TRANSFUSÃO DE HEMOCOMPONENTES EM PACIENTES ONCOLÓGICOS SOB CUIDADOS PALIATIVOS: PERFIL TRANSFUSIONAL E DESFECHOS CLÍNICOS
- 1Hospital Municipal Gilson de Cássia Marques de Carvalho, São Paulo, SP, Brasil
Abstract
Introdução: A anemia é frequente em pacientes oncológicos avançados e em cuidados paliativos, estando associada à fadiga, dispneia, piora funcional e redução da qualidade de vida. A transfusão de concentrado de hemácias é utilizada como estratégia de suporte sintomático; entretanto, a literatura demonstra resposta clínica variável, com benefício subjetivo descrito entre 31% e 70% dos casos, geralmente por período inferior a duas semanas. Estudos também apontam elevada mortalidade precoce após a transfusão, com 23% a 35% dos pacientes evoluindo a óbito em até 14 dias, reforçando a necessidade de indicação individualizada, alinhada aos sintomas, prognóstico e objetivos de cuidado. Objetivos: Analisar o perfil transfusional de pacientes oncológicos em cuidados paliativos atendidos por uma agência transfusional hospitalar, descrevendo características demográficas, parâmetros laboratoriais, frequência transfusional e desfechos clínicos. Material e métodos: Estudo retrospectivo, descritivo e observacional realizado na Agência Transfusional do Hospital Municipal Gilson de Cassia Marques de Carvalho. Foram avaliados episódios transfusionais de pacientes oncológicos em cuidados paliativos entre dezembro de 2025 e maio de 2026. As variáveis analisadas incluíram idade, sexo, tipo de neoplasia, prioridade da solicitação, Hb pré e pós-transfusional, hemocomponente utilizado, necessidade de nova transfusão e intervalo entre transfusão e óbito. Foi realizada análise estatística descritiva. Resultados: Foram avaliados 101 episódios transfusionais correspondentes a 47 pacientes, totalizando 109 bolsas solicitadas. A mediana de idade foi de 60 anos (23–96 anos), com predominância do sexo feminino (58,4%) e de neoplasias sólidas (96,0%). O concentrado de hemácias foi o hemocomponente mais utilizado, representando 98,0% dos episódios transfusionais. Solicitações de rotina corresponderam a 76,2% dos episódios e as de urgência a 23,8%. A mediana da hemoglobina pré-transfusional foi de 6,4 g/dL (4,7–7,5 g/dL). Em 97 episódios (98,0%), a hemoglobina pré-transfusional foi inferior a 7,0 g/dL. A hemoglobina pós-transfusional estava disponível em 73 episódios, com incremento mediano de 1,2 g/dL. Houve necessidade de nova transfusão em 58 episódios (57,4%). Entre os casos com informação disponível sobre óbito, a mediana do intervalo entre transfusão e óbito foi de 15,5 dias. O óbito ocorreu em até 7 dias após a transfusão em 10 episódios (15,2%), em até 14 dias em 31 episódios (47,0%) e em até 30 dias em 52 episódios (78,8%). Discussão: Observou-se elevada utilização de concentrado de hemácias em pacientes com anemia significativa e frequente necessidade de nova transfusão, em concordância com diretrizes restritivas internacionais (AABB/ICTMG, 2025). A elevada mortalidade nos primeiros 30 dias após a transfusão demonstra a complexidade clínica e a avançada progressão da doença nessa população, destacando a importância da avaliação individualizada da indicação transfusional. Conclusão: Pacientes oncológicos em cuidados paliativos apresentaram elevada demanda transfusional, predominância de transfusões com hemoglobina inferior a 7 g/dL e alta frequência de nova transfusão. A expressiva ocorrência de óbito em até 30 dias após a transfusão reforça a necessidade de decisões compartilhadas entre equipes de hemoterapia, oncologia e cuidados paliativos, alinhadas aos objetivos de cuidado, ao uso racional de hemocomponentes e a estudos prospectivos futuros.
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AU - Juliana Camarotto Soler Gonçalves RODRIGUES
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: A anemia é frequente em pacientes oncológicos avançados e em cuidados paliativos, estando associada à fadiga, dispneia, piora funcional e redução da qualidade de vida. A transfusão de concentrado de hemácias é utilizada como estratégia de suporte sintomático; entretanto, a literatura demonstra resposta clínica variável, com benefício subjetivo descrito entre 31% e 70% dos casos, geralmente por período inferior a duas semanas. Estudos também apontam elevada mortalidade precoce após a transfusão, com 23% a 35% dos pacientes evoluindo a óbito em até 14 dias, reforçando a necessidade de indicação individualizada, alinhada aos sintomas, prognóstico e objetivos de cuidado. Objetivos: Analisar o perfil transfusional de pacientes oncológicos em cuidados paliativos atendidos por uma agência transfusional hospitalar, descrevendo características demográficas, parâmetros laboratoriais, frequência transfusional e desfechos clínicos. Material e métodos: Estudo retrospectivo, descritivo e observacional realizado na Agência Transfusional do Hospital Municipal Gilson de Cassia Marques de Carvalho. Foram avaliados episódios transfusionais de pacientes oncológicos em cuidados paliativos entre dezembro de 2025 e maio de 2026. As variáveis analisadas incluíram idade, sexo, tipo de neoplasia, prioridade da solicitação, Hb pré e pós-transfusional, hemocomponente utilizado, necessidade de nova transfusão e intervalo entre transfusão e óbito. Foi realizada análise estatística descritiva. Resultados: Foram avaliados 101 episódios transfusionais correspondentes a 47 pacientes, totalizando 109 bolsas solicitadas. A mediana de idade foi de 60 anos (23–96 anos), com predominância do sexo feminino (58,4%) e de neoplasias sólidas (96,0%). O concentrado de hemácias foi o hemocomponente mais utilizado, representando 98,0% dos episódios transfusionais. Solicitações de rotina corresponderam a 76,2% dos episódios e as de urgência a 23,8%. A mediana da hemoglobina pré-transfusional foi de 6,4 g/dL (4,7–7,5 g/dL). Em 97 episódios (98,0%), a hemoglobina pré-transfusional foi inferior a 7,0 g/dL. A hemoglobina pós-transfusional estava disponível em 73 episódios, com incremento mediano de 1,2 g/dL. Houve necessidade de nova transfusão em 58 episódios (57,4%). Entre os casos com informação disponível sobre óbito, a mediana do intervalo entre transfusão e óbito foi de 15,5 dias. O óbito ocorreu em até 7 dias após a transfusão em 10 episódios (15,2%), em até 14 dias em 31 episódios (47,0%) e em até 30 dias em 52 episódios (78,8%). Discussão: Observou-se elevada utilização de concentrado de hemácias em pacientes com anemia significativa e frequente necessidade de nova transfusão, em concordância com diretrizes restritivas internacionais (AABB/ICTMG, 2025). A elevada mortalidade nos primeiros 30 dias após a transfusão demonstra a complexidade clínica e a avançada progressão da doença nessa população, destacando a importância da avaliação individualizada da indicação transfusional. Conclusão: Pacientes oncológicos em cuidados paliativos apresentaram elevada demanda transfusional, predominância de transfusões com hemoglobina inferior a 7 g/dL e alta frequência de nova transfusão. A expressiva ocorrência de óbito em até 30 dias após a transfusão reforça a necessidade de decisões compartilhadas entre equipes de hemoterapia, oncologia e cuidados paliativos, alinhadas aos objetivos de cuidado, ao uso racional de hemocomponentes e a estudos prospectivos futuros.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -