PERDAS DE HEMOCOMPONENTES EM AGÊNCIAS TRANSFUSIONAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO, BRASIL, EM 2025: ANÁLISE DAS CAUSAS E IMPACTO NA GESTÃO DE ESTOQUES
- 1Grupo Gestor de Hemoterapia (GSH), São Paulo, SP, Brasil
Abstract
Introdução: Os hemocomponentes são produtos biológicos essenciais para a assistência transfusional e exigem controle rigoroso devido ao prazo de validade limitado e às condições específicas de armazenamento. As perdas desses produtos impactam a disponibilidade dos estoques, aumentam os custos dos serviços e podem comprometer o atendimento aos pacientes. Assim, analisar as principais causas dessas perdas é fundamental para subsidiar ações que reduzam desperdícios e fortaleçam a gestão dos estoques. Objetivo: Analisar as perdas de hemocomponentes em agências transfusionais do estado de São Paulo durante o ano de 2025, identificando as principais causas de descarte, a distribuição das perdas entre os diferentes tipos de hemocomponentes e seu impacto na gestão de estoques, visando subsidiar estratégias para otimização do uso dos hemocomponentes e redução de desperdícios. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo e retrospectivo, baseado na análise de dados secundários de 12 agências transfusionais do Grupo GSH, localizadas no estado de São Paulo. Os dados foram extraídos do sistema informatizado RealBlood, abrangendo o período de janeiro a dezembro de 2025. Resultados: Em 2025, as 12 agências transfusionais analisadas receberam 20.103 hemocomponentes, dos quais 10.701 foram transfundidos (53,23%) e 9.344 (46,48%) descartados e 58 (0,29%) não classificados (estoque remanescente ou redistribuição para a central). Houve redução dos descartes ao longo do ano, de 1.215 unidades em janeiro para 702 em dezembro. A análise por tipo de produto revelou que o concentrado de plaquetas (CP) foi o hemocomponente com maior participação entre os descartes, seguido pelo plasma fresco congelado (PFC), concentrado de hemácias (CH) e, em menor escala, o crioprecipitado. Este perfil de descarte é compatível com a literatura, que aponta o plasma e as plaquetas como os itens de manejo mais complexo devido à alta produção e validade curta, respectivamente, além da disponibilidade hemoderivados e fatores de coagulação específicos para correção de coagulopatias e de plaquetas coletadas por aférese. As principais causas para o descarte das bolsas foram ordenadas da seguinte forma: 1. Vencimento (81,7%): Principal causa, impactada pela curta validade de certos componentes; 2. Quebra de cadeia de frio (9,4%): Relacionada a falhas no controle térmico de armazenamento ou transporte; 3. Bolsa danificada ou acidentada (5,3%): Perdas por avarias físicas nas embalagens; 4. Baixo volume (2,1%): Unidades que não atingiram os parâmetros mínimos na coleta; 5. Descongelamento sem uso (1%): Especificamente para plasma que, após descongelados, devem ser usados em até 24 horas; 6. Erro operacional (0,5%): Relacionado a falhas no processamento ou manuseio pelas equipes. Os resultados evidenciam oportunidades de melhoria no planejamento da demanda, no controle de validade e na gestão dos estoques. Conclusão: A proporção de descarte de hemocomponentes foi elevada no período avaliado, com a grande maioria dos descartes ocorrendo por vencimento. Isso evidencia a importância do dimensionamento adequado de estoque, previsão de demanda flutuante e o acompanhamento de prazos de validade. Vale ressaltar que a análise não levou em consideração o percentual de descarte em cada agência, apenas do conjunto das 12 agências avaliadas. Estudos futuros deverão avaliar os descartes por tipo de hemocomponente e por agência, bem como estimar suas repercussões econômicas e assistenciais.
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: Os hemocomponentes são produtos biológicos essenciais para a assistência transfusional e exigem controle rigoroso devido ao prazo de validade limitado e às condições específicas de armazenamento. As perdas desses produtos impactam a disponibilidade dos estoques, aumentam os custos dos serviços e podem comprometer o atendimento aos pacientes. Assim, analisar as principais causas dessas perdas é fundamental para subsidiar ações que reduzam desperdícios e fortaleçam a gestão dos estoques. Objetivo: Analisar as perdas de hemocomponentes em agências transfusionais do estado de São Paulo durante o ano de 2025, identificando as principais causas de descarte, a distribuição das perdas entre os diferentes tipos de hemocomponentes e seu impacto na gestão de estoques, visando subsidiar estratégias para otimização do uso dos hemocomponentes e redução de desperdícios. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo e retrospectivo, baseado na análise de dados secundários de 12 agências transfusionais do Grupo GSH, localizadas no estado de São Paulo. Os dados foram extraídos do sistema informatizado RealBlood, abrangendo o período de janeiro a dezembro de 2025. Resultados: Em 2025, as 12 agências transfusionais analisadas receberam 20.103 hemocomponentes, dos quais 10.701 foram transfundidos (53,23%) e 9.344 (46,48%) descartados e 58 (0,29%) não classificados (estoque remanescente ou redistribuição para a central). Houve redução dos descartes ao longo do ano, de 1.215 unidades em janeiro para 702 em dezembro. A análise por tipo de produto revelou que o concentrado de plaquetas (CP) foi o hemocomponente com maior participação entre os descartes, seguido pelo plasma fresco congelado (PFC), concentrado de hemácias (CH) e, em menor escala, o crioprecipitado. Este perfil de descarte é compatível com a literatura, que aponta o plasma e as plaquetas como os itens de manejo mais complexo devido à alta produção e validade curta, respectivamente, além da disponibilidade hemoderivados e fatores de coagulação específicos para correção de coagulopatias e de plaquetas coletadas por aférese. As principais causas para o descarte das bolsas foram ordenadas da seguinte forma: 1. Vencimento (81,7%): Principal causa, impactada pela curta validade de certos componentes; 2. Quebra de cadeia de frio (9,4%): Relacionada a falhas no controle térmico de armazenamento ou transporte; 3. Bolsa danificada ou acidentada (5,3%): Perdas por avarias físicas nas embalagens; 4. Baixo volume (2,1%): Unidades que não atingiram os parâmetros mínimos na coleta; 5. Descongelamento sem uso (1%): Especificamente para plasma que, após descongelados, devem ser usados em até 24 horas; 6. Erro operacional (0,5%): Relacionado a falhas no processamento ou manuseio pelas equipes. Os resultados evidenciam oportunidades de melhoria no planejamento da demanda, no controle de validade e na gestão dos estoques. Conclusão: A proporção de descarte de hemocomponentes foi elevada no período avaliado, com a grande maioria dos descartes ocorrendo por vencimento. Isso evidencia a importância do dimensionamento adequado de estoque, previsão de demanda flutuante e o acompanhamento de prazos de validade. Vale ressaltar que a análise não levou em consideração o percentual de descarte em cada agência, apenas do conjunto das 12 agências avaliadas. Estudos futuros deverão avaliar os descartes por tipo de hemocomponente e por agência, bem como estimar suas repercussões econômicas e assistenciais.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -