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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

MORBIMORTALIDADE POR DOENÇA HEMOLÍTICA DO FETO E DO RECÉM-NASCIDO EM INDÍGENAS NO BRASIL: UMA ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DE DADOS SECUNDÁRIOS

  1. 1Universidade do Estado do Pará (UEPA), Santarém, PA, Brasil
  2. 2Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), Brasília, DF, Brasil
  3. 3Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Santarém, PA, Brasil

Abstract

Introdução: A doença hemolítica do feto e do recém-nascido (DHFRN) decorre da incompatibilidade de antígenos eritrocitários entre mãe e feto, causando anemia fetal e neonatal, hidropisia e óbito perinatal. Entretanto, informações epidemiológicas sobre a morbimortalidade por DHFRN entre indígenas permanecem limitadas, dificultando a prevenção, diagnóstico e assistência a essa população. Objetivos: Caracterizar a epidemiologia, distribuição espaço-temporal e desfechos hospitalares da DHFRN em indígenas brasileiros (2016‒2025). Material e Métodos: Estudo ecológico, descritivo e retrospectivo, a partir de dados públicos do SIH/DATASUS sobre internações por doença hemolítica do feto e do recém-nascido (CID-10: P55) em indígenas no Brasil entre 2016 e 2025. Os dados foram tabelados usando o software Microsoft Excel 365®. Foram analisados o quantitativo total de internações, a distribuição por sexo, faixa etária e unidade federativa, o tempo de permanência hospitalar e a taxa de letalidade. As associações entre variáveis categóricas foram avaliadas pelo teste exato de Fisher através do software Jamovi v.2.7. As demais variáveis foram expressas a partir de frequências absolutas e relativas, com intervalo de confiança de 95%. Adotou-se o nível de significância estatística de 5% (p < 0,05). Dispensou-se avaliação ética por se tratar de dados secundários e anonimizados. Resultados: Nesse período (2016–2025), foram registradas 36 internações por DHFRN na população indígena. Isso corresponde a uma média de 3,6 internações/ano, observando-se um pico temporal expressivo de 33,3% dos casos no ano de 2023 (n = 12). Na distribuição demográfica, a maioria dos pacientes acometidos era do sexo masculino, representando 58,3% dos casos (n = 21; 95% IC 40,8–74,5). Observou-se uma predominância quase absoluta na faixa etária de menores de 1 ano, que concentraram 97,2% das internações (n = 35; 95% IC 85,5–99,9). A média de permanência hospitalar global foi de 4,1 dias. A letalidade global foi de 2,78%, correspondendo a um único óbito registrado em 2022. Esse desfecho fatal ocorreu em uma paciente do sexo feminino no Amazonas, gerando uma taxa de letalidade específica de 6,67% para as mulheres. Contudo, a análise de associação não indicou diferença estatisticamente significativa na sobrevivência entre os sexos (Fisher; p = 0,417). A Região Norte foi a mais expressiva, pois concentrou 77,8% (n = 28) do total de internações do país, com destaque absoluto para Roraima e Amazonas, que registraram 9 e 8 internações, respectivamente. A análise comparativa não indicou diferença estatisticamente significativa na letalidade dessa região em relação ao restante do país (Fisher; p = 1,00). Discussão: A alta concentração de internações na Região Norte, sobretudo no Amazonas e Roraima, evidencia barreiras geográficas e operacionais para rastreio pré-natal e acesso à profilaxia com imunoglobulina anti-D em territórios indígenas. A predominância em menores de um ano é inerente à fisiopatologia da doença, enquanto o pico de registros em 2023 pode refletir ações recentes de resgate e vigilância em saúde nessas áreas. Embora a letalidade mínima aponte manejo hospitalar eficiente após admissão, a contínua internação por morbidade amplamente imunoprevenível reforça a urgência de fortalecer a atenção primária e a assistência materno-infantil nas aldeias. Conclusão: A persistência da DHFRN entre indígenas expõe falhas no pré-natal. Urge priorizar atenção primária e acesso à imunoglobulina anti-D na aldeia.

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SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
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