BIOENGENHARIA DA TERAPIA CAR-T NAS NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS: MECANISMOS DE SUPERAÇÃO DO ESCAPE IMUNE E PERSPECTIVAS TERAPÊUTICAS
- 1Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém, PA, Brasil
Abstract
Introdução: A imunoterapia com células T portadoras de receptor quimérico de antígeno (CAR-T) revolucionou o tratamento de neoplasias hematológicas recidivadas ou refratárias. Contudo, limitações como o escape antigênico, a exaustão celular, a toxicidade grave (como a Síndrome de Liberação de Citocinas) e o alto custo do processo autólogo impulsionaram o desenvolvimento da bioengenharia celular. O foco da pesquisa translacional atual concentra-se no redesenho genético e molecular dessas plataformas para otimizar sua eficácia e acessibilidade. Objetivo: Analisar criticamente os avanços da bioengenharia aplicada à terapia CAR-T em neoplasias hematológicas, enfatizando as inovações moleculares no combate ao escape imune e na otimização do perfil de segurança. Material e métodos: Revisão integrativa da literatura conduzida nas bases PubMed/MEDLINE, Embase e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), cobrindo o período de 2023 a 2026. Utilizaram-se os descritores DeCS/MeSH: ''Receptores de Antígeno Quimérico'' (CAR-T Cells), ''Neoplasias Hematológicas'' (Hematologic Neoplasms), ''Engenharia Genética'' (Genetic Engineering) e ''Imunoterapia'' (Immunotherapy), combinados via operadores booleanos (AND/OR). Incluíram-se ensaios clínicos, metanálises e revisões sistemáticas focadas em modificações construtivas de quarta e quinta geração, publicadas em inglês ou português. Excluíram-se editoriais, duplicatas e artigos sem texto integral disponível. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, selecionaram-se 18 artigos elegíveis para a síntese qualitativa e extração de dados. Resultados e discussão: As evidências apontam que a evolução da bioengenharia superou as limitações das plataformas iniciais por meio de quatro eixos principais: 1) Receptores Multialvo: Vetores duais (CD19/CD22 e CD19/CD20) demonstraram reduzir drasticamente as recaídas por seleção clonal CD19-negativa; 2) Células CAR-T Armored (TRUCKs): A incorporação de circuitos para secreção induzida de IL-12 e IL-15 remodelou o microambiente tumoral e reverteu a exaustão de linfócitos T; 3) Edição Gênica via CRISPR/Cas9: O nocaute do receptor PD-1 e do complexo TCR/HLA viabilizou plataformas alogênicas ''prontas para uso'' (off-the-shelf), reduzindo o tempo de manufatura; e 4) Chaves de Segurança (Interruptores Suicidas): A inclusão de domínios iCasp9 permitiu o controle farmacológico da neurotoxicidade e da liberação excessiva de citocinas. Conclusão: A bioengenharia de precisão consolidou-se como a principal força motriz na evolução da terapia CAR-T. A transição de plataformas monoespecíficas autólogas para construções multialvo, alogênicas e dotadas de circuitos de segurança representa o caminho definitivo para ampliar o acesso e a durabilidade das respostas clínicas na hematologia.
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TI - BIOENGENHARIA DA TERAPIA CAR-T NAS NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS: MECANISMOS DE SUPERAÇÃO DO ESCAPE IMUNE E PERSPECTIVAS TERAPÊUTICAS
AU - Anderson Almeida ROSA
AU - Flavia Cibele Pereira DA SILVA
AU - Maria Clara De Farias LUZZA
AU - Ana Maria Almeida SOUZA
AU - Luana Paula Cardoso GUIMARãES
AU - Gabriel Da Silva SOUSA
PY - 2026
DA - 2026/10/23
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DO - 10.1016/j.htct.2026.106831
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AB - Introdução: A imunoterapia com células T portadoras de receptor quimérico de antígeno (CAR-T) revolucionou o tratamento de neoplasias hematológicas recidivadas ou refratárias. Contudo, limitações como o escape antigênico, a exaustão celular, a toxicidade grave (como a Síndrome de Liberação de Citocinas) e o alto custo do processo autólogo impulsionaram o desenvolvimento da bioengenharia celular. O foco da pesquisa translacional atual concentra-se no redesenho genético e molecular dessas plataformas para otimizar sua eficácia e acessibilidade. Objetivo: Analisar criticamente os avanços da bioengenharia aplicada à terapia CAR-T em neoplasias hematológicas, enfatizando as inovações moleculares no combate ao escape imune e na otimização do perfil de segurança. Material e métodos: Revisão integrativa da literatura conduzida nas bases PubMed/MEDLINE, Embase e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), cobrindo o período de 2023 a 2026. Utilizaram-se os descritores DeCS/MeSH: ''Receptores de Antígeno Quimérico'' (CAR-T Cells), ''Neoplasias Hematológicas'' (Hematologic Neoplasms), ''Engenharia Genética'' (Genetic Engineering) e ''Imunoterapia'' (Immunotherapy), combinados via operadores booleanos (AND/OR). Incluíram-se ensaios clínicos, metanálises e revisões sistemáticas focadas em modificações construtivas de quarta e quinta geração, publicadas em inglês ou português. Excluíram-se editoriais, duplicatas e artigos sem texto integral disponível. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, selecionaram-se 18 artigos elegíveis para a síntese qualitativa e extração de dados. Resultados e discussão: As evidências apontam que a evolução da bioengenharia superou as limitações das plataformas iniciais por meio de quatro eixos principais: 1) Receptores Multialvo: Vetores duais (CD19/CD22 e CD19/CD20) demonstraram reduzir drasticamente as recaídas por seleção clonal CD19-negativa; 2) Células CAR-T Armored (TRUCKs): A incorporação de circuitos para secreção induzida de IL-12 e IL-15 remodelou o microambiente tumoral e reverteu a exaustão de linfócitos T; 3) Edição Gênica via CRISPR/Cas9: O nocaute do receptor PD-1 e do complexo TCR/HLA viabilizou plataformas alogênicas ''prontas para uso'' (off-the-shelf), reduzindo o tempo de manufatura; e 4) Chaves de Segurança (Interruptores Suicidas): A inclusão de domínios iCasp9 permitiu o controle farmacológico da neurotoxicidade e da liberação excessiva de citocinas. Conclusão: A bioengenharia de precisão consolidou-se como a principal força motriz na evolução da terapia CAR-T. A transição de plataformas monoespecíficas autólogas para construções multialvo, alogênicas e dotadas de circuitos de segurança representa o caminho definitivo para ampliar o acesso e a durabilidade das respostas clínicas na hematologia.
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -