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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

LOGÍSTICA NACIONAL DO TESTE NAT E O CONTIGENCIAMENTO DE HEMOCOMPONENTES NO SUS (2023–2026): FRAGILIDADES OPERACIONAIS, RISCOS À SAÚDE PÚBLICA

1 more authors
  1. 1Ministério da Saúde (MS), Brasília, DF, Brasil
  2. 2Bio-Manguinhos, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Brasília, DF, Brasil

Abstract

Introdução: A obrigatoriedade da triagem molecular (NAT) no Sistema Único de Saúde (SUS) consolidou um modelo logístico no qual 245 Unidades Coletoras (UCAs) enviam diariamente amostras biológicas para processamento centralizado em 13 Sítios Testadores (SIT-NAT). Essa operação abrange também o transporte emergencial de sangue raro e o contingenciamento de hemocomponentes. A dependência do modal aéreo comercial, aliada à rígida conservação térmica das amostras biológicas (2°C a 8°C) e à curta validade das plaquetas (5 dias), torna esse fluxo vital, de modo que a interrupção do processo logístico pode gerar grave risco à saúde pública e desabastecimento na Hemorrede Nacional. Objetivos: Mapear e analisar, por grande região, as causas e os impactos operacionais decorrentes de intercorrências e interrupções na cadeia logística do Teste NAT, sangue raro e contingenciamento de hemocomponentes (2023 a junho/2026), identificando os pontos críticos para subsidiar diretrizes de mitigação de riscos à saúde pública. Material e métodos: Estudo operacional descritivo baseado nos relatórios gerenciais de transporte da empresa logística contratada pela Fiocruz/Bio-Manguinhos, custeada pelo Ministério da Saúde. Analisaram-se 635 intercorrências (2023: 166; 2024: 200; 2025: 223; 2026.1: 46), por região e causa primária. Resultados: A distribuição regional dos 635 atrasos concentrou-se no Nordeste (294 casos; 46,30%), Sudeste (162; 25,51%), Centro-Oeste (109; 17,17%), Norte (51; 8,03%) e Sul (19; 2,99%). As falhas do modal aéreo responderam por 57,91% dos eventos, destacando-se o corte de carga (238; 37,48%), cancelamento/atraso de voo (84; 13,23%), cia aérea sem sistema (8; 1,26%) e extravio (6; 0,94%). No modal terrestre, predominaram atrasos de roteiro (101; 15,91%) e acidentes em rodovias (89; 14,02% — com alta em 2025/2026). Demais causas somaram 10,87%. Discussão: O corte de carga Aérea (37,48% / 238 casos) é o maior entrave estrutural da logística do NAT no SUS, ocorrendo quando companhias aéreas preterem caixas biológicas em favor de bagagens comerciais no Norte e Nordeste. Atrasos de roteiro terrestre (15,91% / 101 casos) decorrem de janelas de tempo reduzidas na captação entre Unidades Coletoras (UCAs) e aeroportos. Acidentes rodoviários (14,02% / 89 casos) tiveram alta em 2025 (56 casos) e ritmo elevado em 2026. (19 casos), evidenciando o risco em rodovias precárias ou sob intempéries. Cancelamentos e intercorrências em voos (13,23% / 84 casos) exigem conexões emergenciais via outros estados, inviabilizando a entrega no prazo de 24 horas. Conclusão: A análise evidenciou que as limitações decorrentes de intercorrências e interrupções na cadeia logística do Teste NAT impacta diretamente o processo de cuidado aos usuários e torna-se imprescindível fortalecer o gerenciamento de risco e instituir diretrizes regulatórias que assegurem prioridade de embarque e agilidade no transporte de insumos vitais da Hemorrede Pública.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -