ASSOCIAÇÃO ENTRE PARÂMETROS DO TESTE DE GERAÇÃO DE TROMBINA E RECORRÊNCIA DE TROMBOEMBOLISMO VENOSO SINTOMÁTICO APÓS UM PRIMEIRO EVENTO NÃO PROVOCADO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
- 1Universidade Federal de São João del-Rei, Campus Centro Oeste Dona Lindu, Divinópolis, MG, Brasil
Abstract
Introdução: O tromboembolismo venoso (TEV) é uma condição multifatorial, que engloba a trombose venosa profunda (TVP) e o tromboembolismo pulmonar (TEP). Globalmente, tem alta incidência e risco significativo de recorrência, especialmente em eventos não provocados. Contudo, a escassa oferta de exames laboratoriais que auxiliem na avaliação da hemostasia limita a tomada de decisões para prevenção do TEV recorrente. O teste de geração de trombina (TGT) é um ensaio global da coagulação, e tem papel promissor em doenças que cursam com hipercoagulabilidade. Objetivo: Avaliar, por meio de uma revisão sistemática, o potencial dos parâmetros do TGT na predição do risco de recorrência de TEV após um primeiro evento não provocado. Métodos: A revisão seguiu as diretrizes PRISMA e a estratégia PECO, com protocolo registrado no PROSPERO (#CRD420251144831). Realizou-se busca sistemática nas bases PubMed/MEDLINE, Embase, Cochrane, BVS, Web of Science e Scopus, utilizando descritores para TEV, geração de trombina e recorrência. Foram incluídas coortes prospectivas (seguimento ≥12 meses) com adultos apresentando primeiro TEV não provocado, submetidos previamente a anticoagulação oral por pelo menos três meses, e TGT realizado após suspensão da anticoagulação. A triagem e extração (checklist CHARMS) foram feitas por pares, com avaliação de risco de viés pela ferramenta QUIPS. Resultados: Dos 1.233 estudos identificados, 10 foram incluídos (n = 4.079 participantes). A taxa de recorrência global foi de 13,46%. A TVP isolada foi a manifestação predominante (46,2%), entretanto, o TEP esteve presente em 53,8% das recorrências. Analiticamente, todos os estudos utilizaram plasma pobre em plaquetas e o método Calibrated Automated Thrombogram (CAT) predominou (80%). Identificou-se importante variabilidade na fase pré-analítica, com variação entre as concentrações de fator tissular e de fosfolipídios entre os estudos, somadas à ausência de padronização nos protocolos de centrifugação. Os parâmetros de magnitude, Endogenous Thrombin Potential (ETP) e Peak, mostraram-se preditores relevantes, apresentando-se significativamente elevados no grupo que sofreu recorrência. Parâmetros cinéticos (lag time e time-to-peak) não demonstraram associação preditiva. Discussão e conclusão: O TGT é uma ferramenta promissora para a análise individualizada do risco de recorrência de TEV após evento não provocado. O ETP e o Peak consolidam-se como parâmetros robustos em valor prognóstico. A alta frequência de TEP no TEV recorrente reforça a relevância de estudos que visem contribuir à predição de tais condições. Todavia, a heterogeneidade pré-analítica (centrifugação e reagentes) constitui um desafio para a reprodutibilidade dos resultados. A padronização rigorosa desses protocolos é essencial para a validação do TGT como biomarcador preditor de TEV recorrente e útil às decisões clínicas. Apoio financeiro: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas (FAPEMIG); Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) código: 001; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
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TI - ASSOCIAÇÃO ENTRE PARÂMETROS DO TESTE DE GERAÇÃO DE TROMBINA E RECORRÊNCIA DE TROMBOEMBOLISMO VENOSO SINTOMÁTICO APÓS UM PRIMEIRO EVENTO NÃO PROVOCADO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
AU - Maria Eduarda Machado SOUZA
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PY - 2026
DA - 2026/10/23
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AB - Introdução: O tromboembolismo venoso (TEV) é uma condição multifatorial, que engloba a trombose venosa profunda (TVP) e o tromboembolismo pulmonar (TEP). Globalmente, tem alta incidência e risco significativo de recorrência, especialmente em eventos não provocados. Contudo, a escassa oferta de exames laboratoriais que auxiliem na avaliação da hemostasia limita a tomada de decisões para prevenção do TEV recorrente. O teste de geração de trombina (TGT) é um ensaio global da coagulação, e tem papel promissor em doenças que cursam com hipercoagulabilidade. Objetivo: Avaliar, por meio de uma revisão sistemática, o potencial dos parâmetros do TGT na predição do risco de recorrência de TEV após um primeiro evento não provocado. Métodos: A revisão seguiu as diretrizes PRISMA e a estratégia PECO, com protocolo registrado no PROSPERO (#CRD420251144831). Realizou-se busca sistemática nas bases PubMed/MEDLINE, Embase, Cochrane, BVS, Web of Science e Scopus, utilizando descritores para TEV, geração de trombina e recorrência. Foram incluídas coortes prospectivas (seguimento ≥12 meses) com adultos apresentando primeiro TEV não provocado, submetidos previamente a anticoagulação oral por pelo menos três meses, e TGT realizado após suspensão da anticoagulação. A triagem e extração (checklist CHARMS) foram feitas por pares, com avaliação de risco de viés pela ferramenta QUIPS. Resultados: Dos 1.233 estudos identificados, 10 foram incluídos (n = 4.079 participantes). A taxa de recorrência global foi de 13,46%. A TVP isolada foi a manifestação predominante (46,2%), entretanto, o TEP esteve presente em 53,8% das recorrências. Analiticamente, todos os estudos utilizaram plasma pobre em plaquetas e o método Calibrated Automated Thrombogram (CAT) predominou (80%). Identificou-se importante variabilidade na fase pré-analítica, com variação entre as concentrações de fator tissular e de fosfolipídios entre os estudos, somadas à ausência de padronização nos protocolos de centrifugação. Os parâmetros de magnitude, Endogenous Thrombin Potential (ETP) e Peak, mostraram-se preditores relevantes, apresentando-se significativamente elevados no grupo que sofreu recorrência. Parâmetros cinéticos (lag time e time-to-peak) não demonstraram associação preditiva. Discussão e conclusão: O TGT é uma ferramenta promissora para a análise individualizada do risco de recorrência de TEV após evento não provocado. O ETP e o Peak consolidam-se como parâmetros robustos em valor prognóstico. A alta frequência de TEP no TEV recorrente reforça a relevância de estudos que visem contribuir à predição de tais condições. Todavia, a heterogeneidade pré-analítica (centrifugação e reagentes) constitui um desafio para a reprodutibilidade dos resultados. A padronização rigorosa desses protocolos é essencial para a validação do TGT como biomarcador preditor de TEV recorrente e útil às decisões clínicas. Apoio financeiro: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas (FAPEMIG); Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) código: 001; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
SN - 2531-1379
SN - 2531-1387
ER -