CONCORDÂNCIA ENTRE QUIMIOLUMINESCÊNCIA E ELISA NA DETECÇÃO DE ANTICORPOS ANTIFOSFOLÍPIDES: INFLUÊNCIA DO ANTICOAGULANTE LÚPICO E DA TITULARIDADE SOROLÓGICA
- 1Centro Estadual de Hemoterapia e Hematologia Marcos Daniel Santos (HEMOES), Vitória, ES, Brasil
- 2Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Vitória, ES, Brasil
Abstract
Introdução: A síndrome antifosfolípide (SAF) é doença autoimune com trombose vascular e morbidade obstétrica associadas à presença persistente de anticorpos antifosfolípides (aFL). O diagnóstico baseia-se na detecção de anticardiolipina (aCL) e anti-β2-glicoproteína I (aβ2GPI) IgG/IgM, além do anticoagulante lúpico (AL). ELISA é a plataforma mais utilizada, mas ensaios automatizados por quimioluminescência (CLIA) vêm sendo incorporados. A concordância entre plataformas permanece variável, especialmente para IgG, e os fatores associados à convergência diagnóstica são pouco conhecidos. Objetivo: Avaliar a concordância diagnóstica entre as plataformas de quimioluminescência (BIO-FLASH®/QUANTA Flash®) e ELISA (ALEGRIA®/ORGENTEC®) para detecção de anticorpos anticardiolipina (aCL) e anti-β2-glicoproteína I (aβ2GPI) IgG e IgM, analisar a correlação quantitativa entre os métodos e investigar a influência da titularidade sorológica, do anticoagulante lúpico e das manifestações clínicas sobre a discordância entre as plataformas. Métodos: Estudo transversal com 92 amostras consecutivas de pacientes com suspeita de SAF, analisadas simultaneamente em BIO-FLASH® (Werfen; QUANTA Flash®, CLIA) e ALEGRIA® (ORGENTEC®, ELISA). Valores fora da faixa analítica foram truncados aos limites de linearidade. Concordância avaliada por Kappa de Cohen (IC95% bootstrap, 3.000 réplicas) e PABAK. Correlação por Spearman; diferenças de positividade por McNemar. Associação entre baixa titularidade e discordância por Fisher e regressão logística penalizada de Firth. Análises estratificadas por anticoagulante lúpico e manifestações clínicas. Resultados: A concordância variou conforme o anticorpo: aCL IgM (κ = 0,69; IC95% 0,43–0,89) e aβ2GPI IgM (κ = 0,56; IC95% 0,26–0,81) apresentaram melhores desempenhos, com forte correlação (ρ = 0,69 e 0,68; p < 0,0001). IgG teve concordância moderada (κ = 0,38–0,52; ρ = 0,27–0,40). Concordância global foi κ = 0,50 (IC95% 0,27–0,69). ELISA classificou mais pacientes como globalmente positivos (McNemar p = 0,021). AL positivo associou-se a concordância perfeita (κ = 1,00; n = 15) versus discreta no AL negativo (κ = 0,20; n = 77). Eventos clínicos não se associaram à concordância (p > 0,05). Discordâncias concentraram-se em baixa titularidade (35,7%), versus 16,7% em moderados e 8,3% em altos. Baixa titularidade associou-se à discordância (Fisher: OR = 3,61; IC95% 1,05–12,4; p = 0,041) e permaneceu fator independente (Firth: OR = 4,12; IC95% 1,21–14,0; p = 0,023). AL positivo reduziu a chance de discordância (OR = 0,08; IC95% 0,01–0,58; p = 0,013). Discussão/Conclusão: A concordância superior para IgM alinha-se à maior variabilidade descrita para IgG em baixos títulos. A baixa titularidade foi fator de risco independente para discordância (OR = 4,12), indicando maior suscetibilidade a divergências próximo ao ponto de corte. Em contraste, AL associou-se a concordância perfeita (κ = 1,00), sugerindo que perfis imunológicos robustos conferem convergência independentemente da plataforma. A ausência de associação com eventos clínicos indica que a concordância é determinada por características do ensaio e perfil sorológico, não pela gravidade clínica. A concordância entre CLIA e ELISA é anticorpo-dependente, superior para IgM. A baixa titularidade foi o principal fator associado à discordância, enquanto AL identificou subgrupo com concordância perfeita. Recomenda-se interpretação cautelosa de resultados próximos ao ponto de corte e, quando indicado, confirmação em plataforma alternativa.
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SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
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