FATORES ASSOCIADOS À MORTALIDADE PRECOCE EM PACIENTES IDOSOS COM LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA: ESTUDO RETROSPECTIVO EM UM CENTRO ONCOLÓGICO PÚBLICO
- 1Centro de Pesquisas Oncológicas de Santa Catarina (CEPON), Florianópolis, SC, Brasil
Abstract
Introdução: A mortalidade precoce após o diagnóstico de leucemia mieloide aguda (LMA) permanece elevada em pacientes idosos e representa um dos principais desafios no manejo dessa população. A identificação de fatores relacionados a esse desfecho pode contribuir para o planejamento terapêutico e para a estratificação inicial do risco. Objetivos: Avaliar a mortalidade precoce em pacientes idosos com LMA e descrever sua distribuição de acordo com idade e intensidade do tratamento. Material e métodos: Estudo retrospectivo realizado no Centro de Pesquisas Oncológicas de Santa Catarina (CEPON), incluindo pacientes com idade igual ou superior a 60 anos diagnosticados com LMA entre janeiro de 2002 e dezembro de 2022. Foram excluídos pacientes com leucemia promielocítica aguda e leucemia mieloide crônica em crise blástica. Foram analisadas as taxas de mortalidade em 30 e 60 dias após o diagnóstico, estratificadas por faixa etária e modalidade de tratamento (quimioterapia intensiva, quimioterapia de baixa intensidade e tratamento de suporte). Resultados: Foram incluídos 81 pacientes, dos quais 52 receberam quimioterapia intensiva, 20 quimioterapia de baixa intensidade e nove tratamento de suporte. Entre os pacientes de 60 a 65 anos, a mortalidade em 30 dias foi de 13,0% no grupo submetido à quimioterapia intensiva, sem óbitos entre aqueles tratados com baixa intensidade. Na faixa etária de 66 a 70 anos, a mortalidade em 30 dias foi de 10% no grupo de tratamento intensivo e de 50% no grupo de baixa intensidade. Entre os pacientes com mais de 70 anos, a mortalidade em 30 dias foi de 22,2% e 7,7%, respectivamente. Apenas um óbito adicional ocorreu entre 30 e 60 dias de seguimento, em um paciente com mais de 70 anos tratado com quimioterapia de baixa intensidade. Entre os óbitos registrados durante o acompanhamento, a principal causa foi progressão da doença (44,4%), seguida por infecção (19,8%) e recaída (11,1%). Discussão: A mortalidade precoce apresentou comportamento heterogêneo entre as diferentes faixas etárias e modalidades terapêuticas. A baixa frequência de óbitos após 30 dias sugere que o maior risco de mortalidade concentra-se no primeiro mês após o diagnóstico. O reduzido número de pacientes em alguns subgrupos limita comparações entre as estratégias de tratamento. Conclusão: A mortalidade precoce em pacientes idosos com LMA concentrou-se nos primeiros 30 dias após o diagnóstico, com variação entre as faixas etárias e os diferentes tratamentos realizados. A progressão da doença e as complicações infecciosas representaram as principais causas de óbito na coorte estudada. Estudos com maior número de pacientes poderão definir melhor os fatores associados à mortalidade precoce nessa população.
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AB - Introdução: A mortalidade precoce após o diagnóstico de leucemia mieloide aguda (LMA) permanece elevada em pacientes idosos e representa um dos principais desafios no manejo dessa população. A identificação de fatores relacionados a esse desfecho pode contribuir para o planejamento terapêutico e para a estratificação inicial do risco. Objetivos: Avaliar a mortalidade precoce em pacientes idosos com LMA e descrever sua distribuição de acordo com idade e intensidade do tratamento. Material e métodos: Estudo retrospectivo realizado no Centro de Pesquisas Oncológicas de Santa Catarina (CEPON), incluindo pacientes com idade igual ou superior a 60 anos diagnosticados com LMA entre janeiro de 2002 e dezembro de 2022. Foram excluídos pacientes com leucemia promielocítica aguda e leucemia mieloide crônica em crise blástica. Foram analisadas as taxas de mortalidade em 30 e 60 dias após o diagnóstico, estratificadas por faixa etária e modalidade de tratamento (quimioterapia intensiva, quimioterapia de baixa intensidade e tratamento de suporte). Resultados: Foram incluídos 81 pacientes, dos quais 52 receberam quimioterapia intensiva, 20 quimioterapia de baixa intensidade e nove tratamento de suporte. Entre os pacientes de 60 a 65 anos, a mortalidade em 30 dias foi de 13,0% no grupo submetido à quimioterapia intensiva, sem óbitos entre aqueles tratados com baixa intensidade. Na faixa etária de 66 a 70 anos, a mortalidade em 30 dias foi de 10% no grupo de tratamento intensivo e de 50% no grupo de baixa intensidade. Entre os pacientes com mais de 70 anos, a mortalidade em 30 dias foi de 22,2% e 7,7%, respectivamente. Apenas um óbito adicional ocorreu entre 30 e 60 dias de seguimento, em um paciente com mais de 70 anos tratado com quimioterapia de baixa intensidade. Entre os óbitos registrados durante o acompanhamento, a principal causa foi progressão da doença (44,4%), seguida por infecção (19,8%) e recaída (11,1%). Discussão: A mortalidade precoce apresentou comportamento heterogêneo entre as diferentes faixas etárias e modalidades terapêuticas. A baixa frequência de óbitos após 30 dias sugere que o maior risco de mortalidade concentra-se no primeiro mês após o diagnóstico. O reduzido número de pacientes em alguns subgrupos limita comparações entre as estratégias de tratamento. Conclusão: A mortalidade precoce em pacientes idosos com LMA concentrou-se nos primeiros 30 dias após o diagnóstico, com variação entre as faixas etárias e os diferentes tratamentos realizados. A progressão da doença e as complicações infecciosas representaram as principais causas de óbito na coorte estudada. Estudos com maior número de pacientes poderão definir melhor os fatores associados à mortalidade precoce nessa população.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -