INTEGRAÇÃO PRECOCE DOS CUIDADOS PALIATIVOS EM ADULTOS COM NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS: BARREIRAS E ESTRATÉGIAS IDENTIFICADAS EM REVISÃO NARRATIVA
- 1Universidade Estadual da Santa Cruz, Ilhéus, BA, Brasil
Abstract
Introdução: Adultos com neoplasias hematológicas apresentam elevada carga sintomática, sofrimento psicológico, trajetória clínica imprevisível e frequente necessidade de intervenções intensivas. Embora diretrizes internacionais recomendam a integração precoce dos cuidados paliativos ao tratamento modificador da doença, o encaminhamento permanece tardio. Objetivo: Sintetizar as barreiras à integração precoce dos cuidados paliativos em adultos com neoplasias hematológicas e identificar estratégias para sua incorporação à prática clínica. Material e Métodos: Revisão narrativa com busca dirigida na MEDLINE/PubMed, realizada em agosto de 2026, utilizando os descritores MeSH ''Palliative Care'' e ''Hematologic Neoplasms'', associados aos termos livres ''early integration'', ''referral'', ''barriers'', ''advance care planning'' e ''end-of-life care''. Foram incluídas publicações em inglês (2015–2026) sobre adultos com neoplasias hematológicas abordando integração precoce dos cuidados paliativos, barreiras ao encaminhamento ou estratégias assistenciais. Excluíram-se estudos exclusivamente pediátricos e publicações sem relação direta com o objetivo da revisão. As publicações selecionadas foram submetidas à síntese temática. Resultados: As principais barreiras relacionaram-se à imprevisibilidade da evolução clínica, à possibilidade de resposta às terapias de resgate e à dificuldade de reconhecer o momento oportuno para encaminhamento. Entre os profissionais, destacaram-se a associação dos cuidados paliativos à terminalidade, o receio de comprometer a esperança, dificuldades na comunicação prognóstica e a percepção da progressão da doença como fracasso terapêutico. No âmbito organizacional, observaram-se disponibilidade limitada de equipes especializadas, ausência de critérios padronizados, fragmentação da assistência e dificuldades para conciliar cuidados paliativos, transfusões e tratamento hematológico. As estratégias mais frequentemente descritas incluíram integração entre hematologia e cuidados paliativos, consultas compartilhadas, capacitação em comunicação e gatilhos baseados em carga sintomática, sofrimento psicossocial, internações recorrentes e complexidade decisória. Discussão: Modelos de encaminhamento fundamentados exclusivamente no prognóstico favorecem a introdução tardia dos cuidados paliativos. Em contrapartida, modelos de cuidado compartilhado orientados pelas necessidades clínicas favorecem sua integração ao tratamento hematológico. A limitada produção científica brasileira evidencia lacunas sobre estratégias adaptadas à organização dos serviços de saúde. Conclusão: A integração precoce dos cuidados paliativos permanece limitada por barreiras clínicas, comunicacionais, culturais e organizacionais. Protocolos estruturados de encaminhamento, modelos de cuidado compartilhado e capacitação permanente das equipes podem ampliar o acesso, qualificar o cuidado e favorecer decisões alinhadas às necessidades e aos valores dos pacientes. Estudos brasileiros poderão subsidiar estratégias adaptadas às diferentes realidades assistenciais.
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RIS
TY - JOUR
TI - INTEGRAÇÃO PRECOCE DOS CUIDADOS PALIATIVOS EM ADULTOS COM NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS: BARREIRAS E ESTRATÉGIAS IDENTIFICADAS EM REVISÃO NARRATIVA
AU - Anna Lis de Novais SOUZA
AU - Mirelly Santos SILVA
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.106930
UR - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.106930
AB - Introdução: Adultos com neoplasias hematológicas apresentam elevada carga sintomática, sofrimento psicológico, trajetória clínica imprevisível e frequente necessidade de intervenções intensivas. Embora diretrizes internacionais recomendam a integração precoce dos cuidados paliativos ao tratamento modificador da doença, o encaminhamento permanece tardio. Objetivo: Sintetizar as barreiras à integração precoce dos cuidados paliativos em adultos com neoplasias hematológicas e identificar estratégias para sua incorporação à prática clínica. Material e Métodos: Revisão narrativa com busca dirigida na MEDLINE/PubMed, realizada em agosto de 2026, utilizando os descritores MeSH ''Palliative Care'' e ''Hematologic Neoplasms'', associados aos termos livres ''early integration'', ''referral'', ''barriers'', ''advance care planning'' e ''end-of-life care''. Foram incluídas publicações em inglês (2015–2026) sobre adultos com neoplasias hematológicas abordando integração precoce dos cuidados paliativos, barreiras ao encaminhamento ou estratégias assistenciais. Excluíram-se estudos exclusivamente pediátricos e publicações sem relação direta com o objetivo da revisão. As publicações selecionadas foram submetidas à síntese temática. Resultados: As principais barreiras relacionaram-se à imprevisibilidade da evolução clínica, à possibilidade de resposta às terapias de resgate e à dificuldade de reconhecer o momento oportuno para encaminhamento. Entre os profissionais, destacaram-se a associação dos cuidados paliativos à terminalidade, o receio de comprometer a esperança, dificuldades na comunicação prognóstica e a percepção da progressão da doença como fracasso terapêutico. No âmbito organizacional, observaram-se disponibilidade limitada de equipes especializadas, ausência de critérios padronizados, fragmentação da assistência e dificuldades para conciliar cuidados paliativos, transfusões e tratamento hematológico. As estratégias mais frequentemente descritas incluíram integração entre hematologia e cuidados paliativos, consultas compartilhadas, capacitação em comunicação e gatilhos baseados em carga sintomática, sofrimento psicossocial, internações recorrentes e complexidade decisória. Discussão: Modelos de encaminhamento fundamentados exclusivamente no prognóstico favorecem a introdução tardia dos cuidados paliativos. Em contrapartida, modelos de cuidado compartilhado orientados pelas necessidades clínicas favorecem sua integração ao tratamento hematológico. A limitada produção científica brasileira evidencia lacunas sobre estratégias adaptadas à organização dos serviços de saúde. Conclusão: A integração precoce dos cuidados paliativos permanece limitada por barreiras clínicas, comunicacionais, culturais e organizacionais. Protocolos estruturados de encaminhamento, modelos de cuidado compartilhado e capacitação permanente das equipes podem ampliar o acesso, qualificar o cuidado e favorecer decisões alinhadas às necessidades e aos valores dos pacientes. Estudos brasileiros poderão subsidiar estratégias adaptadas às diferentes realidades assistenciais.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -