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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS NA LEISHMANIOSE VISCERAL PEDIÁTRICA: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA

3 more authors
5 affiliations
  1. 1Universidade do Estado do Pará (UEPA), Santarém, PA, Brasil
  2. 2Universidade da Amazônia (UNAMA), Santarém, PA, Brasil
  3. 3Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), Brasília, DF, Brasil
  4. 4Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Santarém, PA, Brasil
  5. 5Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), Santarém, PA, Brasil

Abstract

Introdução: A leishmaniose visceral (LV) é uma doença sistêmica potencialmente fatal e permanece relevante em regiões endêmicas. Na infância, o comprometimento medular, o hiperesplenismo e a resposta inflamatória podem produzir citopenias, agravar a evolução clínica e dificultar o diagnóstico diferencial de outras condições febris e hematológicas. Objetivo: Identificar e sintetizar as alterações hematológicas descritas em crianças de até 12 anos com LV. Métodos: Revisão sistemática conduzida conforme o PRISMA 2020. A pergunta foi estruturada pela estratégia PEO: crianças de 0 a 12 anos (população), LV (exposição) e alterações hematológicas (desfecho). PubMed, Scopus, Web of Science e Biblioteca Virtual em Saúde foram pesquisadas, sem restrição temporal, com descritores MeSH/DeCS e termos livres combinados por operadores booleanos. Incluíram-se estudos originais, em português, inglês ou espanhol, com crianças diagnosticadas com LV e dados hematológicos. Excluíram-se revisões, relatos de caso, editoriais, cartas, teses, dissertações, estudos experimentais e publicações que não respondiam à pergunta. Dois revisores realizaram, de forma independente, a seleção por títulos, resumos e textos completos, resolvendo divergências por consenso. Dos 6.092 registros identificados (PubMed: 2.005; Scopus: 1.013; Web of Science: 1.843; BVS: 1.231), 4.778 duplicatas foram removidas. Após a triagem de 1.314 registros, 22 estudos publicados entre 2000 e 2026 compuseram a síntese narrativa. Resultados e Discussão: Anemia, leucopenia e trombocitopenia constituíram o padrão hematológico predominante nas diferentes populações pediátricas avaliadas, com ocorrência de bicitopenia e pancitopenia nas apresentações mais graves. A anemia foi a alteração mais frequentemente relatada, por vezes com necessidade de suporte transfusional; foram descritos padrões microcíticos e hipocrômico, além de alterações diseritropoiéticas e megaloblásticas na medula óssea. A leucopenia ocorre frequentemente associada à neutropenia e, menos frequentemente, à linfopenia. Em estudos comparativos, crianças com LV apresentaram contagens leucocitárias inferiores às observadas em crianças com outras hipóteses diagnósticas. A trombocitopenia foi recorrente e contagens mais baixas foram observadas em pacientes com complicações sistêmicas, incluindo lesão renal aguda. Nos quadros de síndrome hemofagocítica secundária à LV, destacaram-se pancitopenia, hemofagocitose medular e hiperferritinemia. A heterogeneidade dos critérios laboratoriais e dos desenhos dos estudos impediu estimativas quantitativas combinadas. Conclusão: A tríade anemia, leucopenia e trombocitopenia caracteriza o principal perfil hematológico descrito na LV pediátrica e pode progredir para pancitopenia em apresentações graves. O hemograma, por ser acessível e de baixo custo, pode contribuir para a suspeição diagnóstica, a avaliação da gravidade e o acompanhamento clínico, mas as evidências disponíveis não permitem estabelecer isoladamente a acurácia diagnóstica ou o valor prognóstico dessas alterações. A heterogeneidade metodológica e a escassez de estudos na Região Norte do Brasil sustentam a necessidade de pesquisas multicêntricas, com critérios hematológicos padronizados e análise de desfechos clínicos.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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