CAR-T NO BRASIL: PANORAMA DE APROVAÇÕES, RESULTADOS CLINICOS E POSSIBILIDADE DE ACESSIBILIDADE NO SUS
- 1Centro Universitário Metropolitano da Amazônia (UNIFAMAZ), Belém, PA, Brasil
Abstract
Introdução: A terapia CAR-T consiste na modificação genética do linfócito T para expressão de receptores quiméricos de antígeno (CAR), capazes de reconhecer antígenos tumorais de forma independente do MHC, superando um dos principais mecanismos de escape tumoral. Após a modificação, os linfócitos são direcionados contra antígenos específicos, como CD19 em neoplasias de células B e BCMA em mieloma múltiplo. No Brasil, a ANVISA aprovou em 2022 o uso de Tisagenlecleucel (Kymriah) para LLA refratária em pacientes com até 25 anos, e o Axicabtagene ciloleucel (Yescarta®) para linfoma folicular e linfoma difuso de grandes células B, em pacientes adultos. Objetivos: Analisar o avanço e a acessibilidade do CAR-T no contexto brasileiro, com foco nos resultados clínicos, desafios de implementação e sua integração ao Sistema Único de Saúde. Metodologia: Revisão narrativa da literatura, com busca na base PubMed e SciELO, além de documentos institucionais e periódicos, publicados de 2022 a 2025. Foram incluídos estudos sobre eficácia, segurança e aplicabilidade da terapia em neoplasias hematológicas refratárias, bem como seus desafios de entrada ao sistema de saúde brasileiro. Resultados: Nos ensaios clínicos pivotais do Yescarta, o estudo ZUMA-1 demonstrou taxa de resposta de 83%, com remissão completa em 58% dos pacientes e sobrevida global estimada em 5 anos de 42,6%. No ZUMA-5, pacientes com linfoma folicular refratário apresentaram taxa de resposta global de 94% e média de sobrevida livre de progressão de 40,2 meses. No ZUMA-7, o tratamento resultou em sobrevida global superior a tratamento padrão: 54,6% versus 46% em 4 anos. A síndrome de liberação de citocinas ocorreu em 90% dos pacientes e toxicidade neurológica em 78%, ambas manejáveis com corticoides e tocilizumabe. Apesar do bom desempenho em neoplasias hematológicas, a terapia apresenta limitações em tumores sólidos, devido à falta de antígenos específicos, ao microambiente tumoral imunossupressor e barreiras físicas. Em relação à incorporação ao SUS, destacam-se barreiras como o alto custo, a necessidade de profissionais altamente capacitados, complexidade logística e a concentração de centros aprovados na região Sudeste e Sul. No entanto, iniciativas de produção nacional demonstram viabilidade para desenvolvimento local da terapia e podem contribuir para maior acessibilidade. Conclusão: O CAR-T apresenta potencial terapêutico no tratamento de neoplasias refratárias, com taxas de respostas superiores a 83% nos ensaios pivotais e sobrevida global favorável, e perfil de segurança manejável. Apesar de limitações em tumores sólidos, do alto custo e de barreiras estruturais, a produção nacional e ampliação de centros aprovados pela ANVISA podem favorecer sua futura incorporação ao SUS.
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RIS
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AU - Luiz Vinicius AMORIM FAVACHO
PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: A terapia CAR-T consiste na modificação genética do linfócito T para expressão de receptores quiméricos de antígeno (CAR), capazes de reconhecer antígenos tumorais de forma independente do MHC, superando um dos principais mecanismos de escape tumoral. Após a modificação, os linfócitos são direcionados contra antígenos específicos, como CD19 em neoplasias de células B e BCMA em mieloma múltiplo. No Brasil, a ANVISA aprovou em 2022 o uso de Tisagenlecleucel (Kymriah) para LLA refratária em pacientes com até 25 anos, e o Axicabtagene ciloleucel (Yescarta®) para linfoma folicular e linfoma difuso de grandes células B, em pacientes adultos. Objetivos: Analisar o avanço e a acessibilidade do CAR-T no contexto brasileiro, com foco nos resultados clínicos, desafios de implementação e sua integração ao Sistema Único de Saúde. Metodologia: Revisão narrativa da literatura, com busca na base PubMed e SciELO, além de documentos institucionais e periódicos, publicados de 2022 a 2025. Foram incluídos estudos sobre eficácia, segurança e aplicabilidade da terapia em neoplasias hematológicas refratárias, bem como seus desafios de entrada ao sistema de saúde brasileiro. Resultados: Nos ensaios clínicos pivotais do Yescarta, o estudo ZUMA-1 demonstrou taxa de resposta de 83%, com remissão completa em 58% dos pacientes e sobrevida global estimada em 5 anos de 42,6%. No ZUMA-5, pacientes com linfoma folicular refratário apresentaram taxa de resposta global de 94% e média de sobrevida livre de progressão de 40,2 meses. No ZUMA-7, o tratamento resultou em sobrevida global superior a tratamento padrão: 54,6% versus 46% em 4 anos. A síndrome de liberação de citocinas ocorreu em 90% dos pacientes e toxicidade neurológica em 78%, ambas manejáveis com corticoides e tocilizumabe. Apesar do bom desempenho em neoplasias hematológicas, a terapia apresenta limitações em tumores sólidos, devido à falta de antígenos específicos, ao microambiente tumoral imunossupressor e barreiras físicas. Em relação à incorporação ao SUS, destacam-se barreiras como o alto custo, a necessidade de profissionais altamente capacitados, complexidade logística e a concentração de centros aprovados na região Sudeste e Sul. No entanto, iniciativas de produção nacional demonstram viabilidade para desenvolvimento local da terapia e podem contribuir para maior acessibilidade. Conclusão: O CAR-T apresenta potencial terapêutico no tratamento de neoplasias refratárias, com taxas de respostas superiores a 83% nos ensaios pivotais e sobrevida global favorável, e perfil de segurança manejável. Apesar de limitações em tumores sólidos, do alto custo e de barreiras estruturais, a produção nacional e ampliação de centros aprovados pela ANVISA podem favorecer sua futura incorporação ao SUS.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -