PERFIL DAS REAÇÕES ALÉRGICAS E O PAPEL DA HEMOVIGILÂNCIA EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
- 1Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, MG, Brasil
- 2Hospital Universitário, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, MG, Brasil
Abstract
Introdução: As reações transfusionais (RT) constituem eventos adversos associados à administração de hemocomponentes (HC) e requer notificação obrigatória, mesmo que os critérios não estejam integralmente preenchidos. O Sistema Nacional de Hemovigilância registrou 17.394 notificações de RT nos últimos 2 anos. As RT podem ser classificadas em imediatas ou tardias, conforme o tempo de manifestação, e em diferentes graus de gravidade. Dentre as reações imediatas, destaca-se a reação alérgica (ALG), caracterizada por um quadro de hipersensibilidade desencadeado pela presença de proteínas plasmáticas ou alérgenos no hemocomponente. Objetivos: Realizar uma análise epidemiológica e clínica das notificações de reações alérgicas. Métodos: Trata-se de um estudo de delineamento longitudinal, retrospectivo, que analisou as notificações de eventos adversos transfusionais registrados no Hospital Universitário no período de 2025 a Julho de 2026. Como critério de inclusão, selecionaram-se estritamente os casos confirmados de ALG. Os dados coletados englobaram as variáveis: sexo, indicação transfusional, tipo de hemocomponente administrado e modalidade da reação, sendo submetidos à análise estatística descritiva. Resultados: Do total de 25 notificações analisadas, 7 casos confirmados de reação alérgica corresponderam ao perfil de estudo, com predominância do gênero feminino (n = 4; 57,1%) em relação ao masculino. A maioria dos pacientes era procedente do Transplante de Medula Óssea (TMO) (n = 6; 85,7%), e 1 paciente (14,3%) do ambulatório de Onco-hematologia. Quanto aos HC envolvidos, a plaquetaférese foi a mais frequentemente associada aos eventos adversos (n = 5; 71,4%), seguido pelo concentrado de hemácias filtradas e irradiadas. Com relação à gravidade das ALG, 4 (57,1%) foram caracterizadas como leve e 3 moderadas. Discussão: Os achados evidenciam que 85,7% das ALG ocorreram em pacientes submetidos ao TMO e associadas ao uso de plaquetaférese (71,4%). A maior suscetibilidade dessa população decorre da intensa exposição a múltiplos doadores durante a aplasia medular e do perfil imunológico complexo do TMO, que favorece a sensibilização a proteínas plasmáticas. A predominância das plaquetas como principal causador corrobora os dados de hemovigilância nacional e internacional, visto que HC com maior volume de plasma contêm proporções superiores de proteínas solúveis, imunoglobulinas e citocinas capazes de desencadear reações de hipersensibilidade do tipo I, mesmo em produtos filtrados ou obtidos por aférese. As indicações transfusionais observadas (anemia grave e plaquetopenia) alinham-se estritamente às diretrizes de suporte onco-hematológico, confirmando a necessidade do suporte hemoterapêutico apesar dos riscos associados. Diante disso, a proporção de ALG em relação ao total de notificações de hemovigilância no serviço reforça a relevância do monitoramento contínuo para subsidiar condutas preventivas, tais como a indicação de pré-medicação com anti-histamínicos e em situações especiais a lavagem de CH. Conclusão: Ressalta-se que a população é de alta complexidade e sob tratamento hemoterápico, o que reafirma a hemovigilância como uma ação fundamental da hemoterapia para a garantia da segurança do paciente. O mapeamento desses eventos fornece subsídios práticos para o aprimoramento dos protocolos assistenciais e preventivos e o uso racional dos HC, fortalecendo a gestão do risco e a qualidade dos cuidados transfusionais na instituição.
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RIS
TY - JOUR
TI - PERFIL DAS REAÇÕES ALÉRGICAS E O PAPEL DA HEMOVIGILÂNCIA EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
AU - Ana Luiza Rodrigues MILAGRES
AU - Gabriela Fonseca Pereira GOMES
AU - Jane Mara da Costa Ferreira LOPES
AU - Gilmara Aparecida Batista FERNANDES
AU - Mariza Aparecida MOTA
PY - 2026
DA - 2026/10/23
JO - Hematology, Transfusion and Cell Therapy
DO - 10.1016/j.htct.2026.107238
UR - https://doi.org/10.1016/j.htct.2026.107238
AB - Introdução: As reações transfusionais (RT) constituem eventos adversos associados à administração de hemocomponentes (HC) e requer notificação obrigatória, mesmo que os critérios não estejam integralmente preenchidos. O Sistema Nacional de Hemovigilância registrou 17.394 notificações de RT nos últimos 2 anos. As RT podem ser classificadas em imediatas ou tardias, conforme o tempo de manifestação, e em diferentes graus de gravidade. Dentre as reações imediatas, destaca-se a reação alérgica (ALG), caracterizada por um quadro de hipersensibilidade desencadeado pela presença de proteínas plasmáticas ou alérgenos no hemocomponente. Objetivos: Realizar uma análise epidemiológica e clínica das notificações de reações alérgicas. Métodos: Trata-se de um estudo de delineamento longitudinal, retrospectivo, que analisou as notificações de eventos adversos transfusionais registrados no Hospital Universitário no período de 2025 a Julho de 2026. Como critério de inclusão, selecionaram-se estritamente os casos confirmados de ALG. Os dados coletados englobaram as variáveis: sexo, indicação transfusional, tipo de hemocomponente administrado e modalidade da reação, sendo submetidos à análise estatística descritiva. Resultados: Do total de 25 notificações analisadas, 7 casos confirmados de reação alérgica corresponderam ao perfil de estudo, com predominância do gênero feminino (n = 4; 57,1%) em relação ao masculino. A maioria dos pacientes era procedente do Transplante de Medula Óssea (TMO) (n = 6; 85,7%), e 1 paciente (14,3%) do ambulatório de Onco-hematologia. Quanto aos HC envolvidos, a plaquetaférese foi a mais frequentemente associada aos eventos adversos (n = 5; 71,4%), seguido pelo concentrado de hemácias filtradas e irradiadas. Com relação à gravidade das ALG, 4 (57,1%) foram caracterizadas como leve e 3 moderadas. Discussão: Os achados evidenciam que 85,7% das ALG ocorreram em pacientes submetidos ao TMO e associadas ao uso de plaquetaférese (71,4%). A maior suscetibilidade dessa população decorre da intensa exposição a múltiplos doadores durante a aplasia medular e do perfil imunológico complexo do TMO, que favorece a sensibilização a proteínas plasmáticas. A predominância das plaquetas como principal causador corrobora os dados de hemovigilância nacional e internacional, visto que HC com maior volume de plasma contêm proporções superiores de proteínas solúveis, imunoglobulinas e citocinas capazes de desencadear reações de hipersensibilidade do tipo I, mesmo em produtos filtrados ou obtidos por aférese. As indicações transfusionais observadas (anemia grave e plaquetopenia) alinham-se estritamente às diretrizes de suporte onco-hematológico, confirmando a necessidade do suporte hemoterapêutico apesar dos riscos associados. Diante disso, a proporção de ALG em relação ao total de notificações de hemovigilância no serviço reforça a relevância do monitoramento contínuo para subsidiar condutas preventivas, tais como a indicação de pré-medicação com anti-histamínicos e em situações especiais a lavagem de CH. Conclusão: Ressalta-se que a população é de alta complexidade e sob tratamento hemoterápico, o que reafirma a hemovigilância como uma ação fundamental da hemoterapia para a garantia da segurança do paciente. O mapeamento desses eventos fornece subsídios práticos para o aprimoramento dos protocolos assistenciais e preventivos e o uso racional dos HC, fortalecendo a gestão do risco e a qualidade dos cuidados transfusionais na instituição.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -