REATIVIDADE DOS TESTES SOROLÓGICOS REALIZADOS ANTES DA TRANSFUSÃO EM RECEPTORES DE HEMOCOMPONENTES: ANÁLISE DE UMA SÉRIE HISTÓRICA DE 2020 A 2026
- 1Grupo Gestor de Hemoterapia (GSH), São Paulo, SP, Brasil
- 2Hospital São Camilo, São Paulo, SP, Brasil
Abstract
Introdução: A segurança transfusional está associada a diversas barreiras, incluindo hemovigilância além da caracterização clínica e laboratorial do receptor. Apesar do extenso direcionamento da literatura à triagem de doadores, a análise de marcadores infecciosos em receptores permanece pouco estudada. A avaliação do estado sorológico basal possibilita caracterizar o perfil epidemiológico dos pacientes atendidos e subsidiar a investigação de possíveis infecções associadas à transfusão. Objetivo: Analisar os resultados dos testes sorológicos para HIV, HCV e HBsAg realizados no período pré-transfusional entre janeiro de 2020 e maio de 2026, discutindo sua contribuição para a hemovigilância. Material e métodos: Estudo observacional, retrospectivo, descritivo e analítico, baseado em registros laboratoriais de testes sorológicos obtidos de indivíduos candidatos à transfusão de hemocomponentes. Foram incluídos exames para HIV, HCV e HBsAg realizados entre janeiro de 2020 e maio de 2026. A unidade de análise foi o teste laboratorial. Foram avaliados o número total de exames, a frequência de resultados reagentes e Gray Zone, bem como sua distribuição temporal. Resultados: Foram analisados 115.222 testes, dos quais 715 (0,62%) apresentaram resultado reagente e 69 (0,06%) foram classificados como Gray Zone. Notou-se redução progressiva da taxa de reatividade ao longo do período estudado, de 0,88% em 2020 para 0,40% em 2025, com 0,64% no período parcial de 2026. Tanto o HCV quanto o HBsAg demonstraram consistente tendência de redução da positividade ao longo dos anos. A positividade para HIV manteve-se relativamente estável durante todo o período analisado. A frequência de resultados classificados como Gray Zone permaneceu baixa em toda a série histórica, com discreto aumento para HCV em 2025, constatação que merece investigação quanto a possíveis fatores metodológicos e analíticos. Discussão: Os achados reforçam a importância da documentação sorológica pré-transfusional como informação basal do receptor, podendo contribuir para a caracterização epidemiológica institucional e para a investigação de suspeitas de transmissão transfusional. Existem diversos fatores que contribuem para o resultado de Gray Zone, variando desde a metodologia de imunoensaios até condições clínicas. Diante das limitações do estudo retrospectivo, deve-se levar em conta o fato de a unidade de análise corresponder ao número de testes, não necessariamente ao número de pacientes. Conclusão: Os resultados dos testes sorológicos pré-transfusionais permitiram caracterizar o perfil epidemiológico da população. Esses dados podem contribuir para a hemovigilância institucional e subsidiar futuras investigações de eventos infecciosos relacionados à transfusão.
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AB - Introdução: A segurança transfusional está associada a diversas barreiras, incluindo hemovigilância além da caracterização clínica e laboratorial do receptor. Apesar do extenso direcionamento da literatura à triagem de doadores, a análise de marcadores infecciosos em receptores permanece pouco estudada. A avaliação do estado sorológico basal possibilita caracterizar o perfil epidemiológico dos pacientes atendidos e subsidiar a investigação de possíveis infecções associadas à transfusão. Objetivo: Analisar os resultados dos testes sorológicos para HIV, HCV e HBsAg realizados no período pré-transfusional entre janeiro de 2020 e maio de 2026, discutindo sua contribuição para a hemovigilância. Material e métodos: Estudo observacional, retrospectivo, descritivo e analítico, baseado em registros laboratoriais de testes sorológicos obtidos de indivíduos candidatos à transfusão de hemocomponentes. Foram incluídos exames para HIV, HCV e HBsAg realizados entre janeiro de 2020 e maio de 2026. A unidade de análise foi o teste laboratorial. Foram avaliados o número total de exames, a frequência de resultados reagentes e Gray Zone, bem como sua distribuição temporal. Resultados: Foram analisados 115.222 testes, dos quais 715 (0,62%) apresentaram resultado reagente e 69 (0,06%) foram classificados como Gray Zone. Notou-se redução progressiva da taxa de reatividade ao longo do período estudado, de 0,88% em 2020 para 0,40% em 2025, com 0,64% no período parcial de 2026. Tanto o HCV quanto o HBsAg demonstraram consistente tendência de redução da positividade ao longo dos anos. A positividade para HIV manteve-se relativamente estável durante todo o período analisado. A frequência de resultados classificados como Gray Zone permaneceu baixa em toda a série histórica, com discreto aumento para HCV em 2025, constatação que merece investigação quanto a possíveis fatores metodológicos e analíticos. Discussão: Os achados reforçam a importância da documentação sorológica pré-transfusional como informação basal do receptor, podendo contribuir para a caracterização epidemiológica institucional e para a investigação de suspeitas de transmissão transfusional. Existem diversos fatores que contribuem para o resultado de Gray Zone, variando desde a metodologia de imunoensaios até condições clínicas. Diante das limitações do estudo retrospectivo, deve-se levar em conta o fato de a unidade de análise corresponder ao número de testes, não necessariamente ao número de pacientes. Conclusão: Os resultados dos testes sorológicos pré-transfusionais permitiram caracterizar o perfil epidemiológico da população. Esses dados podem contribuir para a hemovigilância institucional e subsidiar futuras investigações de eventos infecciosos relacionados à transfusão.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
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