco conhecido; no segundo, embora conhecido, era utilizado de forma esporádica e sem registro padronizado. A dependência da sinalização médica para inclusão no protocolo de doador único limitava a identificação ativa pela Agência Transfusional. Parte do aumento da utilização do sangue de cordão pode refletir a melhoria da rastreabilidade proporcionada pelo formulário, além da ampliação da adesão ao protocolo. A padronização dos processos e a educação permanente fortaleceram a integração entre Agência Transfusional, Obstetrícia e Neonatologia. Conclusão: Conclui-se que as estratégias implementadas ampliaram a adesão aos protocolos transfusionais neonatais e fortaleceram a integração entre a Agência Transfusional e as equipes assistenciais. Os resultados reforçam a importância da educação permanente e da padronização dos processos como estratégias para a qualificação da assistência transfusional neonatal.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -