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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

BLINATUMOMABE EM PRIMEIRA LINHA NA LLA-B PEDIÁTRICA: UMA ESTRATÉGIA EFICAZ NOS CENÁRIOS DE TOXICIDADE GRAVE NA TERAPIA CONVENCIONAL

  1. 1Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP, Brasil
  2. 2Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), Recife, PE, Brasil
  3. 3Hospital Beneficência Portuguesa, São Paulo, SP, Brasil

Abstract

Introdução: A incorporação do blinatumomabe à primeira linha da LLA-B pediátrica é uma das principais mudanças terapêuticas da última década, respaldada pelos estudos COG AALL1731 e AIEOP-BFM 2017. No Brasil, sob o GBTLI LLA 2021, seu uso em primeira linha ainda é incipiente, sobretudo como resgate diante da inviabilidade da quimioterapia citotóxica por toxicidade grave, cenário pouco descrito e potencialmente inovador. Objetivo: Descrever série de três casos de LLA-B pediátrica tratados sob o GBTLI LLA 2021, nos quais o blinatumomabe foi incorporado em primeira linha como consolidação pré-D49 diante de toxicidade grave impeditiva da quimioterapia convencional, com ênfase na resposta molecular e segurança do esquema. Relato dos casos: Três meninos, mediana de idade 2,7 anos, de 1a11m a 13a, dois com LLA-B comum e um pré-B, com punção lombar traumática sem blastos, foram tratados sob o GBTLI LLA 2021. Caso 1, risco inicial intermediário, com a 2ª fase indutória inviabilizada por síndrome hemofagocítica secundária, com choque séptico de foco abdominal, insuficiência renal dialítica e disfunção biventricular. O blinatumomabe substituiu a fase citotóxica; DRM por citometria de fluxo (CF) de 0,1% pós-blinatumomabe, porém inferior a 0,01% após MTX-HD na consolidação seguinte. Caso 2, alto risco, DRM de 5,48% no D19: consolidação interrompida por complicação cirúrgica abdominal, com microperfurações colônicas, peritonite e fístula, em paciente desnutrido. O blinatumomabe foi suspenso precocemente por neurotoxicidade dose-limitante, com crises e ICANS; DRM inferior a 0,01%, após recuperação clínica e retomada com MTX e mercaptopurina. Caso 3, com lesão de partes moles extradural craniana, DRM CF de 35% no D19, alto risco: MTX-HD inviabilizado por candidíase hepatoesplênica disseminada, exigindo esplenectomia de urgência. Indicação híbrida, poupando mielotoxicidade e tratando DRM de 0,34%; resposta profunda, com DRM inferior a 0,01% já no D14 do primeiro ciclo, atribuível ao blinatumomabe, em três ciclos bem tolerados. Todos alcançaram remissão morfológica no D49; apenas o Caso 2, limitado pela toxicidade ao blinatumomabe, obteve DRM inferior a 0,01% após retomada da quimioterapia de consolidação, pela impossibilidade de manter o fármaco. Não houve recaída, TCTH ou óbito. Discussão: A série ilustra o uso pioneiro do blinatumomabe em primeira linha no cenário brasileiro, motivado pela inviabilidade da quimioterapia frente a toxicidades infecciosa, cirúrgica e fúngica, não pela DRM isoladamente. Os achados convergem com o COG AALL1731 e o AIEOP-BFM 2017, que mostraram maior profundidade de resposta e menor risco de recaída com blinatumomabe na consolidação, além de menor toxicidade hematológica cumulativa. O Caso 2 é o contraponto de segurança, com neurotoxicidade dose-limitante que exigiu suspensão definitiva. Conclusão: O uso do blinatumomabe em primeira linha, como alternativa de consolidação para linhagem B, dentro do GBTLI LLA 2021, mostrou-se estratégia inovadora e eficaz no cenário brasileiro, com resposta molecular profunda e desfechos favoráveis mesmo diante de toxicidade grave que inviabilizaria a quimioterapia convencional. A neurotoxicidade dose-limitante em um caso reforça a vigilância individualizada. A incorporação da imunoterapia em primeira linha agrega maior profundidade de resposta, sobretudo em complicações infecciosas, metabólicas e cirúrgicas, sem comprometer o prognóstico ou o risco de recaída.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -