IMPACTOS E DESAFIOS NO ENFRENTAMENTO DAS ÚLCERAS DE PERNA EM PESSOAS COM DOENÇA FALCIFORME
- 1HEMORIO, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Abstract
Introdução: A Doença Falciforme é um grupo de distúrbios sanguíneos hereditários reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde como um importante problema de saúde pública. Caracteriza-se pela alteração estrutural da hemoglobina, levando à deformação das hemácias em formato de foice, comprometendo a oxigenação tecidual. Entre suas complicações crônicas, destacam-se as úlceras de perna, decorrentes da hipóxia tecidual, que ocasionam dor persistente, limitação funcional e repercussões psicológicas, sociais e ocupacionais, comprometendo significativamente a qualidade de vida. Objetivo: Analisar os impactos e desafios enfrentados por pessoas com úlceras de perna associadas à doença falciforme em acompanhamento na sala de curativos do Instituto de Hematologia e Hemoterapia do Rio de Janeiro. Metodologia: Estudo descritivo com abordagem quali-quantitativa, realizado em um serviço especializado em hematologia no município do Rio de Janeiro. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas e aplicação do questionário SF-36 adaptado em 12 participantes com diagnóstico de doença falciforme e úlcera de perna. Os dados quantitativos foram analisados por estatística descritiva e os qualitativos por análise temática. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer n° 004525/2026; CAAE n° 95017226.0.0000.5267). Resultados: Participaram 12 pacientes, com idades entre 24 e 54 anos, predominando indivíduos com hemoglobina SS e autodeclarados pretos ou pardos. A análise do SF-36 demonstrou elevado comprometimento relacionado à dor: nove participantes classificaram a intensidade da dor como grave nas últimas quatro semanas, dois como moderada e um como leve. Quanto à interferência da dor nas atividades laborais e domésticas, três participantes relataram impacto extremamente intenso, seis bastante intenso e três moderado. Todos os entrevistados utilizavam medicamentos para controle da dor como principal estratégia de enfrentamento. As entrevistas evidenciaram que o apoio familiar, a espiritualidade, os amigos e o acompanhamento psicológico constituíram importantes mecanismos de enfrentamento. Entretanto, também emergiram sentimentos de isolamento social, sofrimento emocional, perda da capacidade laboral, limitação das atividades de lazer, dificuldades financeiras e estigmatização. Os participantes relataram necessidade de maior acolhimento, escuta qualificada, empatia e fortalecimento do suporte multiprofissional durante o tratamento. Conclusão: Os achados evidenciaram que 75% (9/12) dos participantes relataram utilizar estratégias para enfrentar o impacto da lesão, principalmente apoio familiar, religiosidade e adaptação da rotina. Entretanto, 100% (12/12) descreveram repercussões emocionais e sociais relacionadas à úlcera de perna, com relatos de dor, isolamento, sofrimento psicológico e limitações nas atividades diárias. Esses resultados reforçam a necessidade de uma assistência multiprofissional e de um cuidado integral, com fortalecimento do apoio psicossocial e de estratégias que promovam melhor qualidade de vida. Todo o valor necessário à pesquisa será custeado pelas pesquisadoras.
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AU - Elisa Cristina BORGES SANTOS VITOR
AU - Andrea Rabello NETTO
AU - Aline De Queiroz VASQUEZ
PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: A Doença Falciforme é um grupo de distúrbios sanguíneos hereditários reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde como um importante problema de saúde pública. Caracteriza-se pela alteração estrutural da hemoglobina, levando à deformação das hemácias em formato de foice, comprometendo a oxigenação tecidual. Entre suas complicações crônicas, destacam-se as úlceras de perna, decorrentes da hipóxia tecidual, que ocasionam dor persistente, limitação funcional e repercussões psicológicas, sociais e ocupacionais, comprometendo significativamente a qualidade de vida. Objetivo: Analisar os impactos e desafios enfrentados por pessoas com úlceras de perna associadas à doença falciforme em acompanhamento na sala de curativos do Instituto de Hematologia e Hemoterapia do Rio de Janeiro. Metodologia: Estudo descritivo com abordagem quali-quantitativa, realizado em um serviço especializado em hematologia no município do Rio de Janeiro. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas e aplicação do questionário SF-36 adaptado em 12 participantes com diagnóstico de doença falciforme e úlcera de perna. Os dados quantitativos foram analisados por estatística descritiva e os qualitativos por análise temática. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer n° 004525/2026; CAAE n° 95017226.0.0000.5267). Resultados: Participaram 12 pacientes, com idades entre 24 e 54 anos, predominando indivíduos com hemoglobina SS e autodeclarados pretos ou pardos. A análise do SF-36 demonstrou elevado comprometimento relacionado à dor: nove participantes classificaram a intensidade da dor como grave nas últimas quatro semanas, dois como moderada e um como leve. Quanto à interferência da dor nas atividades laborais e domésticas, três participantes relataram impacto extremamente intenso, seis bastante intenso e três moderado. Todos os entrevistados utilizavam medicamentos para controle da dor como principal estratégia de enfrentamento. As entrevistas evidenciaram que o apoio familiar, a espiritualidade, os amigos e o acompanhamento psicológico constituíram importantes mecanismos de enfrentamento. Entretanto, também emergiram sentimentos de isolamento social, sofrimento emocional, perda da capacidade laboral, limitação das atividades de lazer, dificuldades financeiras e estigmatização. Os participantes relataram necessidade de maior acolhimento, escuta qualificada, empatia e fortalecimento do suporte multiprofissional durante o tratamento. Conclusão: Os achados evidenciaram que 75% (9/12) dos participantes relataram utilizar estratégias para enfrentar o impacto da lesão, principalmente apoio familiar, religiosidade e adaptação da rotina. Entretanto, 100% (12/12) descreveram repercussões emocionais e sociais relacionadas à úlcera de perna, com relatos de dor, isolamento, sofrimento psicológico e limitações nas atividades diárias. Esses resultados reforçam a necessidade de uma assistência multiprofissional e de um cuidado integral, com fortalecimento do apoio psicossocial e de estratégias que promovam melhor qualidade de vida. Todo o valor necessário à pesquisa será custeado pelas pesquisadoras.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -