TCF3::PBX1 COMO POTENCIAL PREDITOR DE TOXICIDADE INFECCIOSA NA LLA-B PEDIÁTRICA EM UMA POPULAÇÃO MISCIGENADA DA AMAZÔNIA BRASILEIRA
5 affiliations
- 1Hospital Oncológico Infantil Octavio Lobo, Belém, PA, Brasil
- 2Centro Universitário do Estado do Pará, Belém, PA, Brasil
- 3Universidade Federal do Pará, Belém, PA, Brasil
- 4Universidade Federal do Oeste do Pará, Belém, PA, Brasil
- 5Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, Brasil
Abstract
Introdução: A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é a neoplasia infantil mais frequente na região Norte do Brasil, com percentuais proporcionalmente superiores aos de outras regiões do país. A LLA-B, tipo mais frequente, se caracteriza como uma doença heterogênea geneticamente, com 13 subtipos moleculares atualmente validados. As estratégias terapêuticas utilizadas no Brasil são baseadas em populações mais homogêneas que aquelas atendidas no norte do país, que apresentam maior ancestralidade indígena. Pacientes desta população apresentam altos índices de toxicidade em comparação com dados descritos na literatura, com frequentes interrupções dos ciclos de quimioterapia, influenciando a adesão ao tratamento e o desfecho. Objetivo: Investigar a associação entre subtipos genéticos da LLA-B (com fusão BCR::ABL, ETV6::RUNX1, KMT2A::AFF1 ou TCF3::PBX1) e as principais toxicidades e desfechos relacionados ao tratamento. Material e métodos: RNA de 100 amostras biológicas foi extraído com RNAeasy (Qiagen), convertido para cDNA com o uso do High Capacity Kit (Applied Biosystems). A amplificação de alvos moleculares (e genes para controle) por RT-PCR foi realizada com o kit GoTaq (Promega). As análises entre características moleculares e clínicas/desfechos foram realizadas por teste de qui-quadrado (p-valor ≤ 0,05) e Odds Ratio. Resultados: Dados por RT-PCR evidenciaram que 41% dos pacientes apresentavam alguma fusão, onde TCF3::PBX1 aparece como a predominante. No presente estudo, a relevante maioria das crianças com LLA desenvolveu alguma toxicidade durante o tratamento. Entre as toxicidades avaliadas (infecciosa, hematológica, gastrointestinal e neurológica), a mais prevalente foi a toxicidade infecciosa. Notadamente, o subtipo TCF3::PBX1 foi associado à toxicidade infecciosa (p=0,037), em que pacientes com esta fusão apresentam chance aproximadamente sete vezes maior de ter este tipo de toxicidade (OR=7,26), quando comparados a pacientes sem a presença desta fusão. Toxicidade do SNC e maiores taxas de óbito foram mais frequentemente encontradas associadas a esta fusão, contudo, de maneira inconclusiva estatisticamente (p=0,069 e p=0,053, respectivamente). Discussão: Estudos prévios investigando essa fusão gênica em países da América Latina, identificaram padrões diferentes de incidência em relação ao nosso estudo, como no México, TCF3::PBX1 foi a segunda fusão mais frequente e na Argentina, a terceira. Em um estudo realizado na China, a fusão TCF3::PBX1 foi associada à toxicidade, ocorrendo 13 mortes no período de remissão. A associação observada pode ser justificada pela alteração do transcriptoma linfocitário dependente de TCF3, modulador da maturação de células B e da competência humoral. Estes dados realçam a necessidade de investigação da singularidade genética de diferentes populações, principalmente as com alto grau de miscigenação, como a do presente estudo. Conclusão: Este estudo evidenciou uma associação importante entre a fusão TCF3::PBX1 e a toxicidade infecciosa, além de uma possível relação com toxicidade neurológica e óbito. Estes resultados sinalizam o potencial de uma abordagem diagnóstica personalizada voltada à monitorização preventiva da toxicidade, possibilitando a adoção precoce de medidas preventivas sem comprometer a eficácia terapêutica e contribuindo para a melhoria dos desfechos clínicos.
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
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AB - Introdução: A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é a neoplasia infantil mais frequente na região Norte do Brasil, com percentuais proporcionalmente superiores aos de outras regiões do país. A LLA-B, tipo mais frequente, se caracteriza como uma doença heterogênea geneticamente, com 13 subtipos moleculares atualmente validados. As estratégias terapêuticas utilizadas no Brasil são baseadas em populações mais homogêneas que aquelas atendidas no norte do país, que apresentam maior ancestralidade indígena. Pacientes desta população apresentam altos índices de toxicidade em comparação com dados descritos na literatura, com frequentes interrupções dos ciclos de quimioterapia, influenciando a adesão ao tratamento e o desfecho. Objetivo: Investigar a associação entre subtipos genéticos da LLA-B (com fusão BCR::ABL, ETV6::RUNX1, KMT2A::AFF1 ou TCF3::PBX1) e as principais toxicidades e desfechos relacionados ao tratamento. Material e métodos: RNA de 100 amostras biológicas foi extraído com RNAeasy (Qiagen), convertido para cDNA com o uso do High Capacity Kit (Applied Biosystems). A amplificação de alvos moleculares (e genes para controle) por RT-PCR foi realizada com o kit GoTaq (Promega). As análises entre características moleculares e clínicas/desfechos foram realizadas por teste de qui-quadrado (p-valor ≤ 0,05) e Odds Ratio. Resultados: Dados por RT-PCR evidenciaram que 41% dos pacientes apresentavam alguma fusão, onde TCF3::PBX1 aparece como a predominante. No presente estudo, a relevante maioria das crianças com LLA desenvolveu alguma toxicidade durante o tratamento. Entre as toxicidades avaliadas (infecciosa, hematológica, gastrointestinal e neurológica), a mais prevalente foi a toxicidade infecciosa. Notadamente, o subtipo TCF3::PBX1 foi associado à toxicidade infecciosa (p=0,037), em que pacientes com esta fusão apresentam chance aproximadamente sete vezes maior de ter este tipo de toxicidade (OR=7,26), quando comparados a pacientes sem a presença desta fusão. Toxicidade do SNC e maiores taxas de óbito foram mais frequentemente encontradas associadas a esta fusão, contudo, de maneira inconclusiva estatisticamente (p=0,069 e p=0,053, respectivamente). Discussão: Estudos prévios investigando essa fusão gênica em países da América Latina, identificaram padrões diferentes de incidência em relação ao nosso estudo, como no México, TCF3::PBX1 foi a segunda fusão mais frequente e na Argentina, a terceira. Em um estudo realizado na China, a fusão TCF3::PBX1 foi associada à toxicidade, ocorrendo 13 mortes no período de remissão. A associação observada pode ser justificada pela alteração do transcriptoma linfocitário dependente de TCF3, modulador da maturação de células B e da competência humoral. Estes dados realçam a necessidade de investigação da singularidade genética de diferentes populações, principalmente as com alto grau de miscigenação, como a do presente estudo. Conclusão: Este estudo evidenciou uma associação importante entre a fusão TCF3::PBX1 e a toxicidade infecciosa, além de uma possível relação com toxicidade neurológica e óbito. Estes resultados sinalizam o potencial de uma abordagem diagnóstica personalizada voltada à monitorização preventiva da toxicidade, possibilitando a adoção precoce de medidas preventivas sem comprometer a eficácia terapêutica e contribuindo para a melhoria dos desfechos clínicos.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -