Skip to content
DraconiticResearch
Search Sources API
186,625 studies31 sourcesUpdated 46 min ago
Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE INTERNAÇÕES E ÓBITOS POR DOENÇA HEMOLÍTICA DO FETO E DO RECÉM-NASCIDO NO NORDESTE ENTRE 2020 E 2025

  1. 1Universidade de Fortaleza (UNIFOR), Fortaleza, CE, Brasil

Abstract

Introdução: A Doença Hemolítica do Feto e do Recém-Nascido (DHFRN) resulta da incompatibilidade entre antígenos eritrocitários maternos e fetais. Nesse cenário, mães Rh- expostas a antígenos eritrocitários não próprios irão desenvolver anticorpos IgG, os quais irão ultrapassar a barreira placentária e promover a hemólise de hemácias fetais Rh+. No Brasil, embora a profilaxia com imunoglobulina anti-D seja recomendada, persistem lacunas, a exemplo da cobertura insuficiente da imunoprofilaxia e da deficiência na vigilância epidemiológica (Júnior et al., 2024). Diante disso, é essencial ampliar o conhecimento sobre a DHFRN no Nordeste. Objetivos: O objetivo deste estudo foi descrever o perfil epidemiológico das internações e dos óbitos por DHFRN na região Nordeste do Brasil entre 2020 e 2025. Material e Métodos: Trata-se de um estudo observacional transversal com delineamento ecológico, baseado na análise retrospectiva de dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). O trabalho incluiu internações hospitalares e óbitos registrados no Nordeste entre 2020 e 2025. As variáveis foram analisadas por estatística descritiva e compreenderam: AIH aprovadas, faixa etária, sexo, óbitos e ano de processamento. Resultados: No período analisado, foram registradas, após exclusão de 20 registros por faixa etária inconsistente à patologia, 4.878 internações por DHFRN em pacientes com idades menores de um ano, sendo 2.463 do gênero masculino e 2.415 do gênero feminino. A distribuição temporal revelou que 2021, 2024 e 2025 foram os anos com maior concentração de internações, representando 57% das internações totais. Dessas internações, verificou-se que 10 casos de DHFRN resultaram em óbitos entre 2020 e 2025. Discussão: Os dados demonstram similaridade quanto aos casos de DHFRN entre gênero masculino e feminino, corroborando o conhecimento de que o mecanismo de incompatibilidade sanguínea não se relaciona ao sexo do feto ou do recém-nascido. O aumento de registros da doença em 2021 corresponde ao período de sobrecarga dos serviços de saúde pela pandemia de COVID-19, o que pode ter influenciado em falhas na condução de consultas de pré-natal, além de carência da administração da imunoglobulina anti-D pós-parto. Já em 2024 e 2025, o crescimento dos casos possivelmente associa-se à melhoria nos protocolos de rastreio, e não necessariamente a um real aumento de incidência. Foram identificadas falhas na notificação referentes à faixa etária de acometimento da DHFRN, situação que compromete a confiabilidade dos dados. Quanto aos óbitos, a baixa taxa de mortalidade encontrada revela a efetividade do tratamento atualmente disponível para a doença. Conclusão: A DHFRN permanece como uma importante causa de internações hospitalares no Nordeste entre 2020 e 2025, embora com taxa reduzida de óbitos, sugerindo efetividade da assistência neonatal. Contudo, ainda existem limitações nas estratégias de prevenção, o que reforça a importância de ações profiláticas e da vigilância em saúde, visando a redução do acometimento da DHFRN. Ademais, as inconsistências presentes nos registros hospitalares avaliados exigem maior atenção, treinamento e padronização dos profissionais de saúde.

Related

  1. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS INTERNAÇÕES POR TROMBOEMBOLISMO VENOSO NO BRASIL ENTRE 2015 E 2025
    Maria Clara DE FARIAS LUZZA, Flávia Cibele PEREIRA DA SILVA, Luana Paula CARDOSO GUIMARÃES +2
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  2. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E INDICADORES HOSPITALARES DAS INTERNAÇÕES POR LEUCEMIA E LINFOMA NÃO HODGKIN NO BRASIL ENTRE 2021 E 2025
    Hannah Herberts EICHNER, Isadora Medeiros ALMEIDA, Jalise Wolski Oliveira ROMANOV
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  3. ANÁLISE COMPARATIVA DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E DA DISTRIBUIÇÃO REGIONAL DAS INTERNAÇÕES POR LINFOMA DE HODGKIN E LINFOMA NÃO HODGKIN NO BRASIL ENTRE 2021 E 2025
    Hannah Herberts EICHNER, Isadora Medeiros ALMEIDA, Jalise Wolski Oliveira ROMANOV
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  4. INTERNAÇÕES POR HEMOFILIAS A E B NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: PERFIL EPIDEMIOLÓGICO, IMPACTO ECONÔMICO E DESFECHOS ENTRE 2018 E 2025
    Icaro Wendell Magalhães SALES, Brenda Souza ARAÚJO, Cecilia Bessa FREITAS +5
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textEndocrinology & metabolismDOAJ
  5. LEUCEMIAS EM INDÍGENAS DA REGIÃO NORTE DO BRASIL: PERFIL EPIDEMIOLÓGICO, TENDÊNCIA TEMPORAL DAS INTERNAÇÕES E MORTALIDADE ENTRE 2014 E 2024
    Matheus Enge Sousa RIBEIRO, Lincoln Guilherme Bezerra Lima TRINDADE, Luiz Vinicius Moraes LEITÃO +7
    Hematology, Transfusion and Cell TherapyPeer-reviewedCC BYFull textOncologyDOAJ
BibTeX
@article{castro2026perfil,
  title = {{PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE INTERNAÇÕES E ÓBITOS POR DOENÇA HEMOLÍTICA DO FETO E DO RECÉM-NASCIDO NO NORDESTE ENTRE 2020 E 2025}},
  author = {Thaís FACÓ DE CASTRO and Lara DAMASCENO DUARTE and Maria Eduarda SANTOS DE OLIVEIRA and Clarissa FREIRE COUTINHO and Lucas CARTAXO TAVARES and Arthur BARROS MIRANDA CILIÃO LUCENA and Beatriz BARSI CUNHA and Letícia MATOS LEANDRO and Maria Beatriz MAGALHÃES PINHO and Clara SIMÕES NOBRE},
  journal = {Hematology, Transfusion and Cell Therapy},
  year = {2026},
  month = oct,
  doi = {10.1016/j.htct.2026.108518},
  url = {https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.108518},
  note = {CC BY},
}
RIS
TY  - JOUR
TI  - PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE INTERNAÇÕES E ÓBITOS POR DOENÇA HEMOLÍTICA DO FETO E DO RECÉM-NASCIDO NO NORDESTE ENTRE 2020 E 2025
AU  - Thaís FACÓ DE CASTRO
AU  - Lara DAMASCENO DUARTE
AU  - Maria Eduarda SANTOS DE OLIVEIRA
AU  - Clarissa FREIRE COUTINHO
AU  - Lucas CARTAXO TAVARES
AU  - Arthur BARROS MIRANDA CILIÃO LUCENA
AU  - Beatriz BARSI CUNHA
AU  - Letícia MATOS LEANDRO
AU  - Maria Beatriz MAGALHÃES PINHO
AU  - Clara SIMÕES NOBRE
PY  - 2026
DA  - 2026/10/23
JO  - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO  - 10.1016/j.htct.2026.108518
UR  - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.108518
AB  - Introdução: A Doença Hemolítica do Feto e do Recém-Nascido (DHFRN) resulta da incompatibilidade entre antígenos eritrocitários maternos e fetais. Nesse cenário, mães Rh- expostas a antígenos eritrocitários não próprios irão desenvolver anticorpos IgG, os quais irão ultrapassar a barreira placentária e promover a hemólise de hemácias fetais Rh+. No Brasil, embora a profilaxia com imunoglobulina anti-D seja recomendada, persistem lacunas, a exemplo da cobertura insuficiente da imunoprofilaxia e da deficiência na vigilância epidemiológica (Júnior et al., 2024). Diante disso, é essencial ampliar o conhecimento sobre a DHFRN no Nordeste. Objetivos: O objetivo deste estudo foi descrever o perfil epidemiológico das internações e dos óbitos por DHFRN na região Nordeste do Brasil entre 2020 e 2025. Material e Métodos: Trata-se de um estudo observacional transversal com delineamento ecológico, baseado na análise retrospectiva de dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). O trabalho incluiu internações hospitalares e óbitos registrados no Nordeste entre 2020 e 2025. As variáveis foram analisadas por estatística descritiva e compreenderam: AIH aprovadas, faixa etária, sexo, óbitos e ano de processamento. Resultados: No período analisado, foram registradas, após exclusão de 20 registros por faixa etária inconsistente à patologia, 4.878 internações por DHFRN em pacientes com idades menores de um ano, sendo 2.463 do gênero masculino e 2.415 do gênero feminino. A distribuição temporal revelou que 2021, 2024 e 2025 foram os anos com maior concentração de internações, representando 57% das internações totais. Dessas internações, verificou-se que 10 casos de DHFRN resultaram em óbitos entre 2020 e 2025. Discussão: Os dados demonstram similaridade quanto aos casos de DHFRN entre gênero masculino e feminino, corroborando o conhecimento de que o mecanismo de incompatibilidade sanguínea não se relaciona ao sexo do feto ou do recém-nascido. O aumento de registros da doença em 2021 corresponde ao período de sobrecarga dos serviços de saúde pela pandemia de COVID-19, o que pode ter influenciado em falhas na condução de consultas de pré-natal, além de carência da administração da imunoglobulina anti-D pós-parto. Já em 2024 e 2025, o crescimento dos casos possivelmente associa-se à melhoria nos protocolos de rastreio, e não necessariamente a um real aumento de incidência. Foram identificadas falhas na notificação referentes à faixa etária de acometimento da DHFRN, situação que compromete a confiabilidade dos dados. Quanto aos óbitos, a baixa taxa de mortalidade encontrada revela a efetividade do tratamento atualmente disponível para a doença. Conclusão: A DHFRN permanece como uma importante causa de internações hospitalares no Nordeste entre 2020 e 2025, embora com taxa reduzida de óbitos, sugerindo efetividade da assistência neonatal. Contudo, ainda existem limitações nas estratégias de prevenção, o que reforça a importância de ações profiláticas e da vigilância em saúde, visando a redução do acometimento da DHFRN. Ademais, as inconsistências presentes nos registros hospitalares avaliados exigem maior atenção, treinamento e padronização dos profissionais de saúde.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -