Skip to content
DraconiticResearch
Search Sources API
186,125 studies31 sourcesUpdated 54 min ago
Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

PRINCIPAIS CUIDADOS REALIZADOS PELA EQUIPE DE ENFERMAGEM DURANTE OS PROTOCOLOS DE CONDICIONAMENTO NO TRANSPLANTE DE CÉLULAS TRONCO HEMATOPOÉTICAS AUTÓLOGO EM PEDIATRIA

  1. 1Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Porto Alegre, RS, Brasil

Abstract

O transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) pode ser utilizado no tratamento de doenças oncológicas malignas. É classificado em autólogo (células-tronco do próprio paciente) e alogênico (células-tronco de doador). Apresenta elevado risco de morbimortalidade, demandando assistência especializada e monitorização contínua. Previamente ao transplante autólogo, o paciente é submetido ao regime de condicionamento, constituído por quimioterapia em alta dose, que reduz a carga tumoral residual, promove a imunossupressão e prepara a medula óssea para o enxerto das células-tronco, sendo fundamental sua compreensão. Objetivos: Identificar os principais cuidados realizados pela equipe de enfermagem no condicionamento para TCTH Autólogo em pediatria. Método: Estudo descritivo de relato de experiência, realizado por enfermeiras de uma unidade de oncologia pediátrica de um hospital universitário do sul do Brasil. Foram analisados os prontuários de pacientes pediátricos submetidos ao TCTH autólogo no período de janeiro de 2022 a junho de 2026. Resultados: No período analisado, foram realizados 38 TCTH autólogos. A faixa etária dos pacientes variou de 2 a 21 anos com predominância do sexo masculino (n=22) e média de internação de 62 dias. Entre os diagnósticos primários, destacaram-se neuroblastoma (n=15) e meduloblastoma (n=4). Em relação aos protocolos de condicionamento, observou-se a prevalência do esquema Bussulfano associado ao Melfalano em 48% dos casos (n=12), geralmente para neuroblastoma, enquanto a combinação de Carboplatina, Etoposído e Tiotepa respondeu por 24% dos tratamentos (n=6), para meduloblastoma. Quanto aos principais cuidados realizados no condicionamento, destacaram-se: prevenção e manejo da toxicidade cutânea (com rigor em rotinas de banho e higiene para neutralizar efeitos da Tiotepa); suporte gastrointestinal e higiene oral preventiva/terapêutica para a mucosite; vigilância intensiva para detecção precoce da Síndrome de Obstrução Sinusoidal (SOS), mediante balanço hídrico rigoroso, avaliação diária do perímetro abdominal e monitoramento da dor abdominal. Discussão: Os resultados deste estudo evidenciam que o TCTH Autólogo em pediatria exige cuidados especializados, considerando a complexidade do procedimento e a vulnerabilidade da população atendida. Para além do manejo das toxicidades específicas dos quimioterápicos de condicionamento, a assistência abrange também acolhimento e suporte emocional durante o processo, além de suporte nutricional intensivo. A manutenção da terapia enteral (via sonda nasogástrica ou nasoentérica) requer vigilância constante quanto à verificação do posicionamento, prevenção de obstruções e controle do gotejamento. Em quadros de maior gravidade, a indicação de Nutrição Parenteral Total (NPT) exige o uso de via exclusiva em cateter central, manipulada sob rigorosa técnica asséptica. Nesse contexto, o manejo adequado dos dispositivos venosos centrais revela-se crítico para prevenir infecções de corrente sanguínea em pacientes neutropênicos e imunossuprimidos. Conclusão: A atuação da equipe de enfermagem é fundamental para a execução segura dos protocolos de condicionamento realizados no TCTH. Por isso, prestar assistência sistematizada e especializada, sobretudo quando associada a esquemas específicos de condicionamento pediátrico, torna o cuidado de enfermagem essencial para o alcance de desfechos bem-sucedidos em um procedimento com alto grau de complexidade e morbimortalidade.

Related

  1. CORRELAÇÃO ENTRE PROTOCOLO DE CONDICIONAMENTO E DOENÇA DE BASE COMO DETERMINANTES DA GRAVIDADE DA MUCOSITE ORAL NO TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA
    Anna Paula Natividade de Almeida GONÇALVES
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  2. COMPARANDO O TRANSPLANTE AUTÓLOGO COM TERAPIA GÊNICA E O TRANSPLANTE ALOGÉNICO DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS EM PACIENTES ADULTOS COM ANEMIA FALCIFORME HBSS: RISCOS E DESFECHOS
    Ilana Dos Santos Souza FIGUêIREDO, Larissa Cardozo Camardelli Sento Sé
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  3. PERFIL SOROLÓGICO PARA CITOMEGALOVÍRUS EM DOADORES DE CÉLULAS PROGENITORAS HEMATOPOÉTICAS PARA TRANSPLANTE ALOGÊNICO NO PERÍODO DE JANEIRO A JUNHO DE 2026
    Nayara Moya Rios VALE, Carine Prisco ARNONI, Rafael Martins PARREIRA +5
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEpidemiology & public healthDOAJ
  4. PARVOVÍRUS B19 MIMETIZANDO SÍNDROME DE STEVENS-JOHNSON APÓS TRANSPLANTE ALOGÊNICO DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS: UM DESAFIO DIAGNÓSTICO
    Luna Silva LIMA, Jofran Martins DA SILVA, Pâmeli Kamel LOPEZ +2
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textInfectious diseaseDOAJ
  5. DOENÇA DO ENXERTO CONTRA O HOSPEDEIRO CRÔNICA ORAL GRAVE E INFECÇÃO PERSISTENTE POR HSV-1 APÓS TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS: UM DESAFIO DIAGNÓSTICO
    Laís BONATTO ZAWADNIAK, Brunna ELOY COSTA, Susel Maria SANCHEZ PAZ +2
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
BibTeX
@article{engel2026principais,
  title = {{PRINCIPAIS CUIDADOS REALIZADOS PELA EQUIPE DE ENFERMAGEM DURANTE OS PROTOCOLOS DE CONDICIONAMENTO NO TRANSPLANTE DE CÉLULAS TRONCO HEMATOPOÉTICAS AUTÓLOGO EM PEDIATRIA}},
  author = {Andreia Engel BOM and Julia Martha PINTO and Manuela Caroline DA SILVA and Vivian Raquel Krauspenhar HOFFMANN and Sara Raquel KUNTZ},
  journal = {Hematology, Transfusion and Cell Therapy},
  year = {2026},
  month = oct,
  doi = {10.1016/j.htct.2026.108160},
  url = {https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.108160},
  note = {CC BY},
}
RIS
TY  - JOUR
TI  - PRINCIPAIS CUIDADOS REALIZADOS PELA EQUIPE DE ENFERMAGEM DURANTE OS PROTOCOLOS DE CONDICIONAMENTO NO TRANSPLANTE DE CÉLULAS TRONCO HEMATOPOÉTICAS AUTÓLOGO EM PEDIATRIA
AU  - Andreia Engel BOM
AU  - Julia Martha PINTO
AU  - Manuela Caroline DA SILVA
AU  - Vivian Raquel Krauspenhar HOFFMANN
AU  - Sara Raquel KUNTZ
PY  - 2026
DA  - 2026/10/23
JO  - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO  - 10.1016/j.htct.2026.108160
UR  - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.108160
AB  - O transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) pode ser utilizado no tratamento de doenças oncológicas malignas. É classificado em autólogo (células-tronco do próprio paciente) e alogênico (células-tronco de doador). Apresenta elevado risco de morbimortalidade, demandando assistência especializada e monitorização contínua. Previamente ao transplante autólogo, o paciente é submetido ao regime de condicionamento, constituído por quimioterapia em alta dose, que reduz a carga tumoral residual, promove a imunossupressão e prepara a medula óssea para o enxerto das células-tronco, sendo fundamental sua compreensão. Objetivos: Identificar os principais cuidados realizados pela equipe de enfermagem no condicionamento para TCTH Autólogo em pediatria. Método: Estudo descritivo de relato de experiência, realizado por enfermeiras de uma unidade de oncologia pediátrica de um hospital universitário do sul do Brasil. Foram analisados os prontuários de pacientes pediátricos submetidos ao TCTH autólogo no período de janeiro de 2022 a junho de 2026. Resultados: No período analisado, foram realizados 38 TCTH autólogos. A faixa etária dos pacientes variou de 2 a 21 anos com predominância do sexo masculino (n=22) e média de internação de 62 dias. Entre os diagnósticos primários, destacaram-se neuroblastoma (n=15) e meduloblastoma (n=4). Em relação aos protocolos de condicionamento, observou-se a prevalência do esquema Bussulfano associado ao Melfalano em 48% dos casos (n=12), geralmente para neuroblastoma, enquanto a combinação de Carboplatina, Etoposído e Tiotepa respondeu por 24% dos tratamentos (n=6), para meduloblastoma. Quanto aos principais cuidados realizados no condicionamento, destacaram-se: prevenção e manejo da toxicidade cutânea (com rigor em rotinas de banho e higiene para neutralizar efeitos da Tiotepa); suporte gastrointestinal e higiene oral preventiva/terapêutica para a mucosite; vigilância intensiva para detecção precoce da Síndrome de Obstrução Sinusoidal (SOS), mediante balanço hídrico rigoroso, avaliação diária do perímetro abdominal e monitoramento da dor abdominal. Discussão: Os resultados deste estudo evidenciam que o TCTH Autólogo em pediatria exige cuidados especializados, considerando a complexidade do procedimento e a vulnerabilidade da população atendida. Para além do manejo das toxicidades específicas dos quimioterápicos de condicionamento, a assistência abrange também acolhimento e suporte emocional durante o processo, além de suporte nutricional intensivo. A manutenção da terapia enteral (via sonda nasogástrica ou nasoentérica) requer vigilância constante quanto à verificação do posicionamento, prevenção de obstruções e controle do gotejamento. Em quadros de maior gravidade, a indicação de Nutrição Parenteral Total (NPT) exige o uso de via exclusiva em cateter central, manipulada sob rigorosa técnica asséptica. Nesse contexto, o manejo adequado dos dispositivos venosos centrais revela-se crítico para prevenir infecções de corrente sanguínea em pacientes neutropênicos e imunossuprimidos. Conclusão: A atuação da equipe de enfermagem é fundamental para a execução segura dos protocolos de condicionamento realizados no TCTH. Por isso, prestar assistência sistematizada e especializada, sobretudo quando associada a esquemas específicos de condicionamento pediátrico, torna o cuidado de enfermagem essencial para o alcance de desfechos bem-sucedidos em um procedimento com alto grau de complexidade e morbimortalidade.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -