CORRELAÇÃO ENTRE PROTOCOLO DE CONDICIONAMENTO E DOENÇA DE BASE COMO DETERMINANTES DA GRAVIDADE DA MUCOSITE ORAL NO TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA
- 1Complexo Américas - Rede Américas, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Abstract
Introdução: A mucosite oral (MO) é uma complicação frequente do transplante de medula óssea (TMO), diretamente relacionada à toxicidade do regime de condicionamento. A escolha desse regime é determinada pela doença de base, de modo que diagnósticos distintos se associam a protocolos com potenciais mucotóxicos distintos, incluindo a irradiação corpórea total (TBI) e a poliquimioterapia em altas doses. Pela classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a MO é estadiada em graus de 0 a IV, sendo os graus III e IV considerados graves. Objetivos: Avaliar a incidência e a gravidade da mucosite oral (OMS) em pacientes submetidos a TMO, correlacionando os desfechos com a doença de base e, principalmente, com o protocolo de condicionamento associado, incluindo a análise do uso de TBI associado. Material e Métodos: Estudo observacional retrospectivo, com análise de um banco de dados odontológico de pacientes submetidos a TMO entre maio de 2021 e julho de 2026. As doenças de base foram agrupadas em categorias clínicas (LLA, LMA, linfomas, mieloma múltiplo e tumores sólidos/SNC) e os protocolos de condicionamento foram classificados quanto à presença ou ausência de TBI. Avaliaram-se a ocorrência e o grau de mucosite conforme a doença de base e o protocolo de condicionamento. Resultados: Foram analisados 115 transplantes elegíveis. A incidência de MO variou conforme a doença de base: LLA, 100% (9/9); mieloma múltiplo, 56,5% (26/46); linfomas, 54,8% (17/31); LMA, 50,0% (6/12); tumores sólidos/SNC, 16,7% (2/12). Os regimes com TBI (10/115, predominantemente em LLA e LMA) associaram-se a maior incidência de MO (80,0% vs. 53,3% sem TBI) e maior proporção de formas graves entre os afetados (37,5% vs. 10,7%). O mieloma múltiplo, tratado com melfalano como agente único (Mel 200), apresentou incidência intermediária, porém nenhuma forma grave. Linfomas (BEAM/LEAM) e tumores sólidos/SNC (carboplatina/tiotepa), ambos sem TBI, também não concentraram casos graves. Discussão: Os achados sugerem que a doença de base não é, isoladamente, o determinante da gravidade da mucosite oral, mas sim um marcador indireto do protocolo de condicionamento. Regimes que associam TBI à poliquimioterapia, indicados para LLA e LMA, apresentam maior potencial mucotóxico cumulativo. O mieloma múltiplo, apesar do regime igualmente mieloablativo, utiliza um agente único, o que pode explicar a ausência de formas graves, apesar da incidência intermediária. Essa distinção reforça a necessidade de uma ampliação individualizada da laserterapia profilática, conforme o potencial mucotóxico do condicionamento, e não apenas o diagnóstico de base. Conclusão: A gravidade da mucosite oral pós-TMO associa-se mais diretamente ao protocolo de condicionamento ‒ especialmente ao uso de TBI ‒ do que à doença de base isoladamente. Esses achados reforçam a estratificação do risco de acordo com a toxicidade do regime de condicionamento empregado. Apoio Financeiro: Não houve.
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AB - Introdução: A mucosite oral (MO) é uma complicação frequente do transplante de medula óssea (TMO), diretamente relacionada à toxicidade do regime de condicionamento. A escolha desse regime é determinada pela doença de base, de modo que diagnósticos distintos se associam a protocolos com potenciais mucotóxicos distintos, incluindo a irradiação corpórea total (TBI) e a poliquimioterapia em altas doses. Pela classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a MO é estadiada em graus de 0 a IV, sendo os graus III e IV considerados graves. Objetivos: Avaliar a incidência e a gravidade da mucosite oral (OMS) em pacientes submetidos a TMO, correlacionando os desfechos com a doença de base e, principalmente, com o protocolo de condicionamento associado, incluindo a análise do uso de TBI associado. Material e Métodos: Estudo observacional retrospectivo, com análise de um banco de dados odontológico de pacientes submetidos a TMO entre maio de 2021 e julho de 2026. As doenças de base foram agrupadas em categorias clínicas (LLA, LMA, linfomas, mieloma múltiplo e tumores sólidos/SNC) e os protocolos de condicionamento foram classificados quanto à presença ou ausência de TBI. Avaliaram-se a ocorrência e o grau de mucosite conforme a doença de base e o protocolo de condicionamento. Resultados: Foram analisados 115 transplantes elegíveis. A incidência de MO variou conforme a doença de base: LLA, 100% (9/9); mieloma múltiplo, 56,5% (26/46); linfomas, 54,8% (17/31); LMA, 50,0% (6/12); tumores sólidos/SNC, 16,7% (2/12). Os regimes com TBI (10/115, predominantemente em LLA e LMA) associaram-se a maior incidência de MO (80,0% vs. 53,3% sem TBI) e maior proporção de formas graves entre os afetados (37,5% vs. 10,7%). O mieloma múltiplo, tratado com melfalano como agente único (Mel 200), apresentou incidência intermediária, porém nenhuma forma grave. Linfomas (BEAM/LEAM) e tumores sólidos/SNC (carboplatina/tiotepa), ambos sem TBI, também não concentraram casos graves. Discussão: Os achados sugerem que a doença de base não é, isoladamente, o determinante da gravidade da mucosite oral, mas sim um marcador indireto do protocolo de condicionamento. Regimes que associam TBI à poliquimioterapia, indicados para LLA e LMA, apresentam maior potencial mucotóxico cumulativo. O mieloma múltiplo, apesar do regime igualmente mieloablativo, utiliza um agente único, o que pode explicar a ausência de formas graves, apesar da incidência intermediária. Essa distinção reforça a necessidade de uma ampliação individualizada da laserterapia profilática, conforme o potencial mucotóxico do condicionamento, e não apenas o diagnóstico de base. Conclusão: A gravidade da mucosite oral pós-TMO associa-se mais diretamente ao protocolo de condicionamento ‒ especialmente ao uso de TBI ‒ do que à doença de base isoladamente. Esses achados reforçam a estratificação do risco de acordo com a toxicidade do regime de condicionamento empregado. Apoio Financeiro: Não houve.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -