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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

VARIABILIDADE TRANSFUSIONAL EM CIRURGIA CARDÍACA ADULTA: INFLUÊNCIA DO TIPO DE PROCEDIMENTO NO CONSUMO DE CONCENTRADO DE HEMÁCIAS EM ESTUDO MULTICÊNTRICO

  1. 1Grupo Gestor de Hemoterapia (GSH), São Paulo, SP, Brasil

Abstract

Introdução: A demanda transfusional em cirurgia cardíaca apresenta variabilidade conforme a complexidade e o tipo de procedimento realizado. A caracterização dos diferentes perfis de consumo de concentrado de hemácias (CH) pode subsidiar protocolos de reserva sanguínea mais assertivos, otimizar a utilização de hemocomponentes e contribuir para estratégias de uso racional do sangue. Objetivo: Comparar o consumo de concentrado de hemácias entre diferentes tipos de cirurgia cardíaca adulta, avaliando a variabilidade transfusional conforme o procedimento realizado. Métodos: Estudo multicêntrico, retrospectivo, realizado em quatro instituições privadas brasileiras, incluindo cirurgias cardíacas adultas entre junho de 2025 e junho de 2026. Foram avaliadas revascularização do miocárdio, cirurgias valvares, cirurgias da aorta e outros procedimentos cardíacos. Excluíram-se procedimentos pediátricos, cardiopatias congênitas e implante transcateter de valva aórtica (TAVI). Foram analisados número de procedimentos, unidades de CH reservadas e utilizadas, percentual de utilização das reservas e índice C/T (crossmatch/transfusão). Todas as instituições utilizavam recuperação sanguínea intraoperatória (cell salvage), conforme indicação clínica. Resultados e discussão: Foram avaliadas 558 cirurgias cardíacas, com 2.019 unidades de CH reservadas e 319 utilizadas, correspondendo à utilização global de 15,8% das reservas e índice C/T de 6,33. A revascularização do miocárdio foi o procedimento mais frequente (252; 45,2%), seguida pelas cirurgias valvares (199; 35,7%), cirurgias da aorta (90; 16,1%) e outros procedimentos (17; 3,0%). Embora a revascularização do miocárdio tenha representado o maior volume cirúrgico, as cirurgias valvares apresentaram o maior consumo absoluto de CH (129 unidades) e a maior utilização proporcional das reservas (17,5%). A revascularização utilizou 124 unidades (14,2%), as cirurgias da aorta 58 unidades (15,9%) e outros procedimentos 8 unidades (20,5%). Os resultados demonstram perfis transfusionais distintos entre os tipos de cirurgia cardíaca avaliados. Embora a revascularização do miocárdio tenha apresentado o maior volume de procedimentos, as cirurgias valvares apresentaram maior consumo de CH, evidenciando diferenças no perfil transfusional entre os procedimentos avaliados. Mesmo com o uso rotineiro de recuperação sanguínea intraoperatória (cell salvage), observaram-se diferenças entre os grupos, reforçando a importância da estratificação transfusional para o planejamento hemoterápico e a gestão dos estoques de hemocomponentes. Conclusão: Os diferentes tipos de cirurgia cardíaca adulta apresentaram perfis distintos de utilização de concentrado de hemácias. O tipo de procedimento cirúrgico esteve associado a diferentes perfis de utilização de concentrado de hemácias e deve ser considerado na elaboração de protocolos de reserva sanguínea. A estratificação transfusional por tipo cirúrgico pode contribuir para otimizar a gestão dos hemocomponentes, racionalizar a utilização dos estoques e apoiar estratégias de uso racional do sangue.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -