PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA LEUCEMIA NA POPULAÇÃO PEDIÁTRICA NO BRASIL ENTRE 2021 E 2025, COM DADOS DO SIH-SUS
- 1Faculdade de Medicina de Jundiaí, Jundiaí, SP, Brasil
Abstract
Introdução: A leucemia corresponde a um grupo de neoplasias hematológicas malignas caracterizadas pela proliferação clonal desordenada de precursores hematopoiéticos na medula óssea, comprometendo a produção normal das células sanguíneas. As formas mais frequentes na infância apresentam evolução rápida e demandam diagnóstico e tratamento precoces para melhor prognóstico. Por representar um câncer comum na população pediátrica, constitui um importante desafio para os sistemas de saúde, particularmente em países de renda média como o Brasil. No cenário nacional, essa neoplasia se destaca em crianças e adolescentes, afetando aproximadamente 40% dos casos de câncer infantil e, nesse contexto, apesar dos avanços terapêuticos, os desafios quanto ao diagnóstico precoce e à assistência onco-hematologica persistem, tornando relevante o entendimento do perfil epidemiológico. Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico das internações hospitalares por leucemia na população pediátrica no Brasil, entre 2021 a 2025, com base nos dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Método: Estudo epidemiológico descritivo, retrospectivo e quantitativo. Os dados foram obtidos através do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), via plataforma DATASUS, e fazem referência às internações sob o CID-10 (Leucemia) entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025. Dentre as variáveis analisadas estão: ano de atendimento, sexo, faixa etária, caráter de atendimento e região geográfica. Resultados: Entre 2021 e 2025, foram registradas 108.575 internações por leucemia na população pediátrica brasileira. Observou-se aumento progressivo do número de internações ao longo do período, com maior frequência em 2024 (22.961) e menor em 2021 (20.808). A faixa etária de 5 a 9 anos concentrou a maior proporção de internações (31,12%), enquanto adolescentes de 15 a 19 anos apresentaram a menor frequência (15,86%). Houve predominância do sexo masculino (58,48%) em relação ao feminino (41,51%). Quanto ao caráter da internação, prevaleceram os atendimentos de urgência (54,65%). Discussão: Os resultados corroboram o perfil epidemiológico da leucemia pediátrica descrito na literatura nacional em dois aspectos principais: a maior concentração de casos em determinadas faixas etárias, embora a doença possa ocorrer em todo o espectro dessa população, e a predominância do sexo masculino, o que ressalta a importância da análise demográfica em estudos epidemiológicos. Por outro lado, a predominância de internações em caráter de urgência é compatível com a apresentação clínica frequentemente agressiva da leucemia pediátrica e com a inespecificidade de seus sintomas iniciais, fatores que podem retardar o diagnóstico. Assim, o aumento das internações ao longo dos anos analisados reforça a necessidade de fortalecer o monitoramento epidemiológico e as estratégias de diagnóstico precoce na Atenção Primária à Saúde, possibilitando avaliar a efetividade das políticas de assistência oncológica, antecipar a demanda pelos serviços de saúde e reduzir as desigualdades no acesso ao cuidado. Conclusão: Diante do exposto, a persistência de desafios relacionados ao diagnóstico oportuno e a organização da assistência onco-hematológica demandam investimentos em estratégias de diagnóstico precoce, acesso universal aos serviços especializados e manutenção do monitoramento epidemiológico contínuo afim de para a redução das desigualdades no cuidado e para a melhoria dos desfechos clínicos.
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AB - Introdução: A leucemia corresponde a um grupo de neoplasias hematológicas malignas caracterizadas pela proliferação clonal desordenada de precursores hematopoiéticos na medula óssea, comprometendo a produção normal das células sanguíneas. As formas mais frequentes na infância apresentam evolução rápida e demandam diagnóstico e tratamento precoces para melhor prognóstico. Por representar um câncer comum na população pediátrica, constitui um importante desafio para os sistemas de saúde, particularmente em países de renda média como o Brasil. No cenário nacional, essa neoplasia se destaca em crianças e adolescentes, afetando aproximadamente 40% dos casos de câncer infantil e, nesse contexto, apesar dos avanços terapêuticos, os desafios quanto ao diagnóstico precoce e à assistência onco-hematologica persistem, tornando relevante o entendimento do perfil epidemiológico. Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico das internações hospitalares por leucemia na população pediátrica no Brasil, entre 2021 a 2025, com base nos dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Método: Estudo epidemiológico descritivo, retrospectivo e quantitativo. Os dados foram obtidos através do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), via plataforma DATASUS, e fazem referência às internações sob o CID-10 (Leucemia) entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025. Dentre as variáveis analisadas estão: ano de atendimento, sexo, faixa etária, caráter de atendimento e região geográfica. Resultados: Entre 2021 e 2025, foram registradas 108.575 internações por leucemia na população pediátrica brasileira. Observou-se aumento progressivo do número de internações ao longo do período, com maior frequência em 2024 (22.961) e menor em 2021 (20.808). A faixa etária de 5 a 9 anos concentrou a maior proporção de internações (31,12%), enquanto adolescentes de 15 a 19 anos apresentaram a menor frequência (15,86%). Houve predominância do sexo masculino (58,48%) em relação ao feminino (41,51%). Quanto ao caráter da internação, prevaleceram os atendimentos de urgência (54,65%). Discussão: Os resultados corroboram o perfil epidemiológico da leucemia pediátrica descrito na literatura nacional em dois aspectos principais: a maior concentração de casos em determinadas faixas etárias, embora a doença possa ocorrer em todo o espectro dessa população, e a predominância do sexo masculino, o que ressalta a importância da análise demográfica em estudos epidemiológicos. Por outro lado, a predominância de internações em caráter de urgência é compatível com a apresentação clínica frequentemente agressiva da leucemia pediátrica e com a inespecificidade de seus sintomas iniciais, fatores que podem retardar o diagnóstico. Assim, o aumento das internações ao longo dos anos analisados reforça a necessidade de fortalecer o monitoramento epidemiológico e as estratégias de diagnóstico precoce na Atenção Primária à Saúde, possibilitando avaliar a efetividade das políticas de assistência oncológica, antecipar a demanda pelos serviços de saúde e reduzir as desigualdades no acesso ao cuidado. Conclusão: Diante do exposto, a persistência de desafios relacionados ao diagnóstico oportuno e a organização da assistência onco-hematológica demandam investimentos em estratégias de diagnóstico precoce, acesso universal aos serviços especializados e manutenção do monitoramento epidemiológico contínuo afim de para a redução das desigualdades no cuidado e para a melhoria dos desfechos clínicos.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -