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Peer-reviewedCC BYHematology, Transfusion and Cell Therapy

IMPACTO DO INTERVALO PROLONGADO ENTRE COLETA E PROCESSAMENTO NA RECUPERAÇÃO CELULAR PÓS-DESCONGELAMENTO DE SANGUE DE CORDÃO UMBILICAL: RELATO DE CASO

  1. 1Instituto Pasquini de Hemoterapia e Hematologia, Grupo Pulsa, Curitiba, PR, Brasil

Abstract

Introdução: A qualidade de produtos de terapia celular é influenciada por fatores relacionados à coleta, processamento e criopreservação. Entre eles, o intervalo entre coleta e processamento constitui etapa crítica, sendo recomendado pelas diretrizes nacionais e internacionais que esse período seja, preferencialmente, inferior a 48 horas. O prolongamento desse intervalo pode favorecer alterações celulares antes da criopreservação, refletindo na recuperação pós-descongelamento. Entretanto, a avaliação da qualidade do produto deve considerar não apenas a recuperação de células nucleadas totais (CNT), mas também parâmetros funcionais, como a viabilidade celular e a viabilidade de células CD34+. Objetivo: Avaliar, por meio de um relato de caso retrospectivo, os efeitos de um intervalo prolongado entre coleta e processamento (56 horas e 46 minutos) sobre a recuperação de CNT e a viabilidade de células CD34+ após descongelamento e retirada de dimetilsulfóxido (DMSO) de uma unidade de sangue de cordão umbilical aparentado (SCUP). Material e métodos: Foi realizada análise retrospectiva dos registros laboratoriais de uma unidade de SCUP processada 56 horas e 46 minutos após a coleta, intervalo superior ao limite de 48 horas recomendado pelas diretrizes. Após a criopreservação, a unidade foi descongelada e submetida à retirada de DMSO por centrifugação. Foram avaliadas a contagem de células nucleadas totais, recuperação celular após a lavagem, viabilidade celular global, contagem e viabilidade de células CD34+ e presença de debris celulares por citometria de fluxo. Resultados: As CNT reduziram de 8,52 × 10⁸ para 3,31 × 10⁸ após o descongelamento e retirada de DMSO, correspondendo a recuperação de 38,85% e perda aproximada de 61%. A perda celular no sobrenadante foi mínima (0,82% da CNT final), indicando que a redução observada não foi decorrente do processo de lavagem. A análise por citometria de fluxo evidenciou presença relevante de debris celulares. Apesar da redução da CNT, a viabilidade celular global permaneceu em 88,20%, representando recuperação de 92,21% em relação ao pós-processamento (95,65%). Foram identificadas 2,35 × 10⁶ células CD34+ viáveis, com viabilidade de 64,20%, demonstrando preservação da fração funcional do enxerto. Considerando o intervalo entre coleta e processamento superior ao recomendado, esses achados são compatíveis com a hipótese de maior fragilidade celular antes da criopreservação, conforme descrito na literatura, embora não permitam estabelecer relação causal. Conclusão: Neste relato de caso, o processamento realizado após 56 horas e 46 minutos da coleta esteve associado à baixa recuperação de células nucleadas totais após o descongelamento, acompanhada por elevada presença de debris celulares. Entretanto, a viabilidade celular global e a preservação da população de células CD34+ viáveis permaneceram satisfatórias, sugerindo manutenção dos principais parâmetros laboratoriais relacionados à funcionalidade do produto. Os resultados reforçam a importância do cumprimento dos intervalos recomendados entre coleta e processamento e evidenciam que, na avaliação pós-descongelamento, a viabilidade celular e a viabilidade de células CD34+ constituem indicadores mais robustos da qualidade do produto do que a recuperação isolada de células nucleadas totais.

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AB  - Introdução: A qualidade de produtos de terapia celular é influenciada por fatores relacionados à coleta, processamento e criopreservação. Entre eles, o intervalo entre coleta e processamento constitui etapa crítica, sendo recomendado pelas diretrizes nacionais e internacionais que esse período seja, preferencialmente, inferior a 48 horas. O prolongamento desse intervalo pode favorecer alterações celulares antes da criopreservação, refletindo na recuperação pós-descongelamento. Entretanto, a avaliação da qualidade do produto deve considerar não apenas a recuperação de células nucleadas totais (CNT), mas também parâmetros funcionais, como a viabilidade celular e a viabilidade de células CD34+. Objetivo: Avaliar, por meio de um relato de caso retrospectivo, os efeitos de um intervalo prolongado entre coleta e processamento (56 horas e 46 minutos) sobre a recuperação de CNT e a viabilidade de células CD34+ após descongelamento e retirada de dimetilsulfóxido (DMSO) de uma unidade de sangue de cordão umbilical aparentado (SCUP). Material e métodos: Foi realizada análise retrospectiva dos registros laboratoriais de uma unidade de SCUP processada 56 horas e 46 minutos após a coleta, intervalo superior ao limite de 48 horas recomendado pelas diretrizes. Após a criopreservação, a unidade foi descongelada e submetida à retirada de DMSO por centrifugação. Foram avaliadas a contagem de células nucleadas totais, recuperação celular após a lavagem, viabilidade celular global, contagem e viabilidade de células CD34+ e presença de debris celulares por citometria de fluxo. Resultados: As CNT reduziram de 8,52 × 10⁸ para 3,31 × 10⁸ após o descongelamento e retirada de DMSO, correspondendo a recuperação de 38,85% e perda aproximada de 61%. A perda celular no sobrenadante foi mínima (0,82% da CNT final), indicando que a redução observada não foi decorrente do processo de lavagem. A análise por citometria de fluxo evidenciou presença relevante de debris celulares. Apesar da redução da CNT, a viabilidade celular global permaneceu em 88,20%, representando recuperação de 92,21% em relação ao pós-processamento (95,65%). Foram identificadas 2,35 × 10⁶ células CD34+ viáveis, com viabilidade de 64,20%, demonstrando preservação da fração funcional do enxerto. Considerando o intervalo entre coleta e processamento superior ao recomendado, esses achados são compatíveis com a hipótese de maior fragilidade celular antes da criopreservação, conforme descrito na literatura, embora não permitam estabelecer relação causal. Conclusão: Neste relato de caso, o processamento realizado após 56 horas e 46 minutos da coleta esteve associado à baixa recuperação de células nucleadas totais após o descongelamento, acompanhada por elevada presença de debris celulares. Entretanto, a viabilidade celular global e a preservação da população de células CD34+ viáveis permaneceram satisfatórias, sugerindo manutenção dos principais parâmetros laboratoriais relacionados à funcionalidade do produto. Os resultados reforçam a importância do cumprimento dos intervalos recomendados entre coleta e processamento e evidenciam que, na avaliação pós-descongelamento, a viabilidade celular e a viabilidade de células CD34+ constituem indicadores mais robustos da qualidade do produto do que a recuperação isolada de células nucleadas totais.
SN  - 2531-1379
SN  - 2531-1387
ER  -