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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

DIFERENÇAS MACROREGIONAIS DA MORTALIDADE POR LEUCEMIA MIELOIDE NO BRASIL ANTES, DURANTE E APÓS A PANDEMIA DE COVID-19

  1. 1Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil

Abstract

Introdução: A leucemia mieloide compreende um grupo de neoplasias hematológicas caracterizadas pela proliferação clonal de células da linhagem mieloide. Apesar dos avanços diagnósticos e terapêuticos, a doença permanece associada à elevada morbimortalidade, principalmente quando o diagnóstico e o tratamento ocorrem de forma tardia. No Brasil, a distribuição desigual de centros especializados pode comprometer o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, refletindo em diferentes desfechos clínicos entre as macrorregiões. Esse cenário foi agravado durante a pandemia de COVID-19, período em que pacientes oncológicos estiveram entre os grupos mais vulneráveis. Assim, identificar essas diferenças pode contribuir para o planejamento de políticas públicas voltadas à equidade no cuidado oncológico. Objetivo geral: Descrever as diferenças regionais da mortalidade por leucemia mieloide nas macrorregiões brasileiras entre 2017 e 2025. Objetivos específicos: Analisar a distribuição temporal da mortalidade. Comparar a mortalidade entre as macrorregiões brasileiras. Identificar possíveis diferenças relacionadas ao período pandêmico. Metodologia: Estudo ecológico, descritivo, com dados secundários do DATASUS. Foram analisados os triênios 2017–2019 (pré-pandêmico), 2020–2022 (pandêmico) e 2023–2025 (pós-pandêmico). Os dados de mortalidade foram obtidos no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e o número de casos no Painel Oncologia Brasil. As variáveis analisadas foram macrorregião, sexo, faixa etária e mortalidade. Os dados foram organizados em planilhas eletrônicas, submetidos à análise descritiva e utilizada a taxa de mortalidade por 100.000 habitantes para comparação entre as regiões. Resultados: A região Sudeste concentrou o maior número de casos registrados (16.060) e de óbitos (47%), seguida pelas regiões Nordeste (21%) e Sul (18,4%). Entretanto, a região Sul apresentou a maior taxa média de mortalidade (2,16/100.000 habitantes), seguida do Sudeste (1,85/100.000) e Centro-Oeste (1,60/100.000). Ao longo dos triênios, a região Sul manteve as maiores taxas de mortalidade, com aumento de 2,15 para 2,43/100.000 habitantes entre os períodos pandêmico e pós-pandêmico. O Sudeste foi a única região que apresentou redução da taxa durante a pandemia (1,83 para 1,77/100.000). Além disso, 59% dos óbitos ocorreram em indivíduos com 60 anos ou mais e 52,6% dos óbitos em homens, enquanto as mulheres tiveram cerca de 47,4%. Conclusão: O presente estudo evidenciou diferenças regionais na mortalidade por leucemia mieloide no Brasil entre 2017 e 2025. Embora a região Sudeste tenha concentrado o maior número absoluto de casos e óbitos, a análise da taxa de mortalidade por 100.000 habitantes demonstrou que a região Sul apresentou as maiores taxas ao longo de todos os triênios analisados. Além disso, observou-se maior concentração dos óbitos em indivíduos com 60 anos ou mais. Destaca-se que a região Sudeste foi a única a apresentar redução da taxa de mortalidade durante o período pandêmico, achado que pode refletir diferenças regionais no acesso aos serviços especializados, especialmente em um contexto de sobrecarga do sistema de saúde.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -