RECUPERAÇÃO DA FUNÇÃO RENAL secundário a DISFUNÇÃO por MIELOMA MÚLTIPLO: RELATO DE CASO
- 1Hospital Geral Roberto Santos, Salvador, BA, Brasil
Abstract
Introdução: O Mieloma Múltiplo (MM) é uma neoplasia plasmocitária maligna caracterizada pela produção de proteínas monoclonais, frequentemente cursando com disfunção orgânica severa. A insuficiência renal aguda (IRA) é uma complicação presente em 20% a 50% dos diagnósticos, sendo a nefropatia por cilindros a etiologia predominante devido à toxicidade tubular das cadeias leves. Embora a dependência de Terapia Renal Substitutiva (TRS) seja comum, a recuperação da função renal após longos períodos de cronicidade é um desfecho raro e de elevado interesse clínico. Relato de caso: Paciente feminina, 46 anos, previamente hígida e ativa, admitida no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) com dor abdominal intensa, constipação e lombalgia incapacitante. A avaliação laboratorial revelou o clássico acrônimo CRAB: Hipercalcemia (Ca 12,4 mg/dL), Insuficiência Renal (Cr 6,8 mg/dL), Anemia grave (Hb 5,4 g/dL) e múltiplas lesões Bone (ósseas) líticas com fratura patológica em T10 identificadas por tomografia. A eletroforese de proteínas evidenciou pico monoclonal em gamaglobulinas (61,4%) e banda IgG Kappa, com Beta-2 microglobulina de 45.449 mg/dL. A paciente iniciou TRS imediata e evoluiu com Edema Agudo de Pulmão (EAP) grave sob ventilação mecânica. O tratamento instituído baseou-se no protocolo VCD (Bortezomibe, Ciclofosfamida e Dexametasona), seguido de Transplante de Medula Óssea (TMO) autólogo em setembro de 2023. Resultados: Após 28 meses de dependência dialítica e terapia de manutenção com Lenalidomida, a paciente apresentou melhora progressiva e sustentada da Taxa de Filtração Glomerular (TFG), evoluindo de <5% para 22%, permitindo a suspensão definitiva da TRS em janeiro de 2025. Conclusão: O caso demonstra que a reversibilidade da lesão renal no MM pode ocorrer de forma tardia, inclusive após o TMO e longo período dialítico. O desfecho reforça a necessidade de controle hematológico rigoroso e manutenção do suporte nefrológico especializado, desafiando o prognóstico de irreversibilidade renal definitiva nesses pacientes.
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RIS
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AU - Carlos Edwardo De Moura QUEIROZ
PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: O Mieloma Múltiplo (MM) é uma neoplasia plasmocitária maligna caracterizada pela produção de proteínas monoclonais, frequentemente cursando com disfunção orgânica severa. A insuficiência renal aguda (IRA) é uma complicação presente em 20% a 50% dos diagnósticos, sendo a nefropatia por cilindros a etiologia predominante devido à toxicidade tubular das cadeias leves. Embora a dependência de Terapia Renal Substitutiva (TRS) seja comum, a recuperação da função renal após longos períodos de cronicidade é um desfecho raro e de elevado interesse clínico. Relato de caso: Paciente feminina, 46 anos, previamente hígida e ativa, admitida no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) com dor abdominal intensa, constipação e lombalgia incapacitante. A avaliação laboratorial revelou o clássico acrônimo CRAB: Hipercalcemia (Ca 12,4 mg/dL), Insuficiência Renal (Cr 6,8 mg/dL), Anemia grave (Hb 5,4 g/dL) e múltiplas lesões Bone (ósseas) líticas com fratura patológica em T10 identificadas por tomografia. A eletroforese de proteínas evidenciou pico monoclonal em gamaglobulinas (61,4%) e banda IgG Kappa, com Beta-2 microglobulina de 45.449 mg/dL. A paciente iniciou TRS imediata e evoluiu com Edema Agudo de Pulmão (EAP) grave sob ventilação mecânica. O tratamento instituído baseou-se no protocolo VCD (Bortezomibe, Ciclofosfamida e Dexametasona), seguido de Transplante de Medula Óssea (TMO) autólogo em setembro de 2023. Resultados: Após 28 meses de dependência dialítica e terapia de manutenção com Lenalidomida, a paciente apresentou melhora progressiva e sustentada da Taxa de Filtração Glomerular (TFG), evoluindo de <5% para 22%, permitindo a suspensão definitiva da TRS em janeiro de 2025. Conclusão: O caso demonstra que a reversibilidade da lesão renal no MM pode ocorrer de forma tardia, inclusive após o TMO e longo período dialítico. O desfecho reforça a necessidade de controle hematológico rigoroso e manutenção do suporte nefrológico especializado, desafiando o prognóstico de irreversibilidade renal definitiva nesses pacientes.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -